A Unidos de Vila Isabel se prepara para o Carnaval 2026 com um enredo que mergulha nas raízes do samba e na força da ancestralidade negra. “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África” conduz a escola por um território onde memória, sonho e identidade se encontram, em uma homenagem à obra e ao legado de Heitor dos Prazeres. A proposta, assinada pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinícius Natal, valoriza o samba como expressão artística, espiritual e popular, reafirmando a essência da Vila Isabel na Marquês de Sapucaí.

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A azul e branca do bairro de Noel desfila na terça-feira, 17 de fevereiro, sendo a segunda escola a entrar na avenida. Dentro desse contexto, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Dandara Ventapane e Raphael Rodrigues, surge como um dos pilares da construção desse Carnaval, unindo técnica, emoção e identidade.

Para Dandara, o retorno à Vila Isabel representa um momento de maturidade e reencontro.

“É a nossa maturidade. Eu acho que é um momento muito bom nosso e de maturidade da escola também. É um grande reencontro. Para mim, voltar para a escola depois de dez anos é voltar depois da menina que saiu daqui. Está sendo, a cada dia e a cada momento, escrever um pedacinho dessa nova história.”

A fala revela o peso simbólico desse retorno e o vínculo afetivo que atravessa o tempo.

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Raphael Rodrigues também traduz em palavras a responsabilidade de defender o pavilhão da escola.

“É uma sensação incrível, é uma responsabilidade imensa, porque a Vila Isabel é uma escola especial na minha vida. É a escola que me projetou, a escola que me amadureceu. Estar aqui nesse momento está sendo incrível e depende da gente. O que estamos fazendo é trabalhar para chegar ao objetivo, que são os 40 pontos.”

Para ele, a missão exige entrega diária, disciplina e comprometimento absoluto.

A emoção também esteve presente quando a dupla teve contato com as fantasias.

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“É uma sensação de que a gente percorre um caminho e quer sempre evoluir. Quando esse momento chega, é quase inacreditável. É um passo muito grande para a gente, que, como dupla, já almejava isso há muito tempo. Está sendo a realização de um grande momento.”

O relato evidencia o simbolismo desse Carnaval na trajetória de ambos.

Sobre a cabine espelhada, Raphael explica que a novidade técnica não altera a essência do trabalho desenvolvido pelo casal.

“Para mim e para a Dandara, a cabine espelhada não muda muito, porque já faz parte do nosso estilo de dança, do que a gente vem propondo nesses anos de amadurecimento e nesses seis anos de dupla. A gente propõe uma dança muito tradicional, que acaba favorecendo todos os lados da avenida e também o salão.”

A escolha reforça a clareza dos movimentos e o diálogo direto com o público.

O samba-enredo ocupa papel central na construção emocional do desfile. Dandara Ventapane destaca a força espiritual da obra:

“Eu acho que o samba tem uma energia ancestral e leve do Carnaval. É poder brincar, é poder saudar, é poder reverenciar. Ele é esse olhar do passado para o futuro, e é com essa energia que a gente está indo para a Sapucaí.”

Raphael Rodrigues complementa com uma percepção visceral:

“O samba toca. Ele simplesmente toca. É uma coisa que vem de dentro para fora e que eu não sei explicar. A gente só sabe sentir e viver esse momento.”

Assim, a Vila Isabel segue seu caminho rumo ao Carnaval 2026 unindo tradição, maturidade e ancestralidade. Com Dandara Ventapane e Raphael Rodrigues conduzindo o pavilhão, a escola transforma a avenida em espaço de memória, emoção e celebração, reafirmando sua identidade e sua ligação profunda com o samba.