No Carnaval 2026, a Caçula da Baixada levou à Marquês de Sapucaí um enredo inspirado na cultura pernambucana e na música “Pagode Russo” de Luiz Gonzaga. “O sonho do tal pagode russo, nos frevos do meu Pernambuco”, foi idealizado pelo carnavalesco Edson Pereira e foi o segundo enredo apresentado na noite desta sexta-feira. A alegoria 03 representa o fervor da cultura pernambucana, o momento em que a dança e as festividades se tornam um movimento de resistência criado pelo povo.
* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
A professora Maira Norato, de 24 anos, desfilou pela primeira vez na Inocentes de Belford Roxo e comentou sobre o momento.
“Eu sou uma grande defensora da cultura e acho que é tudo muito natural. Acredito que a cultura surge dessa forma natural, mas ela também surge a partir de quando é provocada. O carnaval é uma cultura muito periférica, uma cultura favelada, uma cultura preta. E vem exatamente dessa provocação dos que não poderem comemorar o carnaval ser a nossa grande festa. Trazer o frevo, trazer uma cultura de fora, a chegada dos russos também. Eu achei genial o samba falando sobre o kizar, a balalaika, todas as referências. O samba está rico demais, e trazer o frevo, que também é um Carnaval de outro estado, foi uma provocação muito grande. Eu adorei”, revela a professora.

Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
“A rua é o Carnaval, né? O carnaval começou na rua, por mais que a gente esteja aqui na Sapucaí, né? Lá em Olinda ainda vive-se muito o carnaval de rua, aqui no Brasil também, aqui no Rio também com os blocos, mas a Sopcaí eu acho que se associa um pouco também essa festividade ainda da rua”, diz Maira sobre a importância da rua para o Carnaval.

Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
Gleidson Táqueo, de 36 anos e professor, também está em seu primeiro desfile na agremiação.
“Eu acho que toda criação nasce do nada. E do nada e do tudo ao mesmo tempo, porque tem que ter pessoas. É a mesma coisa que o carnaval, tem que ter pessoas para isso acontecer. Ela surge do nada e do tudo ao mesmo tempo. O tempo nasceu nas ruas, no meio de encontro de culturas e da rua” diz Gleidson.
O professor ressaltou a importância da imagem do Galo para a cultura pernambucana.
“O galo é da cultura nordestina, de Pernambuco. Ele é o início e o final do Carnaval, né? Porque ele é colocado antes do Carnaval e só é retirado depois. E aí, quando ele canta de novo no final, é que está terminando a festa”, analisa o professor.

Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
Já Ana Nascimento, empresária de 42 anos, também está em seu primeiro desfile pela agremiação. Para ela, o Carnaval brasileiro é uma expressão popular e de diversidade.
“A força da rua do Carnaval é imensa, porque o Carnaval é uma expressão, é uma forma de se expressar, do que a gente pensa, do que a gente é, o ser brincante. É enaltecer cada vez a cultura popular que vêm da rua, das pessoas, da diversidade. Aqui no Carnaval, no meio da multidão não existe distinção: é rico, é pobre, é tudo. É cultivar essas pessoas que são tão plurais, mas que ao mesmo tempo em prol do carnaval elas se unem para fazer essa festa linda”.
Ainda em sintonia com o enredo e com a representação do carro, Ana revelou que participar do Carnaval de Olinda era um sonho de infância. Ela esteve na folia em 2013.
“A primeira vez que eu fui pra passar o Carnaval em Olinda tive o prazer, que era o meu sonho, de conhecer o bloco do Galo da Madrugada. Eu, quando era pequena, era enlouquecida pelo Galo. Via pela televisão, e falei: ‘quando eu crescer vou para Pernambuco’, e eu fui, e foi uma experiência maravilhosa”, conta.

Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
O piauiense Eduardo Martins, de 55 anos, desfila na agremiação há 5 anos. Ele conta que vem todos os anos ao Rio de Janeiro para viver esse momento com a agremiação. Para ele, o frevo representa movimento, velocidade, musicalidade e alegria.
“Eu sou nordestino, sou do Piauí. Lá, a gente tinha os festejos juninos e também as festas ligadas às santidades religiosas católicas: Festa de Santo Antônio, festa de São Gonçalo, festa de São Benedito. Todas essas festas têm todos esses mesmos componentes do frevo. A musicalidade, o movimento e a alegria”, detalha Eduardo.

Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
A estudante de direito, Maria Eduarda, de 21 anos, está em seu quinto ano desfilando pela Inocentes e também comentou sobre o enredo e o frevo:
“A gente estar do lado de alguém que a gente gosta, compartilhar um sentimento junto. O frevo é isso tudo, é um calor, é aquele sentimento, é energia. Se não fosse a rua, não tinha o frevo, não tinha a dança, a cultura, a bagunça. A rua tem uma importância absurda no Carnaval, no frevo, porque ela que faz a energia. Só de falar eu fico até arrepiada. A energia da rua é de total importância” comenta Maria Eduarda.










