Terceira escola a desfilar pelo Grupo de Acesso 2 neste sábado, a Torcida Jovem realizou um desfile que pode brigar pelo acesso, a depender dos outros desfiles. A agremiação oriunda da torcida organizada do Santos Futebol Clube apresentou poucos problemas, tendo uma questão ou outra, sobretudo no quesito Evolução. Porém, o fato é que os apontamentos positivos são maiores.
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A Jovem teve uma comissão de frente de fácil leitura e rica em detalhes, que foi o ponto alto do desfile da agremiação. Vale destacar também o casal Gabriel Vullen e Joice Prado, que passou pela avenida com segurança. Aparentemente, a escola conseguiu consertar um problema de anos anteriores: o quesito Alegoria evoluiu corretamente, com carros bem acabados, principalmente o abre-alas. Entretanto, a escola precisou apertar o passo no final, fechando os portões de sua apresentação com 49 minutos e 33 segundos.

A Torcida Jovem apresentou no Anhembi o enredo “Axé, raízes e ritmos da cultura afro-baiana”, desenvolvido por uma comissão de carnaval.
COMISSÃO DE FRENTE
Sob a liderança do coreógrafo Fernando Lee, a dança representou “Nkisis: as Entidades Sagradas do Povo Bantu”. A coreografia consistiu em mostrar a religiosidade da Bahia em conexão com a África. De fácil leitura, os guerreiros bantos eram o ponto central da encenação, dançando pela pista o tempo todo e ficando responsáveis por fazer a saudação ao público e a apresentação da escola, itens obrigatórios no manual do julgador.

A comissão também contava com a presença de uma criança e uma senhora. A senhora segurava um livro e apresentava ao garoto o mundo da África baiana, enquanto ele entregava sua cabeça à religião em determinado momento da coreografia. Na parte de trás, havia um tripé simbolizando a árvore da vida e, de dentro dele, surgiam as entidades, chamadas de nkisis, que seguravam objetos típicos dos orixás. As fantasias foram de fácil leitura, assim como toda a dança. A comissão de frente foi um grande ponto positivo para a escola no desfile.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Gabriel Vullen e Joice Prado desfilou representando “Rei e Rainha Africanos”. Com fantasias luxuosas nas cores dourado e preto, o casal repetiu o desempenho que vem apresentando há alguns anos e realizou um desfile à altura do que a escola precisa.

Na análise das três primeiras cabines de mestre-sala e porta-bandeira, o casal executou todos os movimentos obrigatórios que o quesito exige, além de apresentar uma coreografia bem convincente dentro do samba e em consonância com o enredo. Todos os movimentos de matriz africana foram claros. O sincronismo nos movimentos e nas finalizações foi nítido. Assim, Gabriel e Joice repetiram a dose do ensaio técnico e realizaram um desfile que pode render frutos à Torcida Jovem na apuração.
HARMONIA
A comunidade alvinegra apresentou um canto satisfatório. É nítido que a escola teve um crescimento considerável neste quesito em 2026, e o desfile traduziu isso. O volume não foi alto, mas a escola soube executar o canto do samba-enredo em sincronia com a bateria e o carro de som.
O refrão de cabeça, o refrão do meio e os versos finais do samba foram as partes mais cantadas, principalmente a segunda parte, pois, em alguns trechos, a melodia sobe e exige maior projeção vocal, tornando o canto mais audível.
ENREDO
A Torcida Jovem aprecia essa linha de enredo afro misturada com elementos do Brasil. Em 2025, falou sobre o Maranhão e utilizou referências semelhantes no desfile e, agora, seguiu para a Bahia. Além disso, manter essa linha permite à escola reaproveitar materiais de anos anteriores, o que foi muito bem feito neste desfile.
A bateria “Firmeza Total”, comandada pelo mestre Caverna, sabe explorar bossas dentro desse tipo de tema. O desfile, com suas alegorias e fantasias distribuídas em nove alas de enredo, apresentou de forma satisfatória a África Baiana, especialmente sua essência religiosa, traduzida principalmente na comissão de frente, que foi o ápice do desfile.
EVOLUÇÃO
Mesmo com o ritmo cadenciado do samba-enredo, foi possível notar o comprometimento dos componentes com a evolução. Os desfilantes dançaram entre suas fileiras sem comprometer o espaçamento. As fantasias leves contribuíram positivamente para isso.
Na evolução coletiva, não foram observados espaçamentos graves, como buracos ou divisão de escola. Todas as grades foram respeitadas. A escola correu risco em dois momentos: o quadripé “Blocos de Axé”, que veio no meio da escola carregando uma destaque, apresentou muita dificuldade de deslocamento. Várias pessoas precisaram ajudar para que o elemento prosseguisse pela pista e, por vezes, ele chegou a ficar torto. Ainda assim, as lideranças conseguiram contornar a situação sem gerar buracos.
Outro momento delicado ocorreu entre o elemento alegórico da comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, quando algumas grades se abriram, chegando perto de formar um buraco. Conclui-se, portanto, que a evolução da Torcida Jovem foi satisfatória, restando observar como os jurados avaliarão esses pontos.
SAMBA
O desfile marcou a estreia do intérprete Ivanzinho pela escola alvinegra. Ele, junto ao carro de som, conduziu o samba de forma satisfatória. Durante o percurso da avenida, o cantor não utilizou muitos cacos, priorizando um canto mais linear. O entrosamento da ala musical com a bateria “Firmeza Total” fluiu de maneira correta.
FANTASIAS
Na ótica dos jurados, as fantasias apresentadas foram de fácil entendimento. Em relação à criatividade, destacaram-se a segunda ala, que representou Exu, e a sexta ala, que simbolizou a “Coroa de Preto”. Esta última se notabilizou por exibir frases como “Respeite a minha ancestralidade” e “Poder preto”.

O acabamento foi satisfatório. Os materiais utilizados foram simples, mas suficientes para representar bem a escola no quesito. O grande destaque das vestimentas foi a leveza, sem exageros: costeiros e adereços de cabeça leves permitiram uma evolução adequada dos componentes.
ALEGORIAS
Se a parte plástica foi um problema em anos anteriores, desta vez a Jovem apresentou um belo conjunto. Sem falhas de acabamento, a escola trouxe soluções inteligentes, incluindo um quadripé no meio do desfile, apesar das dificuldades para seu deslocamento. De fácil compreensão, a primeira alegoria representou a África, e a segunda, a Bahia.

O carro abre-alas desfilou com o tema “Nações Africanas – Grandeza de Cultura”. Uma alegoria de grande beleza, toda em preto e branco, com esculturas de mulheres negras nas laterais e, na parte superior, uma árvore simbolizando as raízes africanas. O carro contou com a presença das crianças e da velha guarda.
A segunda alegoria simbolizou a “Bahia que vibra axé”. Em uma cena emocionante para os torcedores da agremiação, o saudoso fundador da Torcida Jovem, Cosme Damião, foi retratado como a figura que conduzia um trio elétrico. O carro, bastante colorido, apresentou elementos como esculturas de negros tocando tambor e coqueiros, representando a Bahia em sua essência.
OUTROS DESTAQUES
Os ritmistas, comandados pelo mestre Caverna, desfilaram representando o “Malê Debalê”, optando pela estratégia de marcar o samba e realizar bossas em momentos estratégicos.
A ala das baianas passou inteira cantando o samba. As mães do samba da Torcida Jovem desfilaram vestidas como “Guardiãs da Ancestralidade”.










