Por Juliana Barbosa, Maria Estela Costa, Luiz Gustavo e Júnior Azevedo

A Em Cima da Hora realizou seu ensaio técnico na Marquês de Sapucaí, demonstrando que conhece o chão que pisa e o peso de uma nova agremiação, que mudou totalmente seu rumo, e, agora, sonha com o acesso ao Grupo Especial. Com a azul e branca de Cavalcanti ocupando a pista, a escola priorizou a leitura do conjunto, o canto da comunidade e a fluidez do desfile, em uma apresentação que reforça processo, consciência de pista e respeito à própria trajetória.

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A Em Cima da Hora volta à Sapucaí apostando em um desfile que dialoga com o sagrado feminino, a ancestralidade e a resistência, mantendo viva uma tradição que atravessa décadas e se reinventa sem perder identidade.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, comandada por Márcio Moura, apresentada no ensaio técnico cumpriu bem sua função de abertura, com uma coreografia organizada e alinhada à proposta do enredo. A dança foi correta, sem excessos, priorizando a leitura clara do movimento e a comunicação com o público.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ

A apresentação deixa margem para expectativa. A exibição vista no ensaio técnico não abre espaço para que o quesito possa surpreender no desfile oficial.

“Foi um desempenho muito bom, importante porque foi um ano atípico de obras na avenida, em que fecharam setores, essa passada direta na pista a gente quase não fez. Hoje, a gente está estreando essa passada, e deu exatamente o tempo que a gente queria. O meu andamento deve ter 50% do desfile oficial. Gosto de utilizar o andamento quase oficial, pois é o que preciso fazer para ter a base. Estou muito feliz com a comissão; de 0 a 100, fomos 100 hoje. E, diferente do dia do desfile, aqui conseguimos conversar depois com o jurado para ver se deu tudo certo. Ficou muito bom”, analisou o coreógrafo.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal, Marlon e Winnie, apresentou boa qualidade técnica de dança. Um ponto de atenção foi o giro da porta-bandeira, que se mostrou mais lento em relação ao andamento do samba. Obviamente, o chão molhado é um dificultador. Apesar disso, a base técnica está presente, e o ajuste de tempo e conexão entre os dois pode elevar significativamente o rendimento do quesito.

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“Foi um bom ensaio. O ensaio técnico, para a gente, é super importante, porque testamos tudo o que vamos levar para a avenida: saber o que funciona, o que não funciona dentro do tempo do samba, saber o que cansa e o que não cansa. Assim, no geral, foi um ensaio bom. Há ajustes a serem feitos. Acho que até a semana do carnaval a gente vai ajustando algumas coisas, mas o grosso está encaixadinho. Eu acho que é botar a fantasia e, aí, reproduzir esses movimentos, porque deu para perceber que é um samba para frente. E tem que ser uma coreografia que acompanhe o samba, para a gente não ficar penalizado pela falta de potência, pelo ‘ah, está muito devagar’. Botar a fantasia e ver se cabe tudo isso que a gente está testando hoje. A gente está trabalhando bastante para que seja um bom trabalho. Este ano, a gente está com mais estrutura, está conseguindo montar, organizar, ter um pré-carnaval cansativo, mas bacana, estruturado, com preparação física e coreógrafa. A gente espera levar o melhor. Aquela esquina ali é uma incógnita. Todo mundo faz carnaval para ser campeão, e a gente acaba deixando de ser na avenida. Estamos tentando trazer para a avenida o melhor e entregar aqui, na Praça da Apoteose, o melhor”, disse a porta-bandeira.

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“É o momento de teste, para a gente ir testando o que vem ensaiando durante o ano todo. E, graças a Deus, a gente conseguiu executar o que vem fazendo durante os nossos treinos, fazer o tempo certinho; a nossa harmonia, a princípio, deu tudo certo. Vamos acertar os detalhes, é claro, para levar o nosso melhor e conseguir ajudar a Em Cima da Hora a, se Deus quiser, conquistar esse título. A gente sempre precisa melhorar. Hoje, depois de fazer uma análise do vídeo, vamos ver o que funcionou bem e o que não funcionou, para ver se há algum ajuste a fazer. Mas é claro que, até o desfile, muita coisa ainda vai mudar, muita coisa ainda vamos potencializar para chegar ao nosso melhor no desfile. Muita entrega, muita energia. A gente vem trabalhando muito para conseguir entregar o nosso melhor, sempre buscando encontrar a nossa excelência. A gente tem um samba maravilhoso, um enredo maravilhoso e uma comissão de frente que está entregando muita energia. A gente espera responder à altura”, completou o mestre-sala.

HARMONIA E SAMBA

A harmonia foi um dos pontos positivos do ensaio técnico. A escola cantou com animação, demonstrando envolvimento da comunidade com o samba e entendimento da proposta do enredo. O canto coletivo sustentou o desfile ao longo da pista, criando uma atmosfera favorável para a apresentação.

A resposta da massa ao carro de som manteve a energia constante, refletindo um trabalho que tem conseguido mobilizar seus componentes e transformar o samba em elemento de sustentação do conjunto.

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O intérprete Carlos Jr, enfim, fez sua estreia na Marquês de Sapucaí. Aliás, a Em Cima da Hora possui uma dupla perfeita de cantores. Igor Pitta é um craque no microfone. Muito bem servida, além de contar com um samba-enredo que é um dos melhores de 2026.

“Ficou complicado mostrar o que a gente está trabalhando nos ensaios, com algumas falhas no som. Já tínhamos trabalhado esse encaixe de voz, queríamos ter uma noção de como seria no ensaio técnico, porque é quando a gente coloca, derradeiramente, o trabalho do ano na avenida. Ficou claro que não conseguimos fazer isso em sua totalidade, ficou faltando algo. Espero que a comunidade não tenha esmorecido por conta dessas falhas”, comentou Igor Pitta.

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“Fizemos uma organização durante a semana junto com o nosso diretor musical para este ensaio e saímos com a sensação de que vamos sem muita referência para o desfile. Ficamos sem muita condição de dizer se foi bom ou ruim, já que o som apresentou essas inconsistências. É um sistema novo que está sendo implementado este ano e vai precisar de bastante trabalho para que se estabilize. Mas, dentro do possível, fizemos o nosso trabalho”, garantiu Carlos Jr.

EVOLUÇÃO

A evolução da Em Cima da Hora foi consistente e bem administrada. A escola desfilou com organização, mantendo o fluxo contínuo e o controle dos deslocamentos ao longo da Sapucaí. O tempo de ensaio, encerrado em aproximadamente 53 minutos, evidencia domínio de pista e consciência do ritmo necessário para uma apresentação equilibrada.

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As alas se movimentaram de forma ordenada, sem grandes interrupções, contribuindo para uma leitura limpa do desfile e reforçando a coesão do conjunto apresentado.

OUTROS DESTAQUES

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A bateria acompanhou o ensaio com segurança, mantendo o ritmo firme e sustentando o canto da escola ao longo de toda a pista, contribuindo diretamente para a fluidez da apresentação e para o clima de confiança demonstrado pela comunidade. A rainha Maryanne Hipólito esbanjou carisma e samba no pé.

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“É caminhada. Foi tudo certo. É porque a gente é perfeccionista e se cobra muito, a gente sempre quer mais, está sempre querendo mais, mas tudo aconteceu como foi planejado, como organizamos. Agora é preparar um pouquinho mais, organizar as coisas para o dia do desfile estar 100%, além do normal, e cair para dentro do problema. Muito obrigado, só tenho a agradecer. Só falta a gente desfilar. Vamos organizar uma coisa aqui e outra ali, coisa pouca, pouca mesmo. Acho que hoje já foi um aperitivo do que vamos fazer no dia do desfile. Tem umas coisinhas que vão ser só para o dia”, afirmou o mestre Léo Capoeira.

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Mais do que um ensaio técnico, a Em Cima da Hora apresentou na Sapucaí um retrato de maturidade carnavalesca. Sem buscar efeitos imediatos, a escola apostou na organização, no canto e no respeito à própria história.

Em um enredo que fala de força feminina, ancestralidade e resistência, a azul e branca mostrou que sabe que o impacto nem sempre está no excesso, mas na construção. Se o ensaio técnico revelou uma base sólida, o desfile promete ser o momento em que o mistério, tão presente na essência da escola e do enredo, finalmente se revela na avenida.