Por Allan Duffes e Juliane Barbosa
A Imperatriz Leopoldinense realizou, no último domingo, mais um ensaio de rua, na caminhada rumo ao desfile no Carnaval 2026, onde tem motivos de sobra para pensar no topo da tabela. Dando a vida pelo canto da escola, Pitty de Menezes conduziu a comunidade para soltar a voz e fazer o samba-enredo ser ouvido de longe. Em mais uma exibição fantástica da dupla carro de som e bateria, a escola levou o público ao estado de êxtase no final do ensaio. O primeiro casal também merece grande destaque. Phelipe e Rafaela fizeram mais uma excelente apresentação, com a garra e a riqueza de detalhes que acostumaram o mundo do carnaval nos últimos anos. A Imperatriz será a segunda escola a desfilar no domingo de carnaval, dia 15 de fevereiro, com uma homenagem ao artista Ney Matogrosso. O enredo “Camaleônico” é assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira.
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A cada domingo, parece que não é só um ensaio que acontece em Ramos. A questão é que a Imperatriz conseguiu uma forma de transformar a Euclides Faria no caminho para o sonho da décima estrela. Ala por ala, o jeito apaixonado do componente cantar o samba revela a entrega de cada um, em um cortejo de quesitos da mais alta categoria. Quando a Imperatriz passa, carrega o favoritismo junto com a história pesada de uma bandeira pronta para vencer de novo. E, acompanhando de perto tudo isso, a calçada estava cheia de gente que, com os olhos encantados pela técnica e pela carga emocional do ensaio, se esbaldou desde a impecável apresentação da comissão de frente.
Na avaliação do diretor de carnaval, André Bonatte, a Imperatriz está evoluindo a cada ensaio: “Daquilo que a gente vem fazer aqui, cada vez mais eu sinto que a escola está pronta para ir para a Avenida. Eu tenho repetido que cada semana é melhor do que a anterior, e eu acho que esse é o nosso papel. E eu não tenho dúvida de que, até o dia do desfile, a gente vai melhorar ainda mais”.

COMISSÃO DE FRENTE
Liderada pelo agitado coreógrafo Patrick Carvalho, o grupo apresentou o número montado para a temporada de ensaios. Toda trabalhada no carão e nos trejeitos do homenageado, Ney Matogrosso, os componentes capricham na cena e entregam uma performance no melhor estilo do enredo. O grupo é formado por 13 homens e outro componente que faz a representação do artista. Este protagonista é revezado com outros dois, e cada um se apresenta em uma cabine, revelando uma possível troca de elenco no desfile, já que há um revezamento de “Neys” no ensaio.

Os 14 componentes entram em cena batendo palmas, no verso “se joga na festa, esquece o amanhã”. Uma espécie de convite para o público curtir a boa apresentação que se iniciará. Em seguida, aguardam o samba entrar no refrão principal, formando um cone de componentes, onde o representante de Ney Matogrosso fica destacado à frente do grupo. A partir disso, o jogo de corpo toma conta da pista, com muito movimento, e o agitar dos braços dá volume à dança. Há também uma pegada de sensualidade em diversos momentos, como no verso “devoro pra ser devorado, não vejo pecado ao sul do equador”.
Vale destaque também para o trecho em que o samba canta “o sangue latino que vira, vira-vira lobisomem”. Aqui, o grupo forma um círculo, onde todos ficam agachados para uma performance solo do componente principal.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O primeiro casal, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, entra no módulo logo após o refrão principal. Entram com giros da porta-bandeira, e o mestre-sala vai no cortejo, acompanhando sua parceira de frente para ela. Chegam ao módulo, e Rafaela já tem a coreografia para o verso “pássaro mulher” do samba. Ovacionados pelo público, o casal apresenta uma ótima dança, muito bem trabalhada coreograficamente por Ana Botafogo.
Eles dançam com vontade. Apesar de a coreografia pedir certa velocidade, Rafaela demonstra uma classe admirável. Seus giros caprichados a partir do trecho “eu sou um poema que afronta o sistema” são dignos de muitos elogios calorosos.

Phelipe é incansável. No ensaio, ele canta, samba, pula com os componentes entre as alas, agita o bandeirão e cumpre muito bem o seu papel de dançar, enquanto incentiva as pessoas ao redor. Enquanto dá show com sua dança irreverente e encantadora, ele chama Patrick Carvalho pelo nome, cita algumas pessoas que vê ao redor e não perde a chance de bradar “vai, mamãe!” para a presidente Cátia Drumond antes de desfraldar a bandeira pela última vez. Ela gostou, e os jurados também teriam gostado se estivessem presentes.
Uma apresentação nota 10.
SAMBA-ENREDO
“Canto com alma de mulher / Arte que sabe o que quer”… trecho feito pelos compositores para gerar uma das bossas mais interessantes do Carnaval 2026. A obra assinada por Gabriel Coelho, Alexandre Moreira, Guilherme Macedo, Chicão, Antonio Crescente, Bernardo Nobre, Hélio Porto, Aldir Senna, Orlando Ambrósio, Miguel Dibo, Marcelo Vianna e Wilson Mineiro é um “desbunde”. Leve, dançante quando tem que ser e empolgante quando precisa levantar todo mundo. O samba da Imperatriz passa tranquilo e muito bem pelo desfile inteiro.

“Foi maravilhoso o ensaio, estou muito feliz. Ensaio alegre, comunidade muito feliz, cantando demais. A escola está leve, preparada e pronta para conquistar o campeonato e a 10ª estrela. Digamos que tenha aquele 1% para lapidar nos ensaios técnicos, por ainda haver algumas coisinhas para ajustar, o que é normal. Mas estamos preparados para a guerra e para fazer bonito. O importante é a comunidade estar feliz”, festejou Pitty de Menezes após o ensaio.
Conduzido pelo carro de som, com o craque Pitty de Menezes no comando, e sob o toque da “Swing da Leopoldina”, com a regência do espetacular mestre Lolo, a obra não tem como desagradar. Um presente aos ouvidos, um charme para o público, uma certeza de que dará certo no desfile.

“Pitty e Lolo são o que a gente chama de ‘Bebeto e Romário’. Um toca muito bem para o outro, então é uma parceria que vem dando certo nos últimos anos. Esse samba é um samba que a gente abraçou desde o primeiro momento em que a gente entendeu o quanto ele trazia de possibilidades rítmicas. Ele traz toda a musicalidade do Ney. Eu vi que a bateria fez desenhos maravilhosos, e o Pitty é essa potência. Eu não tenho dúvidas do quanto esse samba vai crescer na Avenida”, disse o diretor de carnaval, André Bonatte.
HARMONIA
Segue a aula de canto para escolas que precisam se inspirar. A Imperatriz é impressionante. Os componentes cantam forte o tempo inteiro, ala a ala. Eles pulam, dançam e reafirmam aquilo que o carnaval já sabe: a Imperatriz Leopoldinense está feliz. E a comunidade sabe que faz parte de um projeto que caminha para brigar muito forte pela apoteose na quarta-feira de cinzas.

Ao longo do cortejo, tirando as baianas, não se identificaram componentes sem cantar forte o samba, tampouco queda no canto. Quando as alas passam pelo recuo da bateria e encontram a família Drumond, aí é que gritam ainda mais a letra do samba, e tudo fica melhor. Um show.
EVOLUÇÃO
A escola passa tranquila, pulsando, sem pressa e com um andamento muito bom. Também é preciso destacar a organização de uma escola em que as alas não se atropelam nem se embolam entre si. A entrada e a saída da bateria do recuo são feitas da forma mais calma e organizada possível. Os diretores de harmonia e de ala estão bem entrosados e sabem como trabalhar em prol do 10 em evolução. Buracos pelas alas? Nem pensar. Tudo ótimo em Ramos.
OUTROS DESTAQUES

Da expressão séria ao derretimento ao ver sua comunidade dando um show, a presidente Cátia Drumond se joga na festa durante o ensaio. Ela se posiciona do lado oposto ao recuo da bateria. Ali, dança, brinca com os componentes, canta o samba e vê sua Imperatriz demonstrar toda a força que ela ajudou a resgatar. O vice-presidente João Drumond fica ao lado, recebendo abraços de muitos componentes que passam. A comunidade adora o momento e aproveita para mostrar que sabe cantar o samba e desfilar muito bem.

“Em relação aos ensaios, a princípio temos feito um trabalho muito bacana, e tecnicamente a escola tem defendido seus quesitos da maneira que a gente espera. Lógico que é um trabalho progressivo, vai crescendo de degrau a degrau, semana a semana, e da mesma maneira é o samba. O samba, para mim, é a confirmação de uma decisão que foi feita lá atrás. É um samba de semana a semana, muito cantado e muito ouvido nas plataformas digitais. Então, eu acho que, de fato, a Imperatriz terá mais uma vez um dos grandes sambas do carnaval”, comentou João Drumond em entrevista ao CARNAVALESCO.

No final do ensaio, os componentes e o público estavam em êxtase pela performance de gala da Imperatriz. Todos se misturaram à bateria para o ato final de festejar a grande apresentação da noite. Aos gritos de “a campeã voltou”, a comunidade colocou para fora um sentimento de que tudo pode dar certo. Este foi o penúltimo ensaio de rua da temporada 2026.
“Já é saudade! Porque a gente, quando pensa que na semana que vem é o nosso último encontro nessa rua, já vai se despedindo. Então, é um clima de saudade. Mas é muito bom ver esse abraço da comunidade com a escola e o abraço da escola com a comunidade. Essa troca final é de uma energia que a gente leva para a Avenida com uma responsabilidade até maior. A gente sabe o tamanho da comunidade que a gente representa”, concluiu André Bonatte, diretor de carnaval.









