Faltam apenas três dias para o início dos desfiles da Série Ouro e cinco para o início das apresentações da Série Prata e depois da Bronze do Carnaval do Rio de Janeiro, e um fato gravíssimo expõe, mais uma vez, o abismo entre o discurso oficial e a realidade vivida pelas escolas de samba: o Governo do Estado do Rio de Janeiro ainda não pagou a subvenção destinada às agremiações.
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Não estamos falando de luxo. Não estamos falando de excessos. Estamos falando do mínimo necessário para que escolas do povo consigam colocar seus desfiles na avenida. Atrasar, ou simplesmente não pagar, esse recurso às vésperas do carnaval é um absurdo, um desrespeito institucional e uma ameaça real à realização dos desfiles de 2026.
As escolas de samba da Série Ouro, Prata e Bronze não sobrevivem sem a subvenção pública. São agremiações comunitárias, formadas por trabalhadores, famílias inteiras, gente que faz carnaval por paixão, pertencimento e resistência cultural. Abandoná-las é virar as costas para a própria essência do carnaval carioca.
É preciso chamar o nome do responsável: o Governo Cláudio Castro. Historicamente, sempre se colocou como aliado das escolas de samba, sempre discursou sobre a importância do carnaval como motor cultural, social e econômico do Rio de Janeiro. Estranhamente, neste ano, sumiu da camada mais popular do samba. Sumiu justamente onde o carnaval é mais frágil, mais vulnerável e mais dependente do poder público.
E como se não bastasse a falta de pagamento, as escolas já convivem com uma realidade cruel: a ausência de barracões, a falta de estrutura mínima de trabalho, improvisos constantes e custos cada vez mais altos. É um carnaval feito na raça, no sacrifício, no limite. Cobrar excelência dessas agremiações enquanto se nega o básico é hipocrisia institucionalizada.
Em desfiles cada vez mais disputados, técnicos, rigorosos e competitivos, é inadmissível que o poder público trate essas escolas com tamanho descaso. Não existe planejamento possível sem previsibilidade financeira. Não existe carnaval forte sem respeito às suas bases.
É urgente que o Governo do Estado reveja completamente sua política de subvenções. O pagamento precisa ser previsível, organizado e iniciado em julho, com depósitos mensais. Isso não é gasto: é investimento. Um modelo assim barateia o carnaval, evita desperdícios, melhora a qualidade dos desfiles e, principalmente, gera emprego e renda durante o ano inteiro, e não apenas às vésperas da festa.
O carnaval não nasce em fevereiro. Ele é construído todos os dias, nos barracões improvisados, nas quadras, nas comunidades. Quando o Estado falha, quem paga a conta é o povo do samba.
Se escolas não desfilarem, se houver prejuízos irreparáveis, se o carnaval popular for enfraquecido, a responsabilidade será clara e direta. O poder público não pode abandonar quem sustenta a maior manifestação cultural do país.
O relógio está correndo. O silêncio do governo é ensurdecedor. E o risco, agora, é real.










