Na última noite de ensaios técnicos antes do desfile oficial, a Marquês de Sapucaí recebeu Viradouro, Imperatriz Leopoldinense, Grande Rio e Beija-Flor em um domingo de arquibancadas cheias, canto forte e público atento. Torcedores de diferentes escolas acompanharam as apresentações e avaliaram desempenho, sambas e o nível de preparação das agremiações às vésperas do Carnaval.

Torcedor da Imperatriz Leopoldinense, o advogado Jean Cruz, de 32 anos, destacou a escola de Ramos como a que mais o impactou na noite, mesmo buscando uma análise equilibrada.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“Sem ser clubista, eu achei a Imperatriz muito bonita. A escola está animada desde o início, os ensaios pegaram, o samba está cada vez mais forte, o Pitty está cantando muito, a bateria do mestre Lolo é muito linda desde sempre e a escola canta demais, com um chão muito forte”, disse.

Ao comentar as demais apresentações, ele avaliou positivamente o nível geral do ensaio. “A Beija-Flor é muito forte, a comunidade canta demais e o samba é muito, muito bom. A Viradouro também veio cantando muito, o samba do Ciça é muito forte e a bateria dele é nota 10. Foi tudo bonito hoje”, afirmou.

Pensando no desfile oficial, Jean projetou uma disputa acirrada pelo título. “A expectativa é das melhores. Os enredos são muito bons, os sambas também e as escolas estão aguerridas. Para mim, fica entre Beija-Flor e Portela, com Imperatriz, Mangueira e Tuiuti brigando junto”, concluiu.

Fã incondicional da Beija-Flor, Mauro Guedes, de 24 anos, atualmente desempregado, falou com emoção sobre o desempenho da escola de Nilópolis e também destacou outras agremiações da noite.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“É difícil deixar a paixão de lado, mas a Beija-Flor foi a que mais me emocionou. É um enredo muito ouvido nas plataformas digitais, levanta a Sapucaí e a comunidade canta com muita força. A gente está sempre disposto a dar o sangue pela comunidade aqui na avenida. Depois da Beija-Flor, a Imperatriz foi a que mais me impactou. O enredo sobre o Ney Matogrosso é sensacional, levanta a arquibancada, todo mundo canta e explode. A comunidade tem um chão muito forte, a escola passa muito bem e a comissão de frente está linda, com coreografia e timing perfeitos”, disse.

Ao falar sobre os sambas, ele destacou o impacto emocional do conjunto verde e branco. “Além do samba da Beija-Flor, o que mais me pega é o da Imperatriz. É um samba bonito, que dá espaço para a voz de um artista que foi negligenciado e sofreu preconceito. O enredo conta a verdade dele e isso emociona de verdade”, avaliou.

Para o desfile oficial, Mauro foi direto: “Quem leva é a Beija-Flor”, concluiu.

Torcedor da Grande Rio, o analista de atendimento Lucas Barsalini, de 32 anos, analisou as apresentações sem se prender ao clubismo. Ele destacou a Beija-Flor como o principal destaque da noite.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“Quando a escola vem com um samba aguerrido como esse, ela desce muito bem e vai dar trabalho no desfile. Eu também gosto do enredo e gosto muito do samba da Beija-Flor”, afirmou.

Além disso, apontou outra obra que o toca pessoalmente. “Tirando a Grande Rio, o samba que mais me pega é o da Viradouro. Eu acompanho o Carnaval há um tempo, acompanho a história do Ciça e gosto muito desse samba, mesmo sabendo que não é unanimidade”, avaliou.

Ao projetar o resultado do desfile oficial, Lucas preferiu cautela. “Acho que vai ficar entre Beija-Flor e Vila Isabel, mas o Carnaval se ganha na pista”, concluiu.

Encerrando as avaliações do público, o promotor de vendas Gabriel Alexandre, de 28 anos, torcedor da Viradouro, ressaltou a evolução da escola de Niterói e o equilíbrio entre as quatro agremiações.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

“Eu gostei muito da minha escola, achei esse ensaio melhor do que o da semana passada. Essas duas semanas são importantes para comparação. A Imperatriz passou muito bem de novo, a Grande Rio e a Beija-Flor também. As escolas estão muito niveladas. Já a Grande Rio veio com mais potência do que na semana passada”, avaliou.

Ao falar sobre os sambas, Gabriel foi enfático. “O melhor samba entre os quatro é o da Beija-Flor. É incontestável, está na boca do povo, é popular, tem refrão forte e fácil de cantar. A minha escola tem um dos melhores sambas, mas o da Beija-Flor está sobrando”, disse.

Mesmo assim, manteve sua aposta pessoal. “Vou puxar a sardinha para o meu lado: Viradouro tetracampeã”, concluiu.