Às margens da Rio-Santos, o Carnaval 2026 da Porto da Pedra ganha vida. Levando o enredo “Das Mais Antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da Noite” para a avenida, a escola concentra a produção de fantasias e adereços no ateliê em São Gonçalo. Em conversa com o CARNAVALESCO, Mauro Quintaes conta que o espaço voltado às fantasias da escola garante maior controle de qualidade e de tempo.
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“Porque, quando você centraliza a construção, você garante a qualidade. Quando você fragmenta o trabalho — ‘fulano vai fazer as baianas, beltrano vai fazer a bateria’ — você não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Aqui você concentra todo mundo. O Marcos, responsável central, me liga a cada tipo de mudança. Sou um carnavalesco muito democrático, pois eu prezo o tempo. Você nunca vai ouvir da minha boca: ‘vamos esperar mais duas semanas que esse galão vai chegar’. ‘Qual o galão que tem aí?’ ‘Tem esse aqui, vamos botar?’ ‘Pode botar’, mantendo uma coerência artística. Eu prezo o tempo porque sei o que é um carnaval atrasado. Sei o que é você ter que fazer mutirão para terminar. E é muito mais confortável você ter um carnaval todo pronto, mesmo que não tenha aquele galão que você achou ideal para aquela roupa. Tanto aqui quanto no barracão, eu prezo o tempo”, disse o carnavalesco.
O chefe de ateliê, Marcos Santos, conta que a produção começou cedo e, em janeiro, a pouco mais de um mês do desfile, a maior parte das cerca de 4 mil fantasias e adereços que vestirão os componentes já estava pronta.


“A gente iniciou o protótipo da escola em junho. E, graças a Deus, a escola está bem encaminhada. Já estamos na fase de finalização de fantasias, levantando alas. As alas mais importantes, que são os segmentos, já estão praticamente prontas. E a gente está correndo com isso.”
Francine Montibelo, responsável pelo ateliê, ressalta o ótimo rendimento da produção, destacando a antecedência da finalização do trabalho.

“A produção começou em novembro e a gente está com 80% do carnaval, das roupas aqui, já prontas. Estamos em uma fase final, só fazendo adereços, dando os retoques finais, colocando penas, para poder começar a entregar as fantasias. Já temos fantasias de oito alas para entregar após o ensaio técnico”, afirmou.
Além disso, o ateliê localizado em São Gonçalo, à parte do barracão, também é importante para a economia da cidade. Francine destaca a relevância do trabalho das costureiras e aderecistas para a recolocação no mercado.
“São Gonçalo é uma cidade bem carente. A gente sabe que um trabalho de ateliê não é um trabalho fácil. Para estar aqui precisa estar precisando muito, porque aqui é quente, é pesado, mexe com fantasia, tecido… E a gente vê como é importante o trabalho aqui. A gente emprega costureiras, aderecistas, pessoas que às vezes estão sem nenhuma renda e, no carnaval, conseguem melhorar um pouco de vida. Estamos com seis costureiras e 20 aderecistas, com programação para, agora na reta final, aumentar. A gente gera uma renda boa para a cidade”, disse.
O carnavalesco Mauro Quintaes ressalta que o ateliê, além de benéfico para a produção da escola e para a economia da comunidade, também funciona como espaço de aprendizado.
“O objetivo desse galpão, que está sendo montado, também é um pouco de ensinamento. Muita gente entrou aqui sem nunca saber adereçar e já está adereçando, já está fazendo. De alguma maneira, é uma escola também”, afirmou.
Marcos, que é carioca e já passou por diversas escolas do Grupo Especial, compartilha a importância do clima familiar e acolhedor que a escola oferece aos trabalhadores do barracão.

“Eu moro no Rio e a Porto da Pedra é uma escola que eu admiro muito. É uma escola que nos abraça, e a gente acaba abraçando a escola também, vestindo a camisa de quem abraça a gente. A escola é muito família, eles são muito unidos, a comunidade participa muito. A gente faz mutirão, a comunidade vem ajudar. Na quadra, a comunidade é muito presente também. É realmente uma escola família”, afirmou.
Em seu segundo ano de trabalho no barracão do Tigre de São Gonçalo, Marcos compartilha a emoção de ver o trabalho de um ano inteiro brilhando na avenida.
“Eu ainda não sei te descrever, mas é muito emocionante. Você saber da luta que é, da correria que é, das noites sem dormir, a cabeça pegando fogo: faz isso, tem que resolver aquilo… E aí, quando chega o dia do desfile, você olha tudo aquilo passando, é uma história que passa na tua cabeça. Você lembra que aquela peça foi colada naquele dia, que aquela roupa foi costurada naquele dia… e tudo junto, sincronizado, fica uma coisa linda. É um sonho realizado, de verdade”, compartilhou.










