A Imperador do Ipiranga foi a oitava escola a desfilar no Grupo de Acesso 2, no Anhembi. O desfile teve como destaque a comissão de frente, dividida em dois atos, além do conjunto visual, que detalhou corretamente a leitura do enredo. A primeira alegoria foi de fácil leitura, retratando o lado afro da história; a segunda simbolizou, de forma lúdica, as crianças. Os quesitos Alegoria e Comissão de Frente merecem um destaque maior dentro do desfile da escola. Assim como várias agremiações da noite, o quesito Evolução sofreu no final, e o time de harmonia teve que acelerar o passo para fechar o tempo em 50:44, apenas 16 segundos antes do estouro do cronômetro. A escola desfilou com o tema “Bejiróó, Onipé Doum – Ibeji”, assinado pelo carnavalesco Rômulo Roque.
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COMISSÃO DE FRENTE
Sob o comando de Diego Costa, a comissão de frente foi para a pista com o significado de “Os Ibejis, a natureza e o sincretismo no Brasil”. A coreografia consistiu em mostrar a conexão entre o céu e os erês. Em um dos atos, os bailarinos vestiam roupas na cor azul e utilizavam maquiagem. Atrás, havia mães de santo vestidas de branco, e os bailarinos, citados anteriormente, as rodeavam; em seguida, elas trocavam de roupa como se fosse mágica. Essa troca simbolizava a entrada dos erês, que alteravam a personalidade e jogavam balas para o público. Vale destacar que essa troca de figurinos deixou o público presente no Anhembi bastante efusivo.
Em outro momento, acontecia a entrada de bailarinos vestidos de pássaros, além de duas crianças caracterizadas como animais, que iam até o tripé para utilizar o balanço. Uma comissão de frente realmente bem infantil. O coreógrafo Diego Costa intercalou as apresentações: em algumas cabines, executava-se o primeiro ato; em outras, o segundo. Uma grande demonstração de criatividade do profissional.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal representou o “Sincretismo na Umbanda”. Com fantasias inteiramente vermelhas, Matheus Custódio e Dani Motta realizaram um desfile tecnicamente satisfatório. O casal pegou a pista menos molhada e conseguiu executar corretamente a coreografia e os passos necessários para buscar a nota máxima. Resta observar o que aconteceu na cabine do Setor H, pois eles ficaram parados por mais tempo do que o comum em frente ao jurado. A ver se isso será considerado. No mais, um desfile seguro dos estreantes na agremiação.
HARMONIA
Os componentes da Imperador do Ipiranga cantaram corretamente o samba. A evolução não aconteceu com tanta intensidade, mas o canto em sincronia com o carro de som foi bem executado. Vale destacar a bossa em que a bateria para e os componentes têm a missão de bater palmas. Todas as execuções foram realizadas perfeitamente, dada a dificuldade de manter palmas e canto juntos, além de acompanhar a retomada da bateria. Ficou evidente que o ensaio esteve em dia para a apresentação oficial.

ENREDO
A Imperador do Ipiranga possui uma identidade clara de fazer carnaval: apostar em um enredo lúdico, ligado ao universo infantil, como vem fazendo nos últimos três anos. A ideia do carnavalesco Rômulo Roque foi conectar os Ibejis até chegar ao aniversário da escola. Coincidentemente, a Imperador faz aniversário no mesmo dia de São Cosme e Damião. Isso foi muito bem traduzido no desfile, principalmente no último carro.
EVOLUÇÃO
A evolução da escola foi tranquila até a saída da bateria do recuo. Após esse momento, a escola passou a observar com mais atenção o cronômetro e precisou apertar o passo. A equipe de harmonia prontamente instruiu os desfilantes a acelerar. A estratégia deu certo, mas restaram apenas 16 segundos para o estouro do tempo, com os portões fechados em 50:44. Resta ver o que os jurados irão apontar nos dois últimos módulos da pista.

SAMBA
O estreante intérprete Hélber Medeiros foi muito bem. O cantor parecia estar há anos na escola. Brincou com o samba o tempo todo, chamou a comunidade e incorporou o enredo. Uma voz alegre que, a todo momento, buscou incendiar o Anhembi. Os arranjos feitos no carro de som, acompanhando as vozes, também merecem destaque.
FANTASIAS

Seguindo a linha das escolas do grupo, a Imperador do Ipiranga levou para a avenida fantasias leves, com o objetivo de facilitar o canto e a evolução dos componentes. Para transmitir a alegria do tema, um colorido marcante foi utilizado nas vestimentas. Destaque para a ala 02 — “Ibejis”.
ALEGORIAS
Com o título “A África das Crianças – O Ventre e o Baobá”, o carro abre-alas foi para o Anhembi com uma estética afro nas cores dourado e azul, que compõem o pavilhão da escola. A tradicional coroa, símbolo do brasão da agremiação, também esteve presente.
Já o carro intitulado “27 de Setembro – Dia de Cosme, Damião e Doum e Aniversário da Imperador do Ipiranga!” desfilou inteiramente na cor rosa, com estética das entidades no topo da alegoria.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Só Quem É”, sob o comando do mestre Fuskão e com a fantasia “Ogãs – Os Guardiões do Ritual”, executou bossas criativas e apresentou um andamento satisfatório na pista. Destaque para o arranjo logo após o refrão do meio, quando os componentes batiam palmas em perfeita sincronia.










