A chegada de Vinícius Drumond à Em Cima da Hora foi marcada por garra e protagonismo. O novo patrono foi o principal responsável pela mudança de rumo do desfile de 2026. Antes de sua chegada, a agremiação já havia anunciado um enredo em homenagem à cidade de Saquarema, na Região dos Lagos.

No entanto, Vinícius apresentou uma nova proposta temática, prontamente acolhida pela escola e pelo carnavalesco Rodrigo Almeida.
Assim, a Em Cima da Hora levará à Marquês de Sapucaí o enredo “Salve Todas as Marias: Laroyê, Pombagiras”, uma homenagem às Pombagiras, com foco na emancipação feminina, na resistência e no poder das mulheres.
Durante visita do Site CARNAVALESCO ao barracão da escola, Rodrigo Almeida comentou sobre a origem do enredo e a evolução dos preparativos.
“O enredo em homenagem às Pombagiras veio da ideia do nosso patrono, Vinícius Drumond. A gente já tinha um outro enredo, inclusive anunciado, e quando ele chega à escola traz essa ideia de fazer essa homenagem. O enredo surgiu dele”, contou o carnavalesco.
Ao aprofundar sua pesquisa, Rodrigo afirma ter compreendido o verdadeiro significado das Pombagiras, entendidas não como figuras estigmatizadas, mas como símbolos coletivos de resistência, sabedoria e poder feminino.
“O que mais chama a atenção é entender que Pombagira não é uma coisa. Pombagira é um somatório de mulheres que lutaram, que amaram, que guerrearam, que governaram, que sabiam um pouquinho a mais e foram condenadas à fogueira. O mais interessante é descobrir que essas mulheres eram empoderadas, estavam à frente do seu tempo e foram tachadas de bruxas e feiticeiras. Essa é a parte mais rica do enredo”, explicou.

Comparando com os últimos dois carnavais, Rodrigo se mostrou confiante de que 2026 marcará um salto qualitativo da agremiação, impulsionado pela força do samba e pelo engajamento da comunidade.
“A gente vem num crescente. Há dois anos fazemos carnavais mais imponentes, mas acho que este ano casa samba, comunidade e investimento. Um bom carnaval é feito de comunidade feliz, samba bom e estrutura financeira. Tudo isso junto gera um grande desfile. Estamos com mais garra, mais vontade, a comunidade decidiu vir para a avenida, então estamos cantando muito e brincando carnaval. Essa é a grande diferença”, analisou.

Para o carnavalesco, o grande trunfo da Em Cima da Hora será justamente essa combinação.
“Samba e comunidade. Sem esses dois elementos, você pode estar pintado de ouro, riquíssimo e belíssimo, mas não adianta. Com samba e comunidade você tem tudo. Esse vai ser o nosso trunfo, somado à energia das Pombagiras, que com certeza estarão presentes no desfile”, afirmou.
O samba-enredo tem extrapolado os limites de Cavalcanti, conquistando o público e sendo cantado para além da comunidade da escola. Rodrigo explicou o diferencial da obra.

“O samba narra a história, mas não é descritivo em sua essência. Ele dialoga com a linguagem das Pombagiras, com os pontos populares. Quando você canta ‘Abre a roda’ ou ‘A dona da casa chegou’, são expressões que estão no imaginário coletivo das Pombagiras e das macumbas. Isso cria uma troca muito forte entre escola e público. É carnaval de macumbeiro, carnaval é de macumba, e ter Pombagira está sendo tudo”, comentou.
Reforçando o compromisso com o bem-estar dos componentes, Rodrigo também falou sobre a concepção das fantasias.

“Acreditamos em roupas imponentes, mas sempre pensando no conforto. Não teremos nada gigantesco, porque isso atrapalha a evolução. O calor do Rio está desumano, seja com sol ou com chuva. Não dá para manter um componente preso embaixo de veludo, renda e ainda carregando um edifício nas costas. Estamos fazendo um carnaval que permita brincar, cantar e evoluir. Apostamos em samba forte, plástica bem feita e uma história bem amarrada”, explicou.
Entenda o desfile
Para homenagear as Pombagiras na Sapucaí, a Em Cima da Hora se apresentará com três alegorias e 19 alas, reunindo cerca de 1.800 componentes. O desfile terá como eixo central a figura de Maria Padilha, desde sua chegada como rainha em vida até sua consagração espiritual.
Setor 1
“A gente começa narrando a chegada das Pombagiras, especialmente Maria Padilha, ao seu castelo em Sevilha, na Espanha. Tratamos da Pombagira como rainha em terra, viva. Em seguida, mostramos o imaginário coletivo dessas mulheres: a Bruxa de Évora, Joana d’Arc e outras figuras femininas poderosas da história. Toda mulher é uma Pombagira, porque Pombagira não é um termo, é um ato de ser, de se respeitar e de ser empoderada.”
Setor 2
“Depois mostramos onde esses espíritos foram cultuados: o Batuque no Rio Grande do Sul, a Umbanda, o Catimbó, a Jurema, até chegar à Quimbanda, onde ela se consagra rainha espiritual. Temos uma alegoria que representa esse reino espiritual: ela foi rainha na terra e agora é rainha no plano espiritual.”
Setor 3
“No último setor, oferecemos presentes às Pombagiras — flores, velas, champanhe, padês, rosas — e encerramos com um grito contra a intolerância religiosa. Desmistificamos histórias e ressignificamos imagens que estão no imaginário coletivo. É um carro que vai mexer com as pessoas de alguma forma”, concluiu Rodrigo Almeida.










