Bicampeã do Grupo Especial de São Paulo, a X-9 Paulistana retorna ao Grupo de Acesso II da folia paulistana em 2026. Para que a passagem pelo terceiro pelotão do Carnaval seja breve, a agremiação da Zona Norte apresentará o enredo “Yvy Marã Ei – A Busca pela Terra sem Mal”, assinado pelo carnavalesco Amauri Santos. A instituição será a quarta a desfilar no pelotão, que irá à avenida no sábado, 7 de fevereiro.

Sempre buscando trazer informações sobre as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO entrevistou Amauri, por WhatsApp, para revelar detalhes sobre a apresentação xisnoveana.
História celebrada
De acordo com o carnavalesco, a fagulha que deu origem à temática surgiu em conjunto:
“A ideia nasceu em uma conversa entre mim e o Leonardo Dahi, nosso enredista. Eu queria, mais uma vez, um enredo que falasse dos povos originários de forma positiva e que deixasse uma reflexão sobre a possibilidade de mudança para a humanidade”, comentou.
Vale destacar que a história da X-9 Paulistana é marcada por grandes desfiles com inspiração indígena. O primeiro título da agremiação veio com “Amazônia, a Dama do Universo”, em 1997, em um desfile que entrou para a história do Carnaval paulistano pela utilização, pela primeira vez, de carros alegóricos com movimentos semelhantes aos utilizados no Festival Folclórico de Parintins.
Em 2003, a história indígena do paulistano Rio Pinheiros rendeu a terceira colocação com o enredo “Pi, iê, rê Jeribatiba ou Pinheiros. A Deusa dos Rios Clama pela Preservação: Se Ela Muda o Curso, Pode Mudar Sua História”. Em 2009 (“Amazônia… Conseguimos Conquistar com o Braço Forte… do Esplendor da Hevea brasiliensis à Busca pela Terra sem Males”), 2016 (“Açaí Guardiã! Do Amor de Iaçá ao Esplendor de Belém do Pará”) e 2022 (“Arapuca Tupi – A Reconquista de uma Terra sem Dono”), a agremiação também buscou nos povos originários a inspiração para seus enredos.
A forte relação da X-9 Paulistana com temáticas indígenas também se fez presente quando a reportagem perguntou a Amauri sobre a receptividade da comunidade:
“A escola já está habituada a esse tipo de enredo. E, vivendo um momento de superação, entendemos que é hora de encontrar novos caminhos que nos levem a um lugar melhor”, comentou.
O momento de superação citado refere-se ao rebaixamento do Grupo de Acesso I em 2025 para o grupo imediatamente inferior em 2026. É a segunda vez, em um período de três anos, que a X-9 Paulistana disputará o terceiro nível do Carnaval de São Paulo — algo que não acontecia desde 1985.
Pesquisa
Ao ser perguntado sobre o levantamento de informações para a construção do enredo, Amauri voltou a citar o enredista da escola:
“O Leonardo iniciou as pesquisas e, a partir disso, fomos moldando o enredo de acordo com a nossa realidade. Ao longo do processo, fomos nos surpreendendo e nos encantando com a história. O respeito do povo guarani pelo próximo e pela natureza é algo extremamente inspirador e nos faz refletir sobre como podemos transformar o momento em que vivemos”, afirmou.
A linha cronológica do desfile também foi detalhada:
“O desfile está dividido em três momentos: o primeiro mostra a fúria de Nhanderu, o criador; o segundo representa o recomeço da humanidade; e, por fim, a peregrinação do povo guarani em busca da chamada ‘Terra sem Males’”, pontuou.
A história que será contada pela X-9 Paulistana é baseada em uma lenda guarani, resumida pelo carnavalesco. A fúria de Nhanderu teria sido motivada pelo mal que o homem fazia ao próprio homem e à natureza. Após um grande incêndio e, na sequência, uma enorme enchente, apenas os parentes mais próximos do pajé Guirapoty sobreviveram. Com a invasão do homem branco às terras originárias, o desequilíbrio ecológico e os ataques à natureza voltaram a ocorrer — e o fim, novamente, pode estar próximo, na visão do enredo. Ainda há tempo, porém, para que o Brasil se torne Yvy Marã Ei — a Terra sem Males que nomeia o enredo.
Sobre o desfile
Na entrevista, Amauri trouxe informações mais objetivas sobre o que será apresentado na avenida:
“A escola contará com dois carros alegóricos — sendo o primeiro acoplado. São 11 alas e um total de 860 componentes”, comentou.
Em relação à confecção do desfile, o carnavalesco prometeu um ponto de atenção especial:
“Utilizamos materiais variados, desde os tradicionais do carnaval atual até materiais alternativos, como cordões. Também teremos o uso da madeira de formas pouco vistas no Carnaval”, destacou.
Perguntado sobre o possível clímax do desfile, Amauri apontou a atmosfera da Zona Norte como diferencial:
“Acredito que o ponto alto será a leveza do nosso desfile. Temos um ótimo samba e uma plástica diferenciada, tratada com muito esmero, que conduz o componente a desfilar com alegria e emoção”, comentou.
Para retornar
A reportagem deixou espaço para que o carnavalesco deixasse um recado à comunidade e ao mundo do samba. Ele elogiou o trabalho da diretoria e refletiu sobre o projeto:

“Depois de altos e baixos, a X-9 Paulistana se recompôs para voltar a apresentar um Carnaval maduro e com muito profissionalismo. Sabemos das dificuldades do grupo, mas a administração da escola, liderada pelo nosso presidente Adamastor, vem fazendo o possível e o impossível para apresentarmos o melhor espetáculo ao público e à nossa comunidade”, finalizou.










