A União da Ilha do Governador vive um Carnaval carregado de emoção em 2026. À frente da bateria, Gracyanne Barbosa atravessa a temporada de forma diferente, longe da plenitude física que sempre marcou sua passagem pela Sapucaí, mas ainda mais próxima da essência que move a escola. Após uma lesão que exigiu cirurgia e um longo processo de recuperação, a rainha segue firme, sustentada pelo carinho da comunidade, da bateria e da direção da escola.

A própria Gracyanne reconhece que este não é um ano comum, mas faz questão de destacar o quanto ele tem sido especial.
“É um ano muito diferente. Ao mesmo tempo que eu fico preocupada, sentida por não entregar tudo o que a União da Ilha merece, o que a bateria merece, eu também acho que está sendo um ano extremamente emocionante. Quando eu sofri a lesão e fiz a cirurgia, nós conversamos, e eles falaram: vamos esperar.”
Mesmo com os médicos apontando a dificuldade de um retorno em condições ideais, a decisão da escola foi unânime. O pedido partiu da comunidade e da própria bateria, que fizeram questão da presença da rainha à frente do seu ritmo.
“Conversei com o mestre, com o presidente, com o carnavalesco, e todos falaram a mesma coisa: você vem de cadeira de rodas, de muleta, do jeito que você puder, desde que venha à frente da bateria. Foi a comunidade que pediu para que eu voltasse. A bateria queria muito e quer que eu esteja ali.”
UMA PRESENÇA QUE VAI ALÉM DA DANÇA
Mesmo com restrições médicas, Gracyanne não esconde a emoção ao falar sobre o que viveu nos ensaios e sobre o que espera do desfile oficial.
“Eu me senti extremamente honrada, feliz, grata. Tenho certeza de que esse desfile vai ficar na minha memória para sempre. Pisar na Sapucaí e ser recebida com esse carinho é algo realmente indescritível.”
As limitações físicas exigiram adaptações. Nada de salto alto e samba no limite do possível, mas sem abrir mão da essência.
“Os médicos falaram que era tênis, nada de salto. Eu nem podia sambar, mas, gente, como é que escuta a bateria e não samba? É impossível. Eu vou sambar miudinho, com cuidado, mas vou entregar toda a minha vontade, toda a minha alegria e todo o meu amor.”
Para ela, o enredo da União da Ilha dialoga diretamente com o momento pessoal que atravessa.
“O enredo é maravilhoso, o samba é muito bom, a Ilha é a escola da alegria. Esse Carnaval tem tudo para ser belíssimo, digno de voltar ao Grupo Especial. Eu estou orando, torcendo e dando o meu melhor para estar à altura dessa escola tão maravilhosa.”
UMA FASE DE RESSIGNIFICAÇÃO
O carinho recebido neste Carnaval também tem um peso simbólico. Para Gracyanne, o momento representa uma verdadeira renovação de energia e de sentido.
“Eu acho que estou na melhor fase da minha vida. Passei por vários processos e precisei ressignificar a minha história. Tudo mudou, desde a separação até o BBB, que foi um autoconhecimento muito grande.”
A lesão, segundo ela, foi mais um marco de transformação.
“Isso tudo me fez botar a cabeça no lugar e valorizar cada momento. Antes eu me preocupava muito em trabalhar e conquistar, mas hoje eu entendo que o que realmente importa são os momentos com quem a gente ama. É isso que eu estou vivendo agora.”
FANTASIA ADAPTADA, ESSÊNCIA PRESERVADA
As mudanças também chegaram à fantasia, pensada para garantir segurança sem perder o impacto visual.
“A gente teve que dar uma enxugada no costeiro e na cabeça, para não ficar pesado e eu não correr o risco de cair. É uma fantasia mais minimalista, mas vai ser linda.”
Para Gracyanne, o mais importante permanece intacto.
“O que interessa mesmo é a bateria. A função da rainha é trazer o holofote para ela, e é isso que eu quero fazer.”
Em um Carnaval em que a União da Ilha canta a vida, o agora e a emoção de existir, Gracyanne Barbosa surge como símbolo vivo dessa mensagem. Mesmo com o corpo em recuperação, o coração segue inteiro, pulsando no ritmo da bateria e da comunidade que a abraçou como nunca.









