Cantora, compositora, atriz e dançarina, ela se tornou uma das primeiras funkeiras trans do Brasil a construir uma trajetória marcada pela música e pelo ativismo LGBT. No Carnaval de 2026, Pepita, aos 43 anos, ocupa o posto de rainha de bateria da Unidos de São Lucas, um dos lugares mais simbólicos do carnaval.

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pepita
Foto: Ana Carla Dias/CARNAVALESCO

“Em alguns momentos na avenida, eu me emocionava muito, quando vi as pessoas gritando o meu nome e se emocionando com a minha presença ali. Então, acho que foi um desfile gostoso e muito prazeroso para mim. Estou leve, agora posso dizer que meu ano vai começar”, diz Pepita.

Ela é uma das poucas mulheres trans à frente de uma bateria no carnaval paulistano. Como rainha de bateria, ela fez sua passagem no desfile que ocorreu neste sábado, iniciando o carnaval de São Paulo com as escolas do Grupo de Acesso 2, no Sambódromo do Anhembi.

A agremiação traz para a avenida o enredo “Meu Tambor é Ancestral… Heranças e Riquezas de Um Povo… Um Brasil de Festas Pretas!”, que exalta a musicalidade afro-brasileira e as festas de matriz africana. E é com a bateria da escola, a USL, comandada pelo mestre Andrew Vinicius, que a escola da Zona Leste de São Paulo ganha ritmo.

Pepita também vive um ano simbólico em sua vida, no qual vê as conquistas deixarem ainda mais marcas em sua história de luta.

“Acho que está sendo especial, primeiro porque fiz aniversário, cheguei aos 43 anos viva e sendo mãe, esposa e filha. Isso em um país louco, cercado de preconceito. Então acho que, para este ano, o carnaval também foi uma pitada diferente, mais gostosa, um grito: ‘ó, eu tô aqui, eu existo, deixa eu viver’”, ressalta.

A história de Pepita revela uma conquista importante para a representatividade no samba, reafirmando o Carnaval como espaço de resistência e visibilidade.

“Acho que posso ser chamada de incômodo para algumas pessoas. Tirar as pessoas da zona de conforto, aquela dúvida: ‘Quem é essa, quem é essa?’. Sou a Pepita, rainha de bateria da Unidos de São Lucas, da USL, e comando com muito carinho e com muito respeito essa bateria. Muito prazer, serei o seu incômodo”, conclui a rainha de bateria.