O CARNAVALESCO conversou com a equipe criativa das escolas da Série Prata e Bronze, diretamente da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC), no Centro do Rio, sobre os preparativos para os desfiles de 2026.

Alex Santiago
Foto: Gabriel Radicetti / CARNAVALESCO

Alex Santiago, que divide o cargo de carnavalesco da Novo Império com Elvis Luiz e Jorge Caribé, se debruçou, em detalhes, sobre o enredo “No canto sagrado dos pajés e curandeiros, a cura que brota da floresta”, defendido neste ano pela agremiação na Série Bronze.

“Em 2026, a Novo Império trabalha a cura por meio da força ancestral da floresta. A gente vai fazer uma exaltação de todo esse saber passado de geração em geração, utilizando as folhas e demais elementos empregados para que essa cura seja corporal, mental e espiritual. Além das flores e folhas, essa cura da qual falamos vem das matas, da espiritualidade, dos banhos, das bênçãos, da fala, do sorriso e da alegria”, explicou Alex.

O profissional recordou o processo de escolha do tema, que surgiu por sugestão de Ney Lopes.

“Ney Lopes trouxe essa proposta para mim a partir de uma foto e de uma música antiga. Aí eu falei: ‘Olha, dá para pensar em um novo enredo e um novo samba em cima desse projeto inicial’. A gente foi discutindo e começou a tecer uma linha, em que se entende que esse saber ancestral tem um viés indígena e outro africano. Ele atravessa o oceano e vem se unificar aos saberes dos povos indígenas brasileiros, juntamente com os saberes dos portugueses e da própria Igreja Católica, formando um grande sincretismo em prol da cura”, contou Alex.

O carnavalesco ainda detalhou o projeto do desfile.

“A escola vem colorida, com fantasias diversificadas, grandes e volumosas. Vamos levar dois tripés, um carro alegórico e 19 alas. No primeiro setor, eu venho trabalhando essa questão da travessia africana do oceano. Os ancestrais africanos trazem saberes que vêm parar no Brasil. O segundo setor traz a questão dos pretos-velhos Catende, que, no sincretismo, vinculam-se a São Benedito, santo católico que utilizava as raízes e as folhas das matas para curar as pessoas. No último setor, a gente vem trazendo a cura que ultrapassa apenas as folhas. Nos debruçamos sobre a alegria do Carnaval e dos Doutores da Alegria. Uma cura além dos remédios, que passa pelo espírito, pelo sorriso e pelo samba”, disse ele.

O desenvolvimento conceitual e estético do cortejo encontra limitações operacionais na Intendente Magalhães, como relatou Alex Santiago, mas, apesar disso, a Novo Império aposta cada vez mais em sua equipe para levar ao público da região um espetáculo do mais alto nível.

“O grande desafio é a gente conseguir o contingente. Acabamos competindo, às vezes, com escolas da Sapucaí. Seiscentos componentes é um quantitativo gigantesco. Também tem a questão da logística de chegar à Intendente. As ruas laterais são estreitas, então não se pode pensar em carro alto, carro grande. Isso limita a questão da escultura. A escola, no entanto, passa por um crescimento. A gente era do Grupo de Avaliação no ano passado; este ano, a gente está na Série Bronze e vem se fortalecendo cada vez mais. Foi feita uma reestruturação da equipe, comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira. Os nossos três carnavalescos têm, cada um, o seu potencial. Construímos um carnaval competitivo, grande e esperançoso”, finalizou Alex.