Por Gustavo Lima e Will Ferreira
A atual campeã do Carnaval, a Rosas de Ouro, realizou neste sábado seu segundo ensaio técnico. O grande destaque do treino foi, mais uma vez, o canto da escola. É nítida a evolução da comunidade no quesito Harmonia, sobretudo com a implantação do Projeto Sou Roseira, que consiste em ensaios específicos voltados aos componentes da escola.
* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

A comunidade vem abraçando plenamente tudo o que a diretoria propõe, e isso tem resultado em um alto nível de organização. Na pista, os componentes desfilaram soltos, corretos e confiantes. O clima remete bastante à Rosas de Ouro de 2025, ano em que a escola conquistou o título. O resultado oficial só será conhecido em cerca de duas semanas, mas o que se vê da atual campeã são mudanças significativas na pista e um ambiente claramente amistoso e positivo.
A Rosas de Ouro será a quinta escola a desfilar na sexta-feira de Carnaval, com o enredo “Escrito nas Estrelas”, desenvolvido pelo carnavalesco Fábio Ricardo.
COMISSÃO DE FRENTE
Coreografada por Arthur Rozas, a comissão de frente da Rosas de Ouro cumpriu com precisão os requisitos estabelecidos pelo manual do julgador e se destacou pela excelente sincronia entre os bailarinos. Vestidos de alienígenas verdes, os integrantes executaram os movimentos de forma extremamente igualitária, com clara leitura coletiva, priorizando passos bem encaixados no ritmo do samba.
A pista foi bem preenchida durante toda a apresentação, e a vestimenta prateada contribuiu para um belo efeito visual na passarela. Assim como no primeiro ensaio, a escola levou para a pista seu elemento alegórico, que ainda não permite uma leitura completa de seu significado, já que deverá receber decoração futuramente. No entanto, o elemento possui movimentos e foi bastante explorado pelos integrantes.
Fato é que a comissão de frente da Rosas de Ouro parece “esconder o jogo” e promete surpresas para o dia do desfile. Tudo indica que a ala fará uma representação ligada ao espaço, com forte referência à astrologia e aos planetas do sistema solar.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Em seu terceiro ano juntos, Uilian Cesário e Isabel Casagrande ensaiaram com figurino inteiramente rosa e apresentaram uma performance segura e elegante. O casal realizou os movimentos obrigatórios em frente às cabines, com um bailado leve e bem executado.
Os giros, tanto no sentido horário quanto no anti-horário, foram realizados de maneira mais cadenciada, possivelmente como estratégia para reduzir o desgaste físico. No Carnaval de São Paulo, os casais de mestre-sala e porta-bandeira praticamente não param de evoluir e, com o novo sistema de cabines, a adaptação tornou-se necessária devido ao pouco espaço entre uma cabine e outra.
Ao que tudo indica, a estratégia de Uilian e Isabel é priorizar a técnica e investir fortemente nos movimentos obrigatórios exigidos pelo manual do julgador, algo que vem sendo adotado por diversos casais neste novo formato.

“Fizemos ajustes simples. No primeiro ensaio, o chão estava muito molhado por conta da chuva e da garoa, o que gera insegurança. Neste ensaio foi mais tranquilo. Conseguimos sentir melhor a cadência e a evolução da escola. Ajustamos detalhes de mão, cabeça e acabamento, mas mantivemos grande parte da coreografia. O trabalho está bem limpo”, disse Uilian.
“Hoje foi bem melhor, sem chuva. Fizemos apenas alguns ajustes. Este foi o último ensaio técnico da escola, mas seguimos ensaiando na quadra e nos nossos fechados. Hoje foi show”, completou Isabel.
HARMONIA
A Rosas de Ouro já apresenta um canto forte há alguns carnavais, mas, com a inserção do Projeto Sou Roseira, o quesito Harmonia ganhou ainda mais consistência. Assim como no ano passado, a comunidade parece ter ignorado críticas negativas em relação ao samba-enredo e respondeu com um canto extremamente potente.
Trata-se de um samba que, em termos de melodia, remete bastante ao ano do título: andamento para frente, samba curto, refrões marcantes, rimas simples e letra de fácil assimilação. Todas as alas, do início ao fim do desfile, mantiveram a intensidade do canto desde a linha amarela até o fechamento do portão.
Vale ressaltar que o quesito Harmonia é avaliado até o final da apresentação, com uma das cabines posicionada próxima à saída dos componentes da avenida. É fundamental que, nesse ponto, o jurado consiga ouvir claramente o canto em sincronia com o carro de som e a bateria.

“Existe um projeto no Rosas de Ouro que está dando muito certo, que é o Projeto Sou Roseira. Ele tem apenas dois anos, mas, se a escola investir, pode crescer muito. Dependendo do resultado, a Rosas de Ouro pode se tornar ainda maior por meio desse projeto. O que vi hoje foi algo que deu certo e que pode prosperar daqui para frente”, comentou o intérprete Carlos Júnior.
A escola se apresentou de forma compacta e extremamente organizada. Os tradicionais bastões com LED vermelho foram bem utilizados, especialmente durante a chegada da bateria ao recuo e no momento da parada para a entrada no box, evitando qualquer tipo de buraco ou divisão na escola.
Destaca-se o trabalho constante da equipe de Harmonia, que se comunicou o tempo todo com os componentes, incentivando o canto e auxiliando na organização, principalmente no momento da parada — considerado um dos mais tensos do desfile. O resultado foi uma atuação coletiva muito eficiente.
Entre as alas, viu-se uma comunidade alegre, solta e confiante, lembrando bastante a Rosas de Ouro do ano passado. Cantando forte, sorridentes e felizes, os componentes demonstraram evolução tanto coletiva quanto individual, pontos bastante positivos neste ensaio.
SAMBA-ENREDO
Como citado anteriormente, o samba-enredo dialoga diretamente com a obra apresentada no ano passado, que deu resultado. A escola aposta novamente nessa fórmula, e a comunidade parece, mais uma vez, comprar a ideia.
O intérprete Carlos Júnior teve atuação de alto nível, condizente com sua qualidade, contando com o suporte da ala musical para garantir a sustentação necessária. Os cacos animaram a comunidade durante todo o ensaio. Trata-se de um samba desafiador, direto e sem pausas, que exige participação constante do intérprete — algo que Carlos Júnior conseguiu executar com êxito.
“Conseguimos corrigir bastante coisa em relação ao primeiro ensaio. Estávamos com muita emoção e pouca técnica, o que é normal no primeiro contato, por conta da euforia. Além disso, a comunidade enfrentou cerca de uma hora e meia de chuva, o que prejudicou um pouco o nosso setor. Precisávamos empolgar o público, e a técnica acabou ficando em segundo plano. O planejamento, então, foi trabalhar a técnica, e acredito que atingimos o objetivo. Hoje consegui observar melhor a escola: as alas passaram cantando e dançando, e acredito que a Harmonia preparou bem a escola”, avaliou Carlos Júnior.
OUTROS DESTAQUES
A “Bateria com Identidade”, comandada por mestre Rafa, realizou diversas bossas e apresentou um ritmo consistente durante o ensaio. Destaque para o arranjo que começa no refrão principal e termina no início da primeira parte do samba, no trecho “A explosão do universo”.
Um dos diretores de bateria também avaliou o desempenho no ensaio:

“O ensaio de hoje foi melhor que o primeiro. A escola está feliz e pronta para o bicampeonato. A gente depende só de nós mesmos. Se passarmos certinho, com a escola cantando, em harmonia e evolução, vamos brigar forte. A expectativa é enorme. Nossa bateria é um trabalho de anos, sempre em evolução. Este ano, as bossas serão um pouco menos ousadas, mais melódicas e pensadas para o samba. A escola abraçou a ideia, e vai ser um desfile incrível”, afirmou.










