Por Luiz Gustavo, Juliane Barbosa, Maria Estela Costa e Júnior Azevedo

A Vigário Geral foi a quarta escola da noite da última sexta-feira a pisar na pista da Marquês de Sapucaí para os ensaios técnicos da Série Ouro. Após o surpreendente desfile de 2025, com o qual obteve uma boa sexta colocação, a tricolor da Zona Norte almeja voos maiores dentro do grupo, e o ensaio mostrou que a escola precisa lapidar alguns quesitos para alcançar esse objetivo.

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O canto dos componentes foi falho na maior parte das alas. A escola veio bem diminuta, com algumas alas mais espaçadas para o preenchimento da pista. Como destaques positivos, uma excelente apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Yuri Pires e Isabella Moura, além de um bom desempenho do samba, comandado por uma ótima ala musical, liderada pelo competente Danilo Cézar, em seu terceiro ano na Vigário.

A escola fechará a sexta-feira de carnaval com o enredo “Brasil Incógnito – O que os seus olhos não veem, a minha imaginação reinventa”, de autoria dos carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão, coreografada por Handerson Big, apresentou 14 componentes representando os portugueses quando avistaram as terras brasileiras. A apresentação foi jocosa e bastante teatralizada, apostando em expressões faciais como susto e encantamento, com o contingente dividido em dois grupos durante parte da coreografia.

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Na parte final da série, entrou a dança com o samba no trecho “Meu recado vira samba e carnaval”. Em um dos módulos, dois componentes tiveram leves desequilíbrios por conta do chão molhado. Nas demais cabines, a apresentação foi muito correta e bem sincronizada.

“O ensaio de hoje foi muito bom porque deu para sentir um pouco da energia do grupo e também alguns desenhos que precisam ser ajustados, sinto logo que dá aquele clima de carnaval. O que necessita melhorar é uma questão mais precisa e pontual em desenho ao posicionamento. E ao público, podem esperar uma comissão totalmente inusitada e talvez com bastante efeito tentando repetir o sucesso do ano passado até para ver se a gente consegue ser bicampeão do ESTRELA DO CARNAVAL, DO CARNAVALESCO”, comentou o coreógrafo Handerson Big.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Yuri Pires e Isabella Moura realizaram uma grande apresentação na noite de sexta-feira, com uma sincronia impressionante no bailado, coreografia empolgante e desempenho soberbo de Isabella.

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A porta-bandeira exibiu um bailado robusto, aguerrido e, ao mesmo tempo, esbelto, com precisão cravada nos movimentos, alternando giros em que quase quicava na pista, tamanha a força e agilidade dos rodopios, com um girar mais clássico e bailarino.

Yuri foi ótimo na condução e no cortejo, exibindo um bailado mais tradicional, com execução muito correta. O casal fez ótimo uso do espaço para a dança, como na segunda parte do samba. A extrema energia de ambos também marcou a apresentação, com excelente sintonia nos movimentos coreográficos.

“É, hoje viemos bem. Botamos em prática tudo aquilo que a gente vem ensaiando ao longo do tempo. Estamos ensaiando desde agosto, e hoje foi o teste, né, para ver como ia ser, se a gente ia mudar alguma coisa. E, graças a Deus, deu tudo certo. Tudo o que a gente vem ensaiando, vem idealizando junto com a nossa coreógrafa, Vânia Reis, a gente botou em prática, e deu certo. Agora vamos nessa pegada até chegar ao desfile. Vamos trazer o novo. A gente vem com a pegada tradicional, é claro que não pode deixar a dança do mestre-sala e porta-bandeira de lado, isso aí conta para o jurado, a dança tradicional, mas vamos inovar. Vamos trazer algo diferente, que eu acho que todos vão gostar”, disse o mestre-sala.

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“Para mim foi um desfile emocionante. É meu primeiro desfile com a escola, é meu primeiro desfile defendendo o primeiro pavilhão aqui na Sapucaí, e o primeiro a gente nunca esquece. Foi muito gostoso. A gente conseguiu curtir e, ao mesmo tempo, executar o trabalho com seriedade. Fizemos toda a entrega que construímos durante essa jornada de ensaios, e agora é ajustar pequenos detalhes para o desfile, os detalhes finais. Eu acho que é esperar a entrega máxima, como nós fizemos hoje, esperar uma trajetória de felicidade. Vocês vão ver, por meio da nossa coreografia, o quanto estamos felizes com o trabalho como um todo, com o trabalho da escola. É um ano também de superação para a gente, devido a tudo o que aconteceu com o nosso barracão. Acho que o nosso desfile vai transmitir toda a emoção do enredo e do ano que está sendo para a Vigário Geral”, completou a porta-bandeira.

EVOLUÇÃO

A Vigário Geral desfilou com um contingente pequeno de componentes, optando por uma evolução mais lenta para melhor uso do tempo disponível. Em alguns momentos, porém, a evolução foi bastante morosa, melhorando na segunda metade do ensaio.

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Algumas alas passaram bastante espaçadas para ampliar o preenchimento da pista, o que teve certo êxito, mas deixou a visão da escola “suja”, sempre com pequenos buracos. A parte final da agremiação passou de forma mais compactada.

“Tivemos um clima ruim o dia todo, chuva constante, acabou que parou de chover na hora que começamos o ensaio, graças a deus, e seguimos bem, A escola tentou ser o mais alegre possível, sem o público às vezes o pessoal dá uma desanimada, mas tentamos manter o entusiasmo lá em cima. Nossa evolução foi de acordo com o que a gente planejou. Bateria show de bola, carro de som, evolução, tudo certinho”, analisou o diretor de carnaval, Renato Cosme.

HARMONIA E SAMBA

A harmonia da tricolor deixou a desejar no canto dos componentes, com irregularidades visíveis em diversas alas. Muitos desfilantes cantaram apenas o refrão principal, e mesmo este apresentou alguns momentos de queda.

A ala de passistas foi uma das exceções e, mesmo dividindo o foco com o samba no pé, entoou com força o samba da agremiação. A escola até demonstrou animação em alguns momentos, mas faltou samba no gogó.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ

Já a harmonia musical do carro de som funcionou a todo vapor, com ótimo desempenho de Danilo Cézar e seus apoios. Danilo é um intérprete muito seguro, que conduz o samba sempre com correção e não apresenta quedas na voz durante a passagem da escola, facilitando o rendimento da obra.

O samba tem algumas passagens interessantes, e o refrão de cabeça se destacou. O refrão central apresenta uma variação melódica agradável e, apesar de não ter sido muito cantado pelos componentes, tecnicamente obteve um rendimento satisfatório.

“Eu estou feliz, foi emocionante ver a Vigário cantar e isso é o que mais importa. Nossa escola precisa melhorar mais ainda o canto, porque eu quero tirar essa assombração do 9,9. Precisa sair essa canção. A meta agora é que a escola consiga fazer tudo certo para terminar os carros após esse incêndio, mas estamos conseguindo e vamos vir muito bonita. Esperem pelo melhor carnaval da história de Vigário Geral”, prometeu o intérprete Danilo Cézar.

OUTROS DESTAQUES

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A bateria comandada por mestre Luygui se consolida, a cada ano, como uma das melhores e mais consistentes da Série Ouro. Mais um excelente desempenho. A rainha de bateria Patrícia Souza se destacou pela imponência e simpatia à frente dos ritmistas.

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Eu só tenho coisas boas a falar da minha bateria hoje. O que a gente fez já era o esperado, já era o programado por toda a temporada que a gente vem fazendo. É uma bateria que já toca junto há bastante tempo. Lógico que temos um detalhe ou outro para acertar para o dia do desfile, mas faço uma análise muito positiva. A bateria tocou muito, foi do jeito que eu esperava. Hoje foi mais um ensaio de vários que nós tivemos. Foi só mais um e, graças a Deus, a bateria teve um grande desempenho. Amanhã mesmo já vou me reunir com a diretoria para a gente trocar ideia e ver o que a gente pode melhorar para o dia do desfile. Espero uma escola muito forte, muito aguerrida, e tenho certeza de que vamos conquistar um excelente resultado”, comemorou o mestre Luygui.