Em entrevista, na noite do segundo dia do ensaio técnico, o diretor da União de Maricá e do Salgueiro, Wilsinho Alves, falou sobre sua rotina intensa à frente de duas grandes escolas do carnaval carioca. Ao comentar sua vida pessoal ou, como ele mesmo define, a falta dela, Wilsinho enfatizou a importância de estar presente em todos os processos das agremiações que comanda, destacou a necessidade de contar com uma equipe de excelência e apontou as diferenças entre as escolas da Série Ouro e do Grupo Especial, além de suas expectativas para a União de Maricá.
“Não, não tem vida pessoal, não tem mesmo, é uma loucura. A minha esposa já sabe qual é o ritmo, fico sem ver minha filha para caramba, já estou um tempão sem ver minha filha, só no WhatsApp, ligação, mas é isso. Saio de casa cedinho, 8 horas, 9 horas, e nessa época eu volto 4 horas da manhã, porque sempre tem comissão de frente do Salgueiro ou da Maricá de madrugada, ou as duas. E, além da dedicação aos ensaios, que são necessários, eu acho importante, para mim, estar à frente de duas grandes escolas em momentos diferentes, mas as duas buscam o título nos seus grupos”, afirmou Wilsinho.

Durante a conversa, o diretor também destacou sua parceria com o carnavalesco Leandro Vieira, ressaltando a importância de trabalhar ao lado de um profissional que contribua para a fluidez do processo criativo e técnico da escola. Segundo ele, apesar de já ter enfrentado dificuldades com outros carnavalescos ao longo da carreira, Leandro se destaca pela capacidade de criar soluções práticas e eficientes no dia a dia do barracão.
“A primeira coisa é que a gente é muito parceiro, muito amigo. É fácil trabalhar com o Leandro. Ele é um cara genial. O grande gênio hoje do carnaval é o Leandro, e a gente tem uma troca boa de ideias, a gente se respeita. Eu respeito muito o que o Leandro faz artisticamente, ele respeita também a parte técnica da escola, e ele tira soluções muito práticas de barracão. Já trabalhei com outros carnavalescos cujas soluções não são tão práticas, e o Leandro consegue criar processos muito assertivos durante o percurso”, afirma Wilsinho.
Wilsinho também comentou sobre as diferenças estruturais e financeiras entre as escolas da Série Ouro e do Grupo Especial. Apesar de reconhecer avanços, o diretor apontou a existência de um grande abismo entre as duas ligas e defendeu melhorias que garantam condições mais dignas de trabalho. Ele destacou ainda o apoio da Prefeitura de Maricá, que, segundo ele, proporciona uma estrutura adequada para o barracão da escola.
“Existe um grande abismo financeiro, um grande abismo de estrutura entre as duas ligas e os dois grupos. Acho que o pessoal da Liga RJ vem trabalhando para reduzir esse gap que existe entre as duas ligas. Mas ainda é chato ver escolas com barracões precários, trabalhadores em condições que não são ideais. Eu trabalho numa escola que todo mundo sabe que tem apoio da Prefeitura da cidade de Maricá, e a gente consegue ter um barracão adequado. Apesar de não ser grande, apesar de não ser alto, ele é adequado, com a parte de segurança do trabalho, com a parte dos bombeiros, enfim, todos os equipamentos, porque é um barracão que a gente construiu há dois anos. Mas eu acredito que, com a Cidade do Samba II, o ganho estético da Série Ouro vai ser notado nos próximos anos, assim como houve o ganho estético quando a gente foi para a Cidade do Samba, de 2005 para 2006.”
Para encerrar, o diretor afirmou estar positivamente ambicioso em relação ao título da Série Ouro e elogiou a preparação da União de Maricá, destacando a dedicação da escola desde o início da temporada e a qualidade apresentada em todos os quesitos.
“Eu espero um desfile organizado, espero que a gente cause um grande impacto. Eu acho que esse carnaval de Maricá é um carnaval de grande impacto. O enredo proporciona isso, o samba proporciona isso e a estética que o Leandro escolheu proporciona isso. A Maricá é uma escola que está ensaiando desde outubro. A disputa de samba começou cedo, começamos cedo os nossos ensaios, ensaiamos muito, ensaiamos muito na rua. Eu fiz, este ano, mais ensaios na Maricá, por exemplo, do que no Salgueiro, por vários motivos, como condições climáticas e tudo mais. Mas é uma escola que ensaiou muito e está muito preparada. Tomara que a gente consiga mostrar isso no ensaio técnico e no desfile para conquistar o campeonato”, declarou o diretor Wilsinho.









