O cantor Xande de Pilares foi o grande homenageado da Unidos do Jacarezinho, que abriu a primeira noite de desfiles da Série Ouro do carnaval carioca, na última sexta-feira, na Marquês de Sapucaí. Com o enredo “O Ar Que Se Respira Agora Inspira Novos Tempos”, a agremiação celebrou a trajetória do artista, que desfilou na terceira e última alegoria, inspirada em sua música “Tá Escrito”, ao lado de amigos e parceiros de caminhada.
* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Momentos antes de entrar na avenida, Xande falou ao CARNAVALESCO sobre a felicidade de ser celebrado em vida pela comunidade onde construiu parte de sua vida e de sua história no samba. Ao comentar o significado da homenagem, não conseguiu esconder o sentimento que tomou conta de si: “É emoção para caramba ser morador da favela e estar sendo homenageado”.
Cria de diferentes comunidades da Zona Norte, o cantor destacou sua relação afetiva com o Jacarezinho e o reconhecimento no carnaval, mesmo fora de sua escola de coração, o Salgueiro.
“Não é o Salgueiro, mas é a escola da comunidade que eu morei. Como eu já morei no Salgueiro, nasci no Turano, morei no Az de Ouro. O Jacarezinho é uma escola de samba onde eu já ganhei samba que compus. É uma escola que já saí na bateria, que eu conheço os compositores como Barberim, como Macambeira, Gilson Bernini, que é meu parceiro atual. Mas o que me chama a atenção é eu estar vivo, sendo homenageado”, declarou.

Ele também lembrou o momento delicado vivido pela agremiação, que chegou ao desfile após perder grande parte de seu conjunto alegórico e de fantasias após dois incêndios.
“Todo mundo sabe o que aconteceu. Todo mundo procurou contribuir para amenizar o problema. Eu fui um dos contribuintes, mas eu estou muito feliz por estar vivendo isso. A gente tem que valorizar cada página do livro que a gente escreve”, disse ele, muito emocionado.
Durante a conversa, Xande voltou a um tema recorrente em sua obra: os sonhos. Para ele, continuar sonhando é o que sustenta a caminhada iniciada ainda na juventude.
“Eu sonhava apenas em ser compositor. Não imaginava tudo isso. Hoje, em 2026, estou sendo homenageado e continuo sendo aquele garoto que sonhava todos os dias. Nunca vou parar de buscar realizar meus sonhos”, afirmou.
A presença do cantor na última alegoria transformou o encerramento do desfile da Unidos do Jacarezinho em um dos momentos mais emocionantes da noite, unindo celebração, resistência e reconhecimento da comunidade que ajudou a formar sua história.









