Vivendo a expectativa de alcançar seu espaço no Grupo Especial, a Em Cima da Hora vai contar na Sapucaí, este ano, o enredo “Salve Todas as Marias: Laroyê, Pombagiras”, em homenagem às pombagiras, entidades da umbanda e do candomblé. A escola realizou, na última quarta-feira, o seu primeiro e único ensaio de rua “em casa” nesta temporada. Diferentemente das últimas semanas, quando vinha utilizando as ruas do Centro do Rio para se preparar, a agremiação voltou às origens e ocupou a rua Laurindo Filho, em Cavalcanti, endereço de sua quadra. E, como manda a velha máxima do futebol, jogar em casa fez diferença. O ensaio apresentou pontos positivos logo no primeiro olhar: a bateria “Sintonia de Cavalcanti”, comandada pelo mestre Léo Capoeira, manteve o alto nível já conhecido; o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira exibiu sintonia e segurança; a comissão de frente mostrou energia e entrega; e, principalmente, o canto dos componentes apareceu com mais força e entrega.
* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente voltou a chamar atenção pela intensidade e pela interpretação. Os componentes executaram a coreografia com energia do início ao fim, demonstrando entrega emocional e entendimento do enredo. Um dos destaques ficou por conta da componente que representa a entidade incorporada, cuja interpretação deu ainda mais força simbólica à apresentação, dialogando diretamente com o universo espiritual proposto pelo enredo. O conjunto funcionou bem, sustentado pela expressividade corporal e pela conexão com o samba.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O primeiro casal, Marlon Flôres e Winnie Lopes, mostrou sintonia e maturidade no bailado. O mestre-sala se apresentou com calça preta e paletó preto adornado com pedraria dourada, transmitindo elegância e imponência. Já a porta-bandeira surgiu com um vestido amarelo-ouro, também com pedraria dourada na parte superior, chamando atenção pela beleza e pelo brilho.
No desempenho, a segurança e a intensidade dos movimentos do mestre-sala se destacaram, sempre atento ao pavilhão e à sua parceira. A porta-bandeira, por sua vez, exibiu um bailado leve e bem desenhado, com giros firmes e boa leitura musical, reforçando a sintonia do casal.

HARMONIA E SAMBA
Se nos ensaios realizados no Centro do Rio o canto ainda não havia atingido todo o seu potencial, em Cavalcanti o cenário foi diferente. Atuando “em casa”, a Em Cima da Hora cantou mais e melhor. A empolgação foi evidente, especialmente nos momentos em que o carro de som silenciou e o samba foi cantado inteiro apenas pela comunidade.
A comparação com o futebol se encaixa perfeitamente: quando o time joga em casa, impulsionado pela força e pelo canto da torcida, o rendimento costuma crescer. Foi exatamente isso que se viu no ensaio desta quarta-feira. A comunidade abraçou o momento, e a harmonia ganhou um peso extra, mostrando que o samba já está assimilado e tem fácil comunicação.
O samba-enredo confirma suas qualidades: possui beleza melódica, letra bem construída e é de fácil canto, o que ficou ainda mais evidente neste ensaio. A resposta dos componentes mostrou que a obra está assimilada e tem potencial para crescer ainda mais na avenida, especialmente com a força da comunidade cantando junto.

No carro de som, Igor Pitta teve atuação de destaque. O intérprete segurou muito bem a ausência de Carlos Júnior, conduzindo o samba com segurança, energia e boa leitura da bateria. Sua comunicação com os componentes foi clara e eficiente, contribuindo diretamente para o bom rendimento da harmonia ao longo do ensaio.
Fazendo um balanço da temporada, Igor destacou a evolução do samba e projetou um grande desfile: “O samba só cresceu. A gente vê não só nos componentes, mas fora da escola, as pessoas ouvindo bastante o samba, cantando bastante o samba, comentando bastante nas redes sociais. Aqui dentro da comunidade cresceu mais ainda, porque a galera foi comprando a ideia. Quando a comunidade canta, o cantor só segue o fluxo. Sem falsa modéstia, eu tenho certeza de que será o maior desfile da história da Em Cima da Hora”.
EVOLUÇÃO
No quesito evolução, a escola não apresentou problemas. As alas se deslocaram com naturalidade, sem correria ou buracos, mantendo um fluxo constante ao longo do ensaio. Em alguns momentos, espectadores entraram na pista para registrar imagens da escola, algo comum em ensaios de rua, especialmente na comunidade.
Essas interferências, no entanto, foram rapidamente resolvidas por membros da própria agremiação, que orientaram o público, sem que isso atrapalhasse o desempenho da escola ou comprometesse a evolução.

OUTROS DESTAQUES
A bateria, do mestre Léo Capoeira, também foi um dos grandes destaques da noite. Mantendo a cadência do início ao fim, apresentou bossas bem encaixadas e precisas, com atenção especial para o trabalho dos atabaques, que deram identidade e força à musicalidade do ensaio e à representatividade do enredo.

Ao analisar a temporada, o mestre demonstrou confiança no trabalho desenvolvido: “Estamos já a duas semanas do carnaval. Temos mais um ensaio e, graças a Deus, está tudo bem encaminhado, um saldo bem positivo de tudo o que a gente está pretendendo apresentar na Marquês de Sapucaí. Hoje o ensaio é na comunidade, o que é muito importante para a comunidade entender, conhecer e abraçar o nosso trabalho. Semana que vem é o último e depois é partir para a Vera, que é a Marquês de Sapucaí”.
O ensaio em Cavalcanti deixou claro que, mesmo com pouco tempo ensaiando em sua comunidade nesta temporada, a Em Cima da Hora soube aproveitar o momento. O canto mais forte, a energia dos componentes e a solidez dos quesitos reforçam a sensação de que a escola chega à reta final de preparação em curva ascendente, confiante para o grande dia na Marquês de Sapucaí.










