Paraíso do Tuiuti chega forte ao Carnaval com um enredo que dialoga diretamente com a ancestralidade, a espiritualidade e a potência da cultura afro-brasileira. Na avenida, esse discurso ganha corpo, voz e emoção na interpretação de Pixulé, um dos grandes nomes do carnaval carioca, que vive um dos momentos mais significativos de sua trajetória à frente do carro de som da escola.

IMG 7876

O samba-enredo do Tuiuti construiu sua força ao longo da temporada. Chegou desacreditado para alguns, cresceu nos ensaios, ganhou a rua e hoje figura entre os mais cantados do ano, alcançando o posto de segundo samba mais tocado no Spotify — reflexo direto da conexão estabelecida com o público e com a comunidade.

Para Pixulé, cantar esse samba tem sido uma experiência especial. Ele define o momento como algo maravilhoso e relembra a trajetória da obra até alcançar o patamar atual.

“Cantar esse samba, pra mim, está sendo uma coisa maravilhosa. É um samba que chegou desacreditado e, de repente, foi crescendo, crescendo, crescendo, e virou esse samba querido, na voz de todo mundo. A Sapucaí está esperando esse samba.”

O primeiro contato com a obra também foi marcante. Pixulé lembra da emoção ao ouvi-la pela primeira vez e da responsabilidade de representá-la na avenida.

“Eu fiquei em êxtase. Fiquei maravilhado e feliz ao mesmo tempo. Um samba desse, pra mim, não é qualquer um que canta.”

A fala revela o respeito e a consciência do peso que carrega ao interpretar o hino do Tuiuti.

A ligação espiritual com o enredo intensifica ainda mais essa entrega. Pixulé, que é do candomblé e babalorixá, explica que cantar um samba afro toca diretamente sua essência.

“Mexe mais comigo, sim. Como eu sou da religião, tem tudo a ver. A gente que é do candomblé, cantar um samba afro fala direto com a nossa história e com a nossa fé.”

Essa conexão se reflete na forma como ele conduz o samba: sempre com firmeza, emoção e verdade.

A expectativa para a apresentação na Sapucaí passa, sobretudo, pela reação de quem está na arquibancada e na pista. Para Pixulé, esse é o verdadeiro termômetro do samba. Ele explica de forma simples, com os pés no chão:

“Estou esperando a resposta do público. Quando a gente começar o samba na avenida, a gente vai ver qual vai ser a resposta.”

Sempre muito sorridente ao cantar, Pixulé transforma o carro de som em um espaço de celebração, fé e resistência. Sua interpretação potencializa o enredo e amplia a força do discurso levado pelo Tuiuti para a avenida. No Carnaval, sua voz ecoa como símbolo de potência, ancestralidade e verdade, fazendo do samba da escola um dos grandes destaques do ano