Por Luiz Gustavo, Júnior Azevedo, Juliana Henrik e Matheus Morais
A União de Maricá foi a quarta escola a pisar na Marquês de Sapucaí no último sábado, em mais uma noite de ensaios técnicos da Série Ouro. A escola realizou um excelente ensaio, com diversos pontos fortes, sobretudo um samba que obteve ótimo rendimento e uma comissão de frente de alto nível, comandada por Patrick Carvalho. A empolgada e confiante comunidade de Maricá fez bonito, cantando com vontade, e mostrou que a escola vem para brigar pelo acesso ao Grupo Especial no próximo carnaval. A agremiação veio com um bom contingente e passou de forma organizada e confortável pela avenida. A escola desfilará no sábado de carnaval, sendo a sexta a entrar no sambódromo, trazendo o enredo “Berenguendéns e Balangandãs”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira.
COMISSÃO DE FRENTE
Patrick Carvalho apresentou uma bela comissão com 14 mulheres, todas negras, representando as mulheres que usavam os balangandãs, conjunto de enfeites e correntes douradas. Uma coreografia com a cara de Patrick, com muita dança, marcações precisas e dinamismo nos passos. Elementos de danças afro muito bem realizados, trocas de posição constantes entre as componentes e teatralização executada com categoria. Uma apresentação que manteve o vigor do início ao fim, sem morosidade. A base da coreografia será utilizada no desfile oficial, tornando o desempenho ainda mais destacado.

“Estamos trazendo a coreografia oficial mesmo, a energia do dia do desfile. Temos esse trato, junto com o presidente Matheus, de treinar tudo o que temos para fazer, para não ficar nada pelo caminho. Então, já viemos hoje fazendo a coreografia oficial. Está faltando um carro lindo, que vai ser um tripé de nível muito forte. O mais difícil tem sido conciliar toda a estrutura que eu tenho, com dinâmica de hidráulica, luz e coreografia. Isso é muito rico, muito grande. Tenha certeza de que está vindo uma comissão para competir com todas as que eu já coloquei nessa avenida. A execução nas três cabines foi muito forte, porque ensaiamos muito para chegar até aqui. Maricá me dá uma estrutura fortíssima para o melhor trabalho possível”, comentou o coreógrafo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Fabrício e Giovanna realizaram uma apresentação segura, aproveitando-se da experiência e do entrosamento do casal, já que dançam juntos há sete anos. A série foi marcada pela precisão nos passos e pela boa sincronia entre ambos. Foi uma apresentação mais livre, com poucos elementos coreográficos inspirados na letra do samba e sem tanta explosão, mas com boa técnica na dança, como na sequência de giros de Giovanna no início da segunda parte do samba, sendo acompanhada por Fabrício na sequência, com bons torneados.

Uma das coreografias, por conta do samba, acontece no trecho “eu peço aos meus orixás e entrego todo axé”. No refrão principal, mais uma sequência de giros de Giovanna e um bailado convencional de Fabrício. Faltou mais agilidade em alguns movimentos, mas a boa técnica esteve presente em toda a série.
“Foi muito positivo, principalmente porque já fizemos dois ensaios com a fantasia e trouxemos hoje um bailado para testar a dinâmica com ela. Já estamos usando esse parâmetro da fantasia, e foi muito interessante perceber que a leveza que a gente espera para o desfile conseguimos trazer para a avenida. Então, o balanço é superpositivo, faltando apenas ajustes de velocidade e de tempo. Acho que é só ajuste mesmo de tempo, principalmente por causa da roupa, que não é pequena; é uma fantasia de muita imponência. Então é ajustar o tempo, porque o restante está bem encaixado”, disse o mestre-sala.

“Para mim também foi muito positivo, até porque, quando você já colocou a fantasia no corpo e fez os ajustes, ao vir para a avenida você sente toda essa vibração, essa emoção. A vibração da Bahia, dessa comunidade de Maricá e de todos vocês que fazem parte desse grande show que é o Carnaval. Vocês podem esperar da Maricá uma escola diferente, uma escola de comunidade, uma escola que canta, uma escola que está unida”, completou a porta-bandeira.
EVOLUÇÃO
Precisa, Maricá avançou pela pista com muito volume, tranquilidade e pegada de desfile. Algumas alas coreografadas, como a primeira ala, deram mais corpo à escola, que preencheu muito bem toda a largura da Marquês de Sapucaí. Além das alas coreografadas, as alas livres vinham com marcações, como no refrão central, em que praticamente todas balançavam os braços.

Por conta dessas marcações, em alguns momentos se fez ausente uma evolução mais solta e espontânea por parte dos componentes; algumas alas conseguiram cumprir melhor esse papel. No que tange ao andamento, foi irretocável, sem correria, sem sobressaltos, com uma constância rítmica agradável, mesmo com a força do samba, que poderia acelerar a escola em alguns momentos. Foi uma evolução de escola madura, ciente do que precisa fazer na pista.

“Acho que a gente rendeu o que vem rendendo nos ensaios em Maricá. Foi forte, foi potente, teve evolução. A galera tem compreendido a importância desse processo da Maricá neste ano, e a comunidade comprou esse enredo, esse samba. Viemos para fazer a parte técnica, mas hoje também foi show: teve fogos, paradão, então também aproveitamos para brindar o público que veio até aqui. Deu tudo certo”, analisou Wilsinho Alves, diretor de carnaval.
HARMONIA E SAMBA
Maricá apresentou um patamar acima de canto em relação aos anos anteriores e realizou um ensaio com muita potência no quesito. O ótimo samba certamente impulsionou o desempenho, e os componentes corresponderam à altura, com um canto em uníssono, não só no refrão de cabeça, que foi uma explosão, como em outras partes também levadas com extrema energia pela comunidade, como o refrão central e o trecho “eu peço aos meus orixás e entrego todo axé, a nega pode e vai ter o que quiser”. O refrão “balangandãs, berenguendéns, canta Maricá o que a baiana tem” teve um rendimento espetacular durante todo o ensaio.

No meio do ensaio, rolou uma paradona da bateria por uma passada inteira, com vários trechos sendo cantados apenas pelos componentes. Em outra bossa, era jogado para os desfilantes o verso final “vá dormir com esse barulho”. Algumas alas coreografadas apresentaram um canto mais irregular, como a ala de abertura da Maricá, com alguns componentes bem calados. O desempenho do samba como um todo foi excelente; o carro de som, liderado por Zé Paulo, sustentou bem, e o intérprete apostou em uma interpretação aguerrida para manter o samba em uma pegada forte, tendo êxito. A obra mostrou suas credenciais como uma das melhores da Série Ouro em 2026.

“Estou muito feliz e acho muito bacana fazer parte do amadurecimento de uma escola, ver como ela está crescendo, como está evoluindo, como está se doando, com trabalho sério em uma escola de samba. A gente encerra esse desfile aqui muito ciente do que fez. Hoje fizemos mais um ensaio; a gente não desfilou, trabalhamos como ensaio, e acho que esse é o grande segredo. Toda vez que a gente faz as coisas de forma consciente, no final vai colher um bom fruto. Estou muito feliz em ver o amadurecimento dessa escola, o entendimento de desfile, do que tem que ser feito, do que a gente fez nos ensaios e do que foi repetido aqui. É claro que eu não tenho a visão do todo, mas o que vi passar foi o que a gente fez no ensaio. Faltam mais dois ensaios lá em Maricá, e a gente tem que manter esse foco, manter essa pegada, para que possamos chegar ao nosso objetivo, que é subir”, afirmou o intérprete Zé Paulo.
OUTROS DESTAQUES
A bateria do mestre Paulinho Steves teve ótimo rendimento e esquentou o ensaio da Maricá com várias bossas, principalmente a do refrão central, executada apenas com atabaques e timbaus.

“Achei que foi um ensaio técnico maravilhoso. A escola mostrou que está muito preparada, com a comunidade cantando muito forte e os segmentos muito bem ensaiados. Foi um momento importante para sentirmos o chão da avenida e vermos que o projeto que planejamos está sendo bem executado. Saio daqui muito feliz com o que a União de Maricá apresentou hoje. A gente sempre tem pequenos detalhes para ajustar, como o espaçamento entre as alas e o tempo exato de evolução em frente às cabines dos jurados. O ensaio serve justamente para isso: para errarmos aqui e chegarmos no dia oficial com tudo corrigido. Vamos reunir a direção agora, assistir às gravações e pontuar onde podemos ser ainda mais precisos para buscar a nota máxima. Espero um desfile histórico da União de Maricá. Estamos vindo com um projeto muito grandioso, muito pé no chão, mas com muita vontade de vencer. A comunidade abraçou o enredo, e a escola vai entrar na Sapucaí para mostrar que quer o seu lugar entre as grandes do Carnaval carioca. Podem esperar uma escola muito organizada e emocionante”, concluiu meste Paulinho Steves.

A rainha de bateria, Rayane Dumont, reina por mais um ano à frente da “Maricadência” e se destacou no ensaio técnico com seu samba e carisma.





