Por Luiz Gustavo, Marielli Patrocínio, Matheus Morais, Guibsom Romão e Júnior Azevedo

A Estação Primeira de Mangueira pisou na Marquês de Sapucaí na última sexta-feira para realizar seu segundo e último ensaio técnico da temporada 2026, exibindo toda a força de seu explosivo e histórico chão. Foi um desempenho com cara de Mangueira: uma escola aguerrida, animada, cantando muito, com componentes felizes. A agremiação também contou com uma comissão de frente de bom nível, uma bateria tinindo, bom desempenho do samba e um casal em fase primorosa, com mais um rendimento irrepreensível. Matheus e Cintya se mostram um casal arrojado e com o espírito da velha Manga, de energia contagiante. Um ensaio substancialmente superior ao apresentado na semana anterior. A Verde e Rosa será a última escola a desfilar no domingo de carnaval, apresentando o enredo “Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidney França.

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COMISSÃO DE FRENTE

Karina Dias e Lucas Maciel trouxeram uma comissão com os mesmos elementos do primeiro ensaio técnico: componentes representando as forças da natureza, com uma roupa rosa e um preto-velho como elemento central. Uma comissão esteticamente bonita e de bom impacto, com excelente sincronia e execução dos movimentos. Na segunda parte do samba, os integrantes simularam estar dentro da floresta por meio de um pano verde, um efeito simples e muito bem realizado. Tudo muito bem concatenado e bem amarrado, uma apresentação de muita qualidade.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Matheus e Cintya formam um casal em estado de graça neste pré-carnaval, com um arrojo de impressionar. Uma apresentação ousada, com alto grau de dificuldade, realizada com uma tranquilidade absurda por parte de ambos. Desde a entrada, com uma bela sequência de giros de Cintya, a série se mantém em excelente ritmo, com muito dinamismo na execução dos movimentos. Cintya intercala seu rodar característico, com o corpo levemente curvado, com giros mais suaves, todos cravados com muita categoria. Matheus brinca com as pernas em um bailado malandreado que beira a perfeição na execução dos passos, tanto nos rodopios evoluindo pela pista quanto nos giros em torno do próprio eixo. A coreografia tem alguns elementos baseados na letra do samba, como no refrão central, mas é predominantemente solta, em uma série que não amorna em momento algum. Um desempenho espetacular do casal neste ensaio.

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Fotos: Divulgação/Rio Carnaval

EVOLUÇÃO

A Mangueira evoluiu com muita força pela Marquês de Sapucaí, preenchendo a pista com bastante volume e componentes utilizando muito os braços e brincando dentro das alas. Foi um excelente desempenho em termos de lateralidade e empolgação, mantendo uma evolução quente e sem arrastar pela avenida. A Verde e Rosa vem com algumas alas coreografadas, o que deixa a evolução mais marcada em alguns momentos, mas isso não travou a escola, que aproveitou o volume de espaço que as coreografias proporcionam.

Os desfilantes chegaram com muita tranquilidade aos metros finais do sambódromo, quando os diretores seguraram um pouco a escola para testar o canto e permitir que a bateria se apresentasse com mais calma, o que deixou a escola parada por alguns minutos. No geral, foi uma evolução bem correta e também vigorosa por parte da agremiação, que terminou seu ensaio com 76 minutos.

“Chegamos bem preparados para este último ensaio. O que tínhamos que acertar do ensaio anterior, acertamos. Eu vi uma escola sabendo desfilar, sabendo cantar; encontrou o ponto do samba que canta, encanta, evolui e dança, que são as premissas para buscarmos a nota técnica, a nota do jurado. Mas a Mangueira emociona, e eu acho que a escola está fazendo isso. Existem diversos trechos do samba em que a gente canta olhando para os componentes, apontando o dedo, pulando; isso faz a energia vir de dentro para fora. A Mangueira chega firme, chega bem para esta semana. Faltam umas quatro alas para entregar fantasia, o barracão está em ponto de bala para sair e desfilar. É agradecer a toda a diretoria, a todos os segmentos; a Guanayra é incansável, dá estrutura para a gente ensaiar, para colocar a escola na rua. Está chegando o dia 15, Mangueira é a última escola a desfilar. Vamos com tudo”, afirmou Dudu Azevedo, diretor de carnaval.

HARMONIA E SAMBA

O samba mangueirense teve um desempenho muito bom no ensaio técnico, levado com categoria por Dowglas Diniz, que teve a difícil missão de solar em várias bossas sem o acompanhamento dos apoios, sustentando o canto o tempo todo. A obra não cansou, também potencializada pelo ótimo desempenho da bateria, e alcançou bom rendimento não apenas nos refrãos, mas em trechos como o início da segunda parte e, principalmente, o momento que antecede o refrão de cabeça, quando há uma subida de tom no trecho “Yá, Benedita de Oliveira, mãe do morro de Mangueira, abençoe o jeito Tucuju”. A obra, que se mostra mais poética do que explosiva, exibiu grande funcionalidade e se manteve firme durante toda a passagem da escola.

O canto seguiu essa toada e foi bastante satisfatório durante praticamente toda a apresentação, com uma pequena queda na empolgação dos componentes nos últimos minutos, quando a escola segurou a evolução na altura do último módulo. De resto, foi um canto acompanhado por todas as alas, inclusive as coreografadas, que não deixaram o ritmo cair. O samba tem bastante variação melódica e alguns trechos em que o tom baixa, como na segunda parte do refrão central, mas nada disso comprometeu o forte desempenho da comunidade, que levou no gogó com potência. Um bonito momento da Mangueira, que mostrou enorme evolução em relação ao primeiro ensaio técnico no quesito.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria comandada por Rodrigo Explosão e Taranta Neto teve excelente desempenho, marcado pelo arrojo nas bossas, como a sustentada pelas caixas de marabaixo. Um ótimo rendimento que potencializou a passagem do samba da agremiação. Os mestres falaram sobre o ensaio e a perspectiva para o desfile oficial.

“Acho que o ensaio de hoje foi muito mais consistente do que o da semana passada. Claro que o primeiro ensaio tem aquela tensão a mais, por isso acho que o ensaio de hoje foi excepcional, nível de desfile, é o que esperamos repetir no domingo que vem. A expectativa é Mangueira no topo sempre, já entramos na avenida com esse pensamento. É chegar aqui, fazer o melhor para ajudar a escola e, consequentemente, ser campeã na quarta-feira”, disse Taranta.

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“Foi um ensaio bastante consistente, a galera conseguiu limpar tudo o que a gente precisava do ensaio anterior. Hoje foi um ensaio com cara de desfile e, se Deus quiser, a gente vai fazer um pouco melhor do que isso para gabaritar a nota. O nosso intuito é sempre brigar pelo título, a escola está trabalhando muito desde quando escolheu o samba. Teve um trabalho da galera da harmonia junto com a gente, junto com a presidenta, colocando o barracão em dia. As fantasias já estão sendo entregues com uma semana, duas de antecedência. Agora nos resta chegar aqui, a bateria responder, cada um fazer a sua parte para a gente brigar por esse título”, declarou Rodrigo Explosão.

Evelyn Bastos veio à frente da bateria com uma fantasia que representava uma árvore e, como de costume, se destacou pela beleza, presença e samba no pé. Sem dúvida, uma raiz mangueirense. A ala das baianas veio bem vestida e rodando forte na Sapucaí, sem esquecer do samba na ponta da língua.