Por Matheus Morais, Marcos Marinho, Lucas Santos e Marielli Patrocínio
Evocando a cultura pernambucana do Manguebeat e a força ancestral da lama, a Grande Rio veio firme em seu primeiro ensaio técnico na Sapucaí nesta temporada, entrando na Marquês de Sapucaí após a maior parte da chuva que tomou conta da cidade nesta noite de domingo. Saudando Nanã em sua comissão de frente, a escola de Caxias demonstrou uma participação ativa de sua comunidade por meio do canto e da desenvoltura dos componentes ao longo da pista, com merecido destaque também para o casal Daniel Werneck e Taciana Couto, que abrilhantou a Avenida durante sua passagem. Com o enredo “A Nação do Mangue”, a Grande Rio será a terceira escola a se apresentar na terceira noite de desfiles do Grupo Especial, na terça-feira de carnaval.
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COMISSÃO DE FRENTE
A apresentação comandada por Hélio e Beth Bejani apresentou uma narrativa em torno de Nanã e do mangue, com os bailarinos representando viventes e sobreviventes desse tipo de bioma, além da própria orixá, que tem profunda relação com a lama e funciona como ponto de partida do enredo. A história encenada teve recepção muito animada do público das arquibancadas, iniciando-se a partir da metade do refrão do meio e percorrendo uma trajetória guiada pela orixá, que passa pela pobreza, pela diversidade dos viventes do mangue, incluindo os animais, por suas lutas e desafios.
A coreografia se destaca por movimentos mais diretos, com uso frequente dos braços e da cabeça, remetendo aos caranguejos, e ganha nova dinâmica na segunda parte da apresentação com a utilização da luz roxa na Sapucaí, focando mais na dimensão social do enredo. O deslocamento rápido do elenco dominou bem o espaço da Avenida, com movimentos bem sincronizados e até uma queda muito bem executada, que obteve boa resposta do público.

O figurino utilizado pelos bailarinos da comissão também foi muito bem realizado, com referências aos pescadores e a outros profissionais que têm na lama e no mangue sua forma de sustento. Houve bom uso de elementos como redes e tecidos que remetem a trapos, com Nanã surgindo na mesma linguagem estética dos demais integrantes.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Em uma noite encantada, Daniel e Taciana viveram um grande momento protegendo e portando o pavilhão tricolor de Caxias. Com uma apresentação segura em todos os módulos, o casal demonstrou muita garra ao desfilar após a chuva e ainda sob vento forte na Avenida. A coreografia foi muito bem executada, com destaque para os giros precisos de Taciana e para a dança e o cortejo de Daniel, ambos de perfil tradicional, mas incorporando com propriedade elementos relacionados a trechos do samba ao longo da apresentação, como nos gestos que remetem a Nanã durante o refrão do meio.

O casal apresentou figurinos coerentes com a proposta: o terno de Daniel trouxe referências mais ligadas à arte, enquanto Taciana vestiu um traje mais tradicional, em tons de roxo e lilás escuro, cores associadas a Nanã.
SAMBA E HARMONIA
Demonstrando canto forte e consistente, a comunidade caxiense leva seu hino para 2026 muito a sério e canta com alegria e verdade a obra que estará na Sapucaí. O samba se mostrou poético, carregando a escola e convidando à reflexão, sendo interpretado com maestria por Evandro Malandro, que demonstrou grande segurança na condução da obra, assim como os componentes da Tricolor de Caxias.
O domínio do samba ficou evidente e reforça a profundidade da identidade que a Grande Rio vem construindo nos últimos carnavais. Um dos destaques foi, mais uma vez, o trabalho de Evandro Malandro em conjunto com o carro de som, impecável dentro da proposta, inclusive nos momentos em que a condução deixou espaço apenas para a voz da comunidade se destacar nas paradinhas. Trechos que já viralizaram foram bem cantados e bem recebidos pelas arquibancadas, como os refrões e a subida “Freire, ensine um país analfabeto / Que não entendeu o manifesto da consciência social”, que marcaram claramente o ensaio.
EVOLUÇÃO
A Grande Rio passou leve e correta pela Passarela do Samba, demonstrando uma evolução tranquila, sem deixar de se movimentar e de se divertir, mesmo sustentando um forte grito social. As alas desfilaram sem atropelos, com boa comunicação com o público, especialmente aquelas que apresentaram coreografias ou elementos mais inusitados, como as plaquinhas com trechos do samba.

De ponta a ponta, a escola de Caxias mostrou bom manejo dos momentos de avanço e de pausa realizados ao longo do ensaio deste domingo.
OUTROS DESTAQUES

A bateria da Grande Rio veio pulsando com muita força sob o comando de mestre Fafá, que utilizou com propriedade as bossas e convenções apresentadas na Sapucaí diante da comunidade, reforçando o bom trabalho desenvolvido à frente do naipe. A rainha Virgínia Fonseca também esteve presente em seu primeiro ensaio técnico na Passarela do Samba.








