Por Matheus Morais, Juliana Henrik, Júnior Azevedo e Luiz Gustavo
A Botafogo Samba Clube abriu a segunda noite de ensaios técnicos da Série Ouro na Sapucaí. A escola demonstrou muita animação ao passar pela avenida, com bom desempenho da bateria Ritmo Alvinegro e do casal Diego e Beatriz, realizando um ensaio seguro e consistente. Mesmo com um contingente não tão grande de componentes, os presentes soltaram bem a voz em diversos momentos do samba, principalmente nos refrões e nas subidas dos mesmos. A Botafogo levará para a Passarela do Samba o enredo “O Brasil que floresce em arte”, em homenagem ao paisagista e arquiteto Roberto Burle Marx, falecido em 1994, um dos nomes mais prestigiados da história do Brasil em sua área de atuação.
COMISSÃO DE FRENTE
Com a figura do paisagista como destaque, rodeado de diversos outros bailarinos em ternos com bordados relacionados a figuras de plantas, a comissão de frente comandada por João Pedro Santos teve boa apresentação nos dois primeiros módulos, com uma coreografia moderna e delicada. Os movimentos de pés e mãos, em alguns momentos iguais e em outros distintos entre os bailarinos, ainda assim se mostraram bem sincronizados e executados, contando de forma eficiente a história do homem que amava profundamente a biodiversidade. Destaque para a coreografia na segunda parte do samba, em que as plantas envolvem seu cuidador para demonstrar amor, utilizando tecidos verdes para envolvê-lo na cintura, criando um efeito interessante.

O figurino também ajudou bastante na compreensão da apresentação. A roupa do paisagista se destacou por remeter a algo mais antigo, porém de maneira lúdica dentro da proposta, assim como os figurinos dos outros bailarinos, vestidos com ternos e paletós grandes que davam muito movimento à dança, fazendo alusão às plantas espalhadas pelo figurino, inclusive no chapéu-cuco.
“O ensaio técnico é a base para o que vamos apresentar na avenida e é extremamente importante. Hoje, a Botafogo trouxe um pouco do que será mostrado no desfile oficial, mas não completamente. Quem assistiu, tanto de casa quanto aqui na avenida, pôde ter um gostinho do que vem por aí. Ainda estamos em fase de testes, e teste é para acertar. No caso da comissão de frente, acredito que a dosagem de energia e o andamento podem ser mais assertivos, sabendo onde segurar e onde avançar para chegarmos às cabines com tranquilidade e realizar um bom trabalho. Acho que as pessoas ainda não estão esperando a Botafogo que está vindo, porque ela virá completamente diferente, pronta para colorir a avenida e surpreender no desfile oficial”, garantiu o coreógrafo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Diego Moreira e Beatriz Paula teve uma performance correta e segura durante a apresentação nos dois primeiros módulos. Com uma dança tradicional, Beatriz demonstrou bastante segurança no bailado, nos giros e na manutenção do pavilhão sempre aberto, mostrando bom entrosamento com Diego e um cortejo bem executado dentro do espaço da cabine. O mestre-sala também foi muito bem durante a exibição, dançando com animação e apresentando vários movimentos com pequenos saltos e riscados bem executados.

Ambos se apresentaram com confiança diante das cabines do júri desde o início, com destaque para um movimento que acompanhava uma bossa com toques nordestinos da bateria durante a execução do refrão do meio, além de um grande momento na abertura do ensaio da Botafogo. O figurino do casal também acertou ao seguir uma linha tradicional, com o preto como cor principal.
“Saio daqui com um saldo positivo. A gente vem de uma semana intensa de ensaios e conseguiu corrigir algumas coisas antes de chegar aqui, horas antes, na verdade. A avaliação é positiva, um saldo bacana. A pista não está do jeito que a gente gostaria, mas avalio como um ensaio positivo, principalmente pelo som, que não atrapalhou como em outros anos. Antes, quando a gente se distanciava um pouco, o som ficava baixo para executar a coreografia. No geral, acredito que tivemos um desempenho bacana e espero que a nossa escola também tenha feito um bom ensaio junto com a gente”, disse o mestre-sala.

“Agora a gente vai avaliar todos os vídeos, ver o que pode melhorar, o que talvez possa ser ajustado. O ensaio serve justamente para ver se está tudo certo para o desfile. Vamos sentar com mais calma nesta semana, junto com o nosso coreógrafo Adhão, analisar os vídeos e entender onde pecamos e o que pode ser melhorado para ajudar a escola a buscar os 40 pontos”, completou a porta-bandeira.
SAMBA E HARMONIA
Nego teve desempenho consistente e firme durante o ensaio da Botafogo, com destaque para a ala musical da escola, que o auxiliou com precisão ao longo de todo o tempo, demonstrando entrosamento e coesão do time responsável pela parte musical da alvinegra. A maioria dos componentes veio cantando o samba com animação e defendeu bem o hino da agremiação, principalmente nas alas do meio da escola. Alguns poucos, porém, mostraram menor intensidade no canto, apesar de conhecerem bem a obra, com exceção dos refrões e de suas subidas, como “O traço que encanta e cativa / Viva a natureza viva!”, antes do refrão do meio, e “Botafogo Samba Clube / Vem cantar, é carnaval / O teu legado é patrimônio mundial”, que antecede o refrão principal, quando a comunidade enche os pulmões e leva o samba às alturas.

“Foi bom! A harmonia funcionou, a bateria funcionou… É isso que a gente quer: que tudo funcione dentro da escola, porque a escola de samba é um todo. Se não funcionar tudo, não adianta. Como a gente tecnicamente desfilou muito bem, e considerando de onde a gente vinha, é um bom início. Mas a gente vai vir muito melhor no desfile. Vamos surpreender muita gente”, afirmou o intérprete Nêgo.

EVOLUÇÃO
A evolução da agremiação, de forma geral, foi consistente, sem correria ou tempo excessivo parada na avenida. Os componentes vieram soltos, movimentando-se com fluidez nas alas e evoluindo com animação em muitos setores, com poucos componentes mais contidos no ensaio deste sábado. Destacaram-se os gestos que acompanhavam os versos “Botafogo Samba Clube / Vem cantar, é carnaval”, com movimentos dos braços para a frente realizados por todas as alas nesse trecho, lembrando gestos de incentivo comuns no futebol. Algumas alas vieram coreografadas, enquanto outras indicaram que utilizarão objetos de mão para a realização das coreografias.

“Fizemos o dever de casa e entregamos o que precisávamos aqui. Agora, vamos alinhar alguns pontos para acertar tudo para o desfile oficial. Acredito que a Botafogo está pronta: temos um Carnaval grandioso nas mãos, uma unidade de chão que nos permite sonhar alto. Viemos para fazer um grande desfile e brigar pelo título. O ensaio de hoje foi 100%, e a nossa comunidade correspondeu. Ainda temos mais dois ensaios de rua até o Carnaval para ajustar os últimos detalhes e chegar fortes na disputa”, analisou Luiz Carlos Amancio, diretor de carnaval.
OUTROS DESTAQUES

A bateria do mestre Marfim realizou um grande ensaio, sendo um dos principais destaques da escola, com bossas, ritmo e força proporcionados pela “Ritmo Alvinegro” aos componentes da Botafogo que desfilavam nas primeiras horas da noite, conduzindo bem o samba em parceria com a ala musical. Outro destaque foi a presença, à frente da Velha-Guarda, de um casal de mestre-sala e porta-bandeira pertencente à ala, valorizando os mais velhos da agremiação.

“O ensaio técnico é um teste fundamental para nós. É literalmente treinar no campo de jogo: é quando executamos todas as bossas, sem guardar segredo, e temos a oportunidade de experimentar tudo e entender como a escola se comporta nesse novo processo. Quando retornei à Botafogo Samba Clube, encontrei uma escola ainda muito crua, assim como o Mestre Marfim. Hoje, nos reencontramos mais experientes, eu, o mestre Marfim e a Botafogom e vamos nos ajustando para que, no dia do desfile, estejamos 100%”, disse o mestre.





