O CARNAVALESCO conversou com a equipe criativa das escolas da Série Prata e Bronze, diretamente da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC), no Centro do Rio, sobre os preparativos para os desfiles de 2026. Rafael Ladeira, carnavalesco da Unidos de Cosmos, que desfila na Série Bronze, explicou o enredo “AHAMA – É preciso resgatar para resistir”, sobre o pedido de socorro dos povos originários brasileiros, além de adiantar detalhes plásticos.
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“A gente celebra, neste enredo, um pouco da história e da cultura das nações indígenas brasileiras. Começamos clamando pelo reconhecimento histórico desses povos nativos, mas não é só lamentação; o desfile traz todo um lirismo, uma poesia em torno dessa cultura”, disse Ladeira.
De fato, a proposta do enredo é conscientizar ao mesmo tempo em que encanta o público da Intendente com a riqueza indígena.
“A gente convida todos a viajar com a gente numa grande canoa, rio acima, voltando no tempo para redescobrir esse Brasil urucum, esse Brasil cocar, o Brasil do arco e flecha. Que guarda esperança no canto do uirapuru, que valoriza os mais velhos, que tem muito a ensinar ao mundo por meio das receitas e de todo o conhecimento dos pajés. Que valoriza a figura feminina, que entende a necessidade de ensinar a juventude a suportar as dores e as dificuldades da vida e que também celebra a vida e a felicidade por meio de cantos, danças e batuques. Um Brasil que foi enterrado, esquecido pela cultura ocidental e que hoje emerge novamente da terra no nosso Carnaval para dizer que o Brasil, sim, é uma terra indígena”, desenvolveu o criador.
Ele contou ainda que a ideia do enredo veio da pretensão da Unidos de Cosmos de se manter na linha de temas sociopolíticos que vem explorando nos últimos anos.
“A gente fez alguns enredos com temática afro e, no ano passado, reeditou o ‘Eu Quero’ (baseado no desfile histórico do Império Serrano de 1986, que clamava por democracia e o fim da ditadura militar), que é totalmente político. O enredo partiu de uma ideia pessoal, mas foi construído junto com toda a direção da escola, com todo o pessoal da escola, e ficou bem bacana. Atende à escola e faz jus à marca que ela vem imprimindo nos últimos carnavais”, refletiu.
Quanto a alegorias e fantasias, o carnavalesco garantiu uma profusão de cores, em comparação com a paleta do Carnaval passado, quando a escola investiu em um desfile mais tradicional, marcado pelo verde, branco, prata e ouro.
“A gente pode esperar um desfile supercolorido, com elegância e muito bom gosto, e uma escola muito bem vestida, como tem sido uma característica nossa nos últimos anos”, prometeu Ladeira.
Para finalizar, o experiente profissional descreveu os desafios e as delícias de trabalhar na Intendente, conhecida por abrigar o Carnaval do povo.
“A Intendente é uma mescla de tudo. É um coração pulsante. A gente tem todas as dificuldades de logística, de barracão, principalmente por conta de algumas limitações de altura. Tem toda a dificuldade financeira. A gente tem um orçamento muito pequeno. Tem que usar muita criatividade para tirar da cabeça o que o bolso não tem. Compensamos isso, contudo, com muita alegria, vibração e energia. É um Carnaval feito para a comunidade, pela comunidade. Que vibra, que se entusiasma, que constrói aquilo tudo ali. Que se emociona, que chora, que briga. É um caldeirão de emoções infinitas”, comentou.









