A União da Ilha do Governador realizou, nesta quarta-feira, seu último ensaio de rua antes do desfile oficial, na Estrada do Galeão, na altura do Relógio da Cacuia. Mesmo sob forte chuva, a escola mostrou disposição e confiança para o Carnaval 2026, quando desfila pela Série Ouro na sexta-feira, 13 de fevereiro, como a sexta agremiação a entrar na Marquês de Sapucaí. Com o enredo “Viva o hoje! O amanhã? Fica pra depois!”, desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Ferreira, a Ilha aposta em um desfile vibrante, colorido e festivo, com referências lúdicas ao tempo e à passagem do Cometa Halley.
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Sem apresentação da comissão de frente nesta noite, o ensaio concentrou as atenções no chão da escola. A “Baterilha”, comandada pelo mestre Marcelo, voltou a ser um dos grandes pilares da apresentação, sustentando o andamento com conforto, musicalidade e identidade própria. Outro destaque foi o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, João Oliveira e Duda Martins, que, mesmo com o aumento da intensidade da chuva ao longo do percurso, manteve um bom nível de apresentação.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
João Oliveira e Duda Martins apresentaram uma dança marcada por romantismo, delicadeza e sintonia. No primeiro módulo, o casal viveu seu melhor momento da noite, com bailado mais solto e leitura clara da coreografia. Já no segundo e no terceiro módulos, a apresentação se mostrou um pouco mais contida, muito em função da chuva forte que passou a castigar o ensaio nesses trechos.
No conjunto, Duda demonstrou elegância, segurança e pleno domínio do pavilhão, conduzindo a bandeira com leveza mesmo em condições adversas. João, por sua vez, confirmou um bom trabalho de pernas no bailado cruzado e um cortejo bem executado, valorizando o diálogo com a porta-bandeira e com o público presente.
SAMBA E HARMONIA
No quesito samba e harmonia, a União da Ilha apresentou um desempenho positivo. A comunidade cantou, respondeu ao carro de som e sustentou o ensaio do início ao fim. O único ponto de atenção ficou por conta de duas alas posicionadas após a terceira alegoria, que demonstraram uma leve queda de intensidade na parte final do percurso. Ainda assim, o conjunto não comprometeu o rendimento geral.
O samba, que chegou a ser contestado em momentos da temporada, mostrou-se assimilado pela escola e funcionou na prática, muito impulsionado pela condução firme de Tem-Tem Jr. e seus companheiros de carro de som. O intérprete fez uma análise do processo vivido até este último ensaio.

“Eu faço esse balanço desde a escolha do samba. A gente teve uma crescente muito grande. Sou feliz aqui por ter liberdade para trabalhar, e isso faz toda a diferença. A diretoria, o mestre Foca, todo mundo me dá essa condição, assim como acontece com o Marcelo. Não é à toa que a bateria e o canto vêm sendo elogiados. A Ilha escolheu esse samba pensando no enredo, no que contava melhor a história. No começo, parte do público não aceitou, mas o presidente pensou no melhor para a escola. Ajustamos o samba, fizemos alterações, e de lá para cá só vimos elogios. Hoje é crescimento, maturidade e confiança”, avaliou.
Projetando o desfile, Tem-Tem demonstrou otimismo. “A Ilha é igual ao Flamengo. Pisou na Sapucaí, tudo vira mágica. Se a gente passar certinho, com esse carnaval que o Marcus montou, com a bateria, o casal, o canto da comunidade, dá para buscar esse título com humildade e respeito. A vitória está entalada na garganta do povo insulano”, concluiu.
EVOLUÇÃO
A evolução da União da Ilha seguiu a identidade leve e brincante que marca a escola historicamente. Mesmo com a pista molhada, a agremiação manteve bom espaçamento entre as alas, deslocamento fluido e leitura organizada do desfile. A escola soube respeitar o andamento da bateria, sem correria, valorizando a alegria espontânea de seus componentes.

O diretor de carnaval, Júnior Cabeça, destacou a trajetória crescente da escola ao longo da temporada. “A gente veio numa crescente. Pelo histórico da comunidade, eu já sabia o que esperar do chão da Ilha. A ala musical elevou muito esse samba, que hoje é uma realidade. A comunidade canta a plenos pulmões. No geral, o balanço é muito positivo. A Ilha está pronta. Agora é ajustar mínimos detalhes para, no dia 13, conquistar o público da avenida como sempre fez. Com certeza dá para sonhar com o título. O nível das fantasias e das alegorias está muito alto. Temos uma equipe de Grupo Especial e um chão histórico que faz acontecer.”
OUTROS DESTAQUES
A presença da rainha de bateria, Gracyanne Barbosa, também chamou atenção. Com carisma, simpatia e forte conexão com a comunidade, ela sambou, interagiu com o público e atendeu aos fãs com alegria, reforçando seu vínculo com a escola.

A “Baterilha”, comandada pelo mestre Marcelo Santos, mostrou segurança e qualidade. Nota máxima no carnaval passado, ela apresentou ótimas notas, leitura inteligente do samba e manteve um ritmo constante durante todo o ensaio.
Outro ponto marcante da noite foi a permanência do público até o fim do ensaio. Mesmo debaixo de chuva intensa, torcedores e componentes seguiram cantando e incentivando a escola, criando um ambiente de comunhão e resistência que traduz bem o espírito insulano.










