Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias, Lucas Sampaio e Will Ferreira
A Mocidade Alegre realizou, no último sábado, mais um grande ensaio nesta temporada de 2026. A impressão que se tem é de que a escola voltou ao seu auge após alguns percalços no Carnaval 2025, entre problemas nos ensaios e no desfile. É incrível o vigor das alas no canto, a garra na evolução, a resposta nos apagões realizados pela bateria “Ritmo Puro”, comandada pelo mestre Sombra, além do fácil entendimento da comissão de frente e da força do casal de mestre-sala e porta-bandeira, sobretudo de Natália Lago. É até difícil elencar um segmento ou quesito de destaque no ensaio. Foi tudo muito completo, e isso mostra que a Morada do Samba pode brigar pelo título no dia do desfile. Claro que tudo pode acontecer de forma diferente no dia oficial, mas os ensaios técnicos são os principais termômetros para tirar conclusões sobre as postulantes ao caneco.
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A escola fechou o ensaio no tempo de 1h01. Ainda em tom de brincadeira, a bateria voltou para a pista e retornou novamente à dispersão. Tal manobra já se tornou tradicional.
A Mocidade Alegre será a terceira escola a desfilar no sábado de carnaval, com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Caio Araújo.

COMISSÃO DE FRENTE
A ala, coreografada por Jhean Allex, aparentemente apresentou novos elementos neste ensaio. Havia bailarinos homens e mulheres. Os homens vestiam roupas vermelhas com brilho, enquanto as mulheres usavam roupas brancas com detalhes dourados. Assim como no ensaio passado, havia um tripé com bailarinos simbolizando diferentes papéis de Léa Garcia em sua carreira. A coreografia era realizada, em sua maior parte, no chão e consistia, inicialmente, na execução de movimentos obrigatórios, como estender os braços para saudar o público e apresentar a escola.

Ainda no chão, os bailarinos faziam movimentos teatrais, com danças cênicas, como se estivessem em um palco. Ao final, eles escalavam o tripé, como se tentassem alcançar o topo, onde estavam as personagens de Léa Garcia, a protagonista no pavilhão da Mocidade Alegre.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Se na última sexta-feira os casais sofreram com o forte vento, com o casal Diego Motta e Natália Lago não foi diferente. A cada giro realizado pela porta-bandeira, aumentava o risco de ocorrer algum problema com a bandeira e o mastro, mas Natália foi guerreira e não se intimidou. Lutou contra as forças da natureza e manteve o pavilhão intacto, conseguindo realizar o ensaio de maneira satisfatória.
A dupla novamente foi à pista vestindo a fantasia do Carnaval 2026 e, assim, a adaptação à nova indumentária tende a ser melhor. Os principais requisitos, como giros horários e anti-horários, coreografia e o ato de estender o pavilhão para a cabine de jurados e para o público, foram cumpridos corretamente. Diego e Natália optaram pela técnica. Talvez essa tenha sido a estratégia mais adequada diante das circunstâncias do vento e do sereno que se fizeram presentes até a metade do ensaio.

“No comparativo, o primeiro ensaio até foi produtivo, por mais que a gente estivesse ainda um pouco confuso nessa questão de cabine, que tinha a alteração da primeira; a última tinha sido alterada um dia antes, que chegou no mapa para nós, mas fizemos aquilo que estamos acostumados a fazer. Determinamos pontos de jurado e batemos a coreografia como se fosse a cabine naquele lugar. Hoje foi o dia em que conseguimos botar exatamente no ponto de visão dele, para entender o andamento, onde termina a coreografia. Mas a Mocidade tem muito dinamismo nessa questão de andamento devido à parte da bateria, coreografia, então isso facilita de certa forma para nós, porque estamos preparados para qualquer coisa. Eu e a Natália temos esse hábito de conseguir ir se virando dentro das possibilidades, então, para mim, hoje foi como se fosse valendo mesmo, e eu acho que estávamos muito bem”, comentou o mestre-sala.
“Ainda é um pouco estranho, mas, comparado ao primeiro ensaio, que para nós foi no susto realmente, hoje foi muito bom, superou as nossas expectativas. Falta pouco, vamos continuar trabalhando mais e mais, porque realmente ainda é diferente. As duas últimas cabines serem muito próximas é estranho, não tem jeito. É estranho, mas não só para nós; todo mundo está trabalhando muito em cima disso, está focado nisso, e, se Deus quiser, vai dar certo para todo mundo. Que dê tudo certo, que consigamos conquistar o nosso objetivo. Torcemos demais”, completou a porta-bandeira.
HARMONIA
Impressionante como cantou a comunidade da Mocidade Alegre. A impressão é de que os componentes se cobram cada vez mais por uma melhora na harmonia, mesmo após um ensaio anterior considerado mais do que satisfatório. O canto da comunidade, junto com a bateria e o carro de som, foi executado de forma correta. Claro que houve necessidade de ajustes devido à ausência do sistema de som do Anhembi, mas isso foi nitidamente corrigido neste treino.

Vale destacar um momento em que o som apresentou uma falha e, por poucos segundos, a comunidade precisou sustentar o canto a uma só voz. É justamente isso que deve acontecer, pois sempre existe o risco de o som falhar no dia do desfile. Outro ponto positivo foi a constância no canto. Se a comunidade mantiver esse padrão, provavelmente não será penalizada no último módulo, localizado no final da pista. Por fim, destacam-se as ótimas respostas nos apagões realizados pela bateria “Ritmo Puro”.
EVOLUÇÃO
Notou-se uma escola evoluindo de forma ainda mais leve, realizando movimentos de um lado para o outro com descontração e fluidez. Se há um ponto a ser destacado em relação ao primeiro ensaio técnico, é justamente esse: um andamento mais solto entre os componentes das fileiras, o que resultou em um treino alegre, assim como o anterior.
Vale ressaltar também o posicionamento da escola na pista. Aquela Mocidade Alegre compacta, que sempre deu aula de evolução, volta a ser vista, sem riscos de buracos ou divisão de alas. A entrada para o recuo de bateria foi tranquila e certamente agradou todas as lideranças da agremiação. Por fim, destaca-se novamente a presença de alas coreografadas com adereços de mão, que deram um belo contraste na pista. As cores diferentes, sem dúvidas, agradaram o público presente no Anhembi.
SAMBA-ENREDO

O intérprete Igor Sorriso costuma repetir durante o ensaio a frase “Que show, comunidade!”. Mas quem também sabe proporcionar um verdadeiro espetáculo é o próprio cantor. Igor, junto da ala musical, executou perfeitamente os apagões com a comunidade, e a arquibancada respondeu, com destaque para o refrão principal.
Ainda sobre o intérprete, ele busca constantemente a animação e a interação com o público para motivar os componentes da escola. A frase “Ô malunga ê” ecoa de forma arrepiante, extremamente abraçada pela comunidade e pelo mundo do samba.
OUTROS DESTAQUES
Se a harmonia foi um dos grandes destaques da escola no ensaio, isso passa diretamente pelos apagões realizados pela bateria “Ritmo Puro”, liderada pelo mestre Sombra. Foram vários momentos marcantes, com respostas fortes da comunidade e participação ativa da arquibancada.
“O ensaio foi legal, estamos na nossa média e sempre há algum ajuste a ser feito, nunca está tudo perfeito, mas ainda vamos trabalhar bastante, vamos continuar trabalhando. Sempre dá para melhorar, para fazer o melhor em uma competição acirrada. Sabemos que temos grandes concorrentes, várias escolas fazendo bons ensaios, então vamos à luta, porque o trabalho ainda não acabou”, disse o mestre Sombra.

“Vamos tentar fazer o melhor carnaval possível, tanto para quem é da comunidade quanto para quem é simpatizante da gente. Vamos passar o recado da Léa, que deixou a luta da mulher preta e do ator preto na televisão e no cinema brasileiro. A gente vai atrás do nosso objetivo, ela merece isso, e nós vamos trabalhar muito para que todo o resultado dê certo”, finalizou o músico.
A rainha Aline Oliveira segue como uma das protagonistas, chamando atenção por onde passa. Samba muito e interage bastante com o público, principalmente com quem acompanha de perto no Setor B (Monumental).
Destaca-se também a ala das passistas, bem coordenada, que, por onde passou, virou-se para as arquibancadas e arrancou aplausos do público, com muito samba no pé.









