Em Nilópolis, a palavra “bi” circula com naturalidade, mas não sem humildade entre os componentes da Beija-Flor. Entre passistas, baianas, ritmistas e torcedores que participaram, a crença no bicampeonato está apoiada na organização da escola, no trabalho da bateria e na atuação conjunta entre direção, harmonia e comunidade — tudo isso em um Carnaval considerado cada vez mais competitivo e imprevisível.
A confiança que move Nilópolis
Entre os torcedores ouvidos pelo CARNAVALESCO, prevalece a sensação de que a Beija-Flor chega forte para a disputa do bicampeonato. Para Cássio Dias, 50 anos, servidor público e primeiro passista com 38 desfiles pela Azul e Branco, a mobilização é geral:

“Todo o povo nilopolitano está acreditando no bicampeonato. Estamos com humildade, respeitando todas as coirmãs, mas viemos para brigar por mais uma estrela”, declarou.
No departamento musical, o discurso acompanha a vibração dos demais componentes. Diego Oliveira, 34 anos, diretor de bateria da “Soberana” e compositor, resume a preparação para 2026 como “um novo começo”.

“O bi vai ser consequência. Estamos tratando como se fosse o primeiro campeonato. É muito trabalho, muita dedicação da direção, da harmonia, dos cantores, dos ritmistas. Eu acredito que vamos fazer história em fevereiro”, disse.
Bateria, comunidade e conjunto: as forças que sustentam o otimismo
Para brigar pelo bicampeonato, a Beija-Flor aposta no enredo “Bembé”, assinado pelo carnavalesco João Vitor Araújo, que contará a história do maior candomblé de rua do mundo, realizado em Santo Amaro, na Bahia. Ao analisarem a pré-temporada da escola, os componentes convergem em dois pontos: bateria e conjunto.
Matias Ribeiro, 27 anos, jornalista e estreante na escola, concorda:

“A bateria é o coração da escola. Tem tirado boas notas nos últimos anos e acho que dá para tirar 40 pontos outra vez. E os ensaios são muito rigorosos. A galera está comparecendo e não está errando. Isso faz diferença.”
Já o veterano Cássio amplia o foco da análise para outros quesitos:
“A nossa força é o conjunto. É o casal, é o samba, é o enredo, que conta a história do povo negro mais uma vez. E a comunidade nilopolitana. Tudo junto é o que empurra essa escola na direção do ‘bi’”, afirmou.
Diego reforçou que a escola só precisa “fazer o dever de casa”:
“Sou suspeito para falar. A Beija-Flor tem vários quesitos fortes. A gente fica muito confortável. O negócio é fazer o dever de casa e deixar o resto nas mãos de ‘Papai do Céu’.”
O tabu do bicampeonato e a disputa cada vez mais acirrada
O último bicampeonato da Beija-Flor foi conquistado em 2007 e 2008, com os desfiles “Áfricas – Do Berço Real à Corte Brasiliana” e “Macapaba: Equinócio Solar, Viagens Fantásticas ao Meio do Mundo”. Desde então, nenhuma escola voltou a repetir a façanha — um tabu que, há 18 anos, permanece aberto no carnaval carioca.
Matias, que pesquisa academicamente as notas dos jurados no carnaval carioca, destacou o novo cenário competitivo:
“O Carnaval mudou muito. As notas fecham no dia do desfile e não tem como fazer comparação com as escolas que desfilam nos outros dias. Está muito difícil prever a campeã. É imprevisível.”
Já Cássio, que viveu aquele ciclo vitorioso como pivô da comissão de frente, percebe algo familiar:
“A energia de 2007 e 2008 é a mesma de hoje. Sem salto alto, com todo o respeito às coirmãs, temos convicção da nossa responsabilidade.”
Diego mantém a confiança no trabalho:
“Carnaval é muito disputado, nota a nota. As coirmãs vêm fortes, mas confiamos no nosso trabalho.”










