A Unidos de São Lucas apresentou um desfile consistente, coerente e fiel à proposta do enredo, mostrando clareza narrativa e bom desempenho na maioria dos quesitos. Mesmo enfrentando problemas pontuais no quesito Alegorias, a escola conseguiu sustentar um conjunto funcional, com bom canto da comunidade, comissão de frente bem resolvida e um samba-enredo de fácil assimilação. A agremiação demonstrou planejamento e segurança ao longo da pista, encerrando sua apresentação dentro do tempo regulamentar.
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A escola foi a quinta a desfilar pelo Grupo de Acesso 2 e concluiu seu desfile em 50 minutos. A Unidos de São Lucas levou para a avenida o enredo “Meu tambor é ancestral. Heranças e Riquezas de um Povo… Um Brasil de Festas Pretas”, assinado pelo carnavalesco Anselmo Brito.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente, coreografada por Jonathan Santos, apresentou um ritual de evocação de Ayan Agalu, estabelecendo desde o início uma conexão direta com o enredo. Acompanhados por um tripé, os bailarinos realizaram uma apresentação bem definida, coesa e totalmente alinhada à proposta temática da escola.

No centro do tripé, um personagem principal se destacou ao erguer o tambor em determinado momento da apresentação, simbolizando com precisão o que era entoado na letra do samba-enredo. Combinando passos tradicionais com movimentos que dialogam com a ancestralidade africana e a história do tambor, a comissão de frente foi o ponto alto do desfile da Unidos de São Lucas.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Conforme já observado no ensaio técnico, a dupla Erick e Victoria realizou um desfile eficiente e seguro. Representando a realeza africana dentro do contexto do enredo, o primeiro casal executou com precisão todos os movimentos obrigatórios previstos no regulamento, aliando técnica, criatividade coreográfica e expressiva comunicação facial.

A dança mostrou-se construída em total sintonia com o samba-enredo e com a narrativa proposta pela escola. Victoria, mesmo com a garoa que caiu durante o desfile no Sambódromo do Anhembi, manteve o pavilhão desfraldado durante todo o percurso, evidenciando domínio técnico e segurança.
HARMONIA
O canto da comunidade foi um dos grandes pontos positivos do desfile. A escola apresentou um canto linear, mantendo o mesmo tom do início ao fim da pista, sem oscilações perceptíveis entre os setores.
O intérprete oficial, Tuca Maia, teve papel fundamental nesse resultado. Com boa dicção e comunicação direta com os componentes, conduziu o canto de forma eficiente, facilitando a compreensão da letra do samba e incentivando a participação da comunidade ao longo de todo o desfile.
ENREDO
O enredo “Meu tambor é ancestral. Heranças e Riquezas de um Povo… Um Brasil de Festas Pretas”, desenvolvido por Anselmo Brito, foi bem contado e de fácil entendimento. Ao longo da pista, a escola apresentou de forma clara a trajetória do tambor, desde suas origens africanas até sua presença nas manifestações culturais e festas populares brasileiras.

O conjunto visual, fantasias, alegorias e samba, dialogou de maneira satisfatória, permitindo que o público compreendesse a proposta sem dificuldade. O desfile da Unidos de São Lucas foi direto, assertivo e coerente com o que foi proposto no enredo.
EVOLUÇÃO
Durante o desfile, o abre-alas apresentou um incidente que ocasionou um espaçamento exato de 12 grades entre o carro e a ala seguinte, limite máximo permitido pelo regulamento. Em função dessa ocorrência, a harmonia, em conjunto com a bateria, optou por não realizar a parada tradicional no box do recuo.
Apesar dessas adversidades, os componentes desfilaram soltos, dançando e mantendo a energia do samba. A escola concluiu sua apresentação em 50 minutos e 14 segundos, demonstrando controle do andamento e boa condução da evolução.
SAMBA-ENREDO
A Unidos de São Lucas tem um dos sambas-enredo de melhor rendimento do Grupo de Acesso 2. De fácil assimilação, o samba permite que o público acompanhe o canto já em suas primeiras passagens.
Na parte do refrão principal, em que diz “São Lucas chegou, se liga no rufar do meu tambor”, a comunidade cantou com vigor, evidenciando a força da melodia e a eficácia da letra. O samba, composto por Bruno Leite e Ricardinho Olaria, mostrou ótimo funcionamento tanto no aspecto musical quanto na interação com os componentes.
FANTASIAS
As fantasias foram funcionais e bem planejadas, permitindo que os componentes evoluíssem e dançassem com liberdade. A escola apostou claramente em um desfile de leitura fácil, coeso e organizado.

Com bom acabamento e alinhadas ao enredo, as fantasias aparentavam leveza e conforto, contribuindo diretamente para o desempenho da evolução e da harmonia.
Vale destacar a fantasia da ala das baianas, que representava “Mãe África”. As matriarcas desfilaram vestidas em tom alaranjado, com grandes búzios em suas saias e chapéus com cabelos cacheados no topo.
ALEGORIAS
No quesito Alegorias, a escola enfrentou sua principal dificuldade da noite. O abre-alas apresentou uma falha estrutural, com a quebra da sustentação frontal, o que comprometeu o funcionamento do carro. Foi possível observar integrantes da equipe técnica atuando estrategicamente para manter a alegoria em movimento.

Apesar do problema, a Unidos de São Lucas ousou ao levar três alegorias para a avenida, número superior ao permitido para as escolas do Grupo de Acesso 2, que podem desfilar com apenas duas. Os carros apresentaram bom acabamento e estavam de acordo com o enredo proposto.
OUTROS DESTAQUES
A rainha de bateria, Pepita, interagiu com as arquibancadas ao longo de todo o desfile e cantou o samba com entusiasmo e entrega, demonstrando forte conexão com a escola. A realeza da bateria vestiu-se em tons de marrom, com figurino de muito brilho, valorizando o conjunto visual do desfile.
O time de destaques de chão contribuiu de forma positiva para a evolução da escola, ocupando os espaços sempre que houve necessidade, especialmente nos momentos de maior abertura de espaço. Com figurinos luxuosos e bem acabados, os destaques representaram a escola com maestria.










