O coração da escola de samba vai bater em um compasso diferente, e mais analítico, no próximo Carnaval. A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) divulgou o Manual do Julgador para 2026 trazendo mudanças estruturais profundas na forma como os mestres de bateria e seus ritmistas serão avaliados. Se em 2025 a avaliação era baseada em critérios gerais, o novo regulamento introduz o sistema de pontuação por subquesitos, exigindo uma estratégia milimétrica das agremiações.

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Nova ‘Calculadora’ do Ritmo

A principal novidade é o fim da nota única baseada em uma lista de critérios genéricos. Para o Carnaval de 2026, a nota final da Bateria (de 9,0 a 10,0) será a soma de três pilares específicos, cada um com seu “peso” definido na caneta do julgador.

1. Manutenção da Cadência (valendo de 3,6 a 4,0 pontos): O julgador observará a regularidade e a sustentação do andamento em consonância com o samba-enredo, sem alterações bruscas.
2. Conjugação dos Instrumentos (valendo de 2,7 a 3,0 pontos): O foco aqui é a perfeita união dos sons e a execução precisa das bossas e paradinhas.
3. Criatividade e Versatilidade (valendo de 2,7 a 3,0 pontos): Avalia-se o arranjo musical, a dificuldade de execução e o nível de complexidade das convenções propostas.

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Em comparação, o manual de 2025 listava critérios semelhantes, como a manutenção da cadência e o arranjo musical, mas não estabelecia faixas de pontuação específicas para cada aspecto, deixando a composição da nota mais subjetiva dentro dos critérios gerais. Agora, um erro de afinação ou uma bossa mal executada tem um “preço” tabelado na planilha de notas.

Tempo de Apresentação: O Risco Calculado

Uma observação crucial permanece, mas com novo peso: não existe tempo mínimo obrigatório de apresentação para os jurados. A bateria pode se apresentar andando,. No entanto, o manual de 2026 é enfático ao incluir, dentro do subquesito de Cadência, a avaliação sobre se o tempo utilizado foi “suficiente para a avaliação do Quesito”. Ou seja, “passar batido” pelo módulo pode custar décimos preciosos na primeira faixa de pontuação.

Olhos (e Ouvidos) Redobrados

A pressão sobre os ritmistas será ainda maior devido ao aumento do corpo de jurados. Enquanto em 2025 o julgamento era realizado por 36 julgadores (4 por quesito), o Carnaval de 2026 contará com 54 julgadores, sendo 06 para cada quesito. Isso significa mais ouvidos atentos a cada naipe e menos margem para erros passarem despercebidos.

O Que Não Muda

Apesar das inovações técnicas, algumas proteções às características das escolas permanecem. O julgador continua instruído a não levar em consideração.

• A quantidade de componentes (respeitando o mínimo do regulamento);
• A ausência de determinados naipes por tradição da agremiação;
• O uso de instrumentos de sopro;
• Eventuais panes no sistema de som da Sapucaí

Veredito

Para 2026, a Liesa sinaliza que busca um julgamento mais técnico e fracionado. As baterias não precisarão apenas emocionar; precisarão gabaritar uma “prova” dividida em três etapas distintas. A criatividade continua valiosa, mas a regularidade da cadência recebeu o maior peso na balança, provando que, no Rio de Janeiro, manter o ritmo é, literalmente, o critério mais valioso da festa.