O CARNAVALESCO conversou com a equipe criativa das escolas da Série Prata e Bronze, diretamente da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC), no Centro do Rio, sobre os preparativos para os desfiles de 2026.

Pablo Azevedo e Renato Vieitas, carnavalescos do Acadêmicos do Dendê, da Série Prata, falaram sobre o enredo da escola e também sobre a alegria e os desafios de trabalhar na Intendente Magalhães.
“O nosso enredo para 2026 é ‘No Carnaval de Sete Mares, Vai Dar Zebra’, uma homenagem ao Clube da Portuguesa, que tem uma mascote bem faceira, a zebra. Dado o histórico do clube de promover grandes carnavais, acompanhamos, no desfile, a jornada de sua mascote, uma apaixonada pelo carnaval, partindo dos mascarados de Veneza até chegar à Ilha do Governador, sede da Portuguesa e do Acadêmicos do Dendê. No caminho, a zebra pega uma gôndola e passa por diversas ilhas do Oceano Atlântico, conhecendo o carnaval de cada uma delas. Uma vez na Ilha do Governador, narra a gloriosa história do clube e termina com uma grande festa carnavalesca para brindar, nessa galhardia, como outrora, o gran finale”, explicou Pablo.
Renato contou que a ideia do enredo partiu da diretoria da escola e foi, então, abraçada pela dupla criativa, que adicionou seu tempero pessoal à construção do desfile.

“A ideia do enredo surgiu logo quando recebemos a confirmação de que seríamos os carnavalescos do Acadêmicos do Dendê. A homenagem foi uma proposta do presidente. Tivemos, então, a grande sacada de mobilizar a mascote da Portuguesa como fio condutor. Acredito que conseguimos explorar a história carnavalesca e futebolística do clube de uma forma bem lúdica, colorida e alegre”, disse.
Sob esse viés, Pablo pontuou que a união do carnaval e do futebol, as duas grandes paixões do carioca e do insulano, levará identificação e muita emoção à Intendente.
“Estamos com uma abertura de grande impacto, um final também de grande impacto e algumas surpresinhas no meio do desfile. Acredito muito que essa zebra ficará bastante feliz ao final do desfile”, declarou.
Para Renato, por sua vez, o grande diferencial do cortejo serão as cores, sobretudo no início do desfile.
Renato e Pablo comentaram ainda sobre a experiência profissional na Intendente Magalhães, via que serve de palco para os desfiles do Grupo de Avaliação, da Série Bronze e da Série Prata (quinta, quarta e terceira divisões do carnaval carioca, respectivamente).
“Fazer carnaval na Intendente é bem difícil, não somente pelo orçamento, mas também pela estrutura. Não há um barracão igual para todas as escolas, em nível de Cidade do Samba. Não se podem construir alegorias grandiosas; os carros são apertados, arrochados”, analisou Renato.
Pablo também descreveu as limitações impostas às últimas divisões do maior espetáculo da Terra.
“Fazer carnaval ali é reciclar, é reaproveitar. A gente não pode abusar muito das dimensões, nem para o lado, nem para cima — embora gostaríamos muito. É um misto de desafio e prazer ao mesmo tempo. É um Carnaval de raiz, do povão mesmo. A Intendente não tem a visibilidade da Sapucaí, mas é um carnaval que traz um pouco daquela nostalgia do passado, assim como o nosso enredo”, destacou.
Ambos reconheceram, no entanto, a potência de atuar nesses segmentos.

“Não há camarotes grandiosos que abafam o som das escolas e afastam o público da avenida. É também uma grande escada para chegar ao topo. É uma escola de fazer escola de samba”, pontuou Pablo.
“Ver aquelas pessoas na arquibancada, quase tocando nos componentes, saindo de suas casas para ver e prestigiar a gente, é muito gratificante. Passar pelo trecho final, depois daquela curva, é a melhor coisa que tem”, compartilhou Renato.
Por fim, Pablo propôs ao poder público uma reflexão acerca das condições de atuação das escolas e dos profissionais da Intendente Magalhães.
“O poder público pode olhar com mais carinho e atenção para as escolas de lá, principalmente no que diz respeito às estruturas para a construção do carnaval. Quem sabe a Intendente não ganhe, no futuro, uma Cidade do Samba própria?”, questionou o condutor criativo da agremiação do Morro do Dendê.









