O CARNAVALESCO conversou com a equipe criativa das escolas da Série Prata e Bronze, diretamente da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC), no Centro do Rio, sobre os preparativos para os desfiles de 2026. Cuca Soares e Felipe Santos, carnavalescos do Boi da Ilha do Governador, contaram detalhes sobre o enredo de 2026, “Orun-Ayê”, além de descreverem os esforços empreendidos após o descenso da agremiação para a Série Bronze, no ano passado, e os desafios da Intendente.
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“O enredo, este ano, fala da criação do mundo na tradição nagô. A história é muito bonita. O Boi da Ilha vem a um reencontro do Carnaval de 2001 com o Carnaval de 2026, com uma singela homenagem ao nosso saudoso carnavalesco Guilherme Alexandre e a celebração da Boda de Prata do Samba Estandarte de Ouro, o único Estandarte de Ouro em samba-enredo do Boi da Ilha. A escola está se preparando para vir com um Carnaval muito bonito”, disse Cuca.
“Quem desfilou, quem acompanhou o desfile em 2001, não vai rever uma reedição com aquela cara de que isso já aconteceu. A gente tenta trazer essa nova roupagem, uma roupagem mais atual”, complementou Felipe.
Em 2025, com o enredo “Arrepia Boi da Ilha”, sobre o intérprete Quinho, a escola deixou a Série Prata em direção à Série Bronze. O descenso, no entanto, não abalou a agremiação, que, desde 2020, após dois anos suspensa, venceu dois Carnavais na Intendente.
“O presidente Marcelo, junto com o diretor de Carnaval, Dimas, está dando condições bacanas, um bom suporte para a gente fazer um Carnaval espetacular e voltar à Série Prata”, declarou Cuca.
Em termos concretos, o Boi da Ilha investe em três alegorias para 2026, além de fantasias bem acabadas.
“É um enredo que permite que a gente trabalhe muito bem as cores, a volumetria das fantasias. Quando a gente fez essa dupla, pensamos logo em fantasias coloridas e volumosas, abusando da criatividade para que as pessoas, conforme a escola vem vindo, consigam identificar o tapete cromático, as alas”, explicou Felipe.
Para isso, no entanto, será preciso driblar as dificuldades que a Intendente apresenta, sobretudo em questão de estrutura, repasse de verbas e reciclagem de materiais.
“Trabalhar na Intendente exige muito do pensamento crítico para a criatividade. É você olhar alguma coisa e falar: ‘Nossa, aquilo dali, eu tenho uma quantidade boa, tenho uma volumetria boa. Posso usar aquilo ali em alguma área, em alguma composição, em algum carro. Nada se perde quando a gente fala da Intendente Magalhães. Tudo a gente cria, recria e transforma’”, apontou Felipe.
Cuca concorda, mas ressalta: “A Intendente é um Carnaval raiz. É o Carnaval do povão, como dizem, porque o público está próximo e realmente vê a dificuldade que levamos para fazer um grande Carnaval. Ali é onde pulsa o público. Quando passa a escola, a energia do público já diz o resultado do seu trabalho. Você que curtiu o Carnaval de 2001, você que desfilou, venha reviver esse momento, porque é um momento grandioso, de muita esperança, de muita vontade de vencer. Queremos fazer novamente história. Assim como fizemos em 2001, faremos em 2026”, finalizou.









