Por Maria Estela Costa e Carolina Freitas

O penúltimo ensaio de rua da Mocidade Independente de Padre Miguel, realizado no último, em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi marcado pela excelente performance no canto e também pela confiança dos componentes, expressa em diversos momentos, como na interação com o público. No Carnaval 2026, a escola levará à Sapucaí o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage, que celebra a vida e o legado da cantora brasileira Rita Lee. A homenageada, além de ter músicas atemporais, era reconhecida por sua personalidade autêntica e pelas causas que defendia, entre elas a liberdade de expressão, a comunidade LGBTQIAPN+ e os direitos das mulheres.

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“Fizemos um excelente ensaio, conseguimos executar tudo o que foi planejado. Foi um ensaio maravilhoso, a comunidade cantando muito, evoluindo muito. A comunidade veio em peso. A gente está muito, muito, muito feliz com o que realizamos hoje. […] Claro que sempre existem alguns ajustes, mas estamos no caminho certo e, a cada ensaio, crescemos mais. Uma energia maravilhosa aqui, e a comunidade Independente está muito feliz mesmo”, disse Sandro Menezes, diretor geral de harmonia.

COMISSÃO DE FRENTE

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Abrindo o ensaio, a comissão de frente, comandada pelo coreógrafo Marcelo Misailidis, chegou com capas pretas, semelhantes às de super-heróis, utilizadas para auxiliar nos movimentos da coreografia. Apesar da ausência de uma estrutura que simulasse o tripé do desfile, os dançarinos demonstraram conexão com a vida da homenageada e muita sincronia entre si. Todos os passos exigiam atenção, especialmente o momento em que se cobrem com a capa, já que qualquer erro de tempo poderia comprometer a progressão da dança. No entanto, isso não aconteceu: todos estavam bem ensaiados e atentos a cada detalhe.

HARMONIA

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A potência do canto foi o grande protagonista da noite. Todos os componentes cantaram de ponta a ponta, fazendo com que o samba em homenagem a Rita Lee vibrasse na Avenida Ministro Ary Franco. A sintonia nas alas, porém, não se restringiu ao canto: ela também se manifestou na alegria transmitida pelos desfilantes, que contagiaram o público, estimulando a participação e a interação. O trabalho conjunto da ala musical e da bateria foi um grande aliado para que o samba se expandisse e fosse um sucesso no ensaio.

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“O samba começou miudinho, com muita dúvida, mas furamos a bolha mais uma vez. É um dos sambas mais cantados, um samba popular, de fácil entendimento, com um linguajar ‘rita-lee-zado’, fazendo com que a nossa comunidade cante cada vez mais. Quando se fala em comunidade, é preciso olhar para Padre Miguel, para a Zona Oeste, porque aqui tem uma comunidade muito forte, unida e que quer vencer. Eu disse para essa comunidade: o que eu puder fazer, o que eu puder me doar de coração, corpo e alma, eu vou fazer. Então, canto muito forte, evolução em sintonia, canto alinhado com o carro de som. Só tenho a agradecer a Deus por me proporcionar, junto com meu irmão de direção, Sandro Menezes, eu na direção de carnaval junto com Marcelo Plácido, esse prazer de poder liderar uma comunidade apaixonada”, afirmou Wallace Capoeira, diretor de carnaval.

EVOLUÇÃO

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As alas estavam completas e bem posicionadas. Houve a preocupação comum com o alinhamento das fileiras, mas nada que comprometesse o empenho dos desfilantes em entregar um bom ensaio ao público de Bangu. A maior parte das alas apresentou algum tipo de adereço. A ala 3, por exemplo, utilizou pompons confeccionados em TNT nas cores branca e verde; já a ala 9 levou boias do tipo espaguete, geralmente usadas em piscinas, mas que, no contexto do ensaio, faziam referência ao adereço da fantasia final.

Também houve alas coreografadas. Na ala 2, os integrantes usaram saias longas brancas, no estilo das utilizadas na dança do carimbó. Os passos eram simples e exploravam bastante o movimento da barra da saia. Já na ala 20, os componentes utilizaram leques como adereço, com uma coreografia fácil de assimilar, mas que exigia atenção, sobretudo pelo uso do som do leque sincronizado com a bateria.

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SAMBA

O samba é de fácil assimilação, principalmente pelas referências claras às canções de Rita Lee. A forma como a agremiação conseguiu unir os estilos musicais da homenageada, MPB e rock, ao samba é um dos grandes destaques da obra. Ao ouvir a bateria e a voz dos intérpretes, é possível perceber a presença desses elementos, ainda que de forma sutil, evidenciando a preocupação em manter a essência da cantora.

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O mestre Dudu, que comanda a bateria “Não Existe Mais Quente”, comentou: “Sabemos que cada semana que passa é uma semana a menos. Agora é a reta final. […] Estou muito contente, muito feliz. A cada dia que passa, a bateria está mais centrada. Eu fiz uma junção de bossas pensando no jurado. Trabalho muito em cima da melodia do samba, para facilitar o entendimento do jurado. […] Trabalhei demais, porque quando falo de Rita Lee, falo de musicalidade. Estudei muito, passei a ouvir Rita Lee intensamente. Muitas músicas dela me deram nuances e ideias, como a quadradinha que colocamos no samba. Quem curte Rita Lee vai entender o que estou falando: tudo em cima da melodia, sempre buscando um fácil entendimento para o jurado e a reinvenção constante da Mocidade”.

OUTROS DESTAQUES

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Fotos: Carolina Freitas e Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo e Bruna, não participou do ensaio. Em seu lugar, o segundo casal, Diego Moreira e Isabella Moura, ocupou o espaço na simulação dos jurados, apresentando-se com vigor na defesa do pavilhão. A rainha de bateria também não marcou presença, mas as musas estiveram no ensaio, interagindo com a comunidade e demonstrando respeito e admiração. Entre elas, Gaby Mendes, Mayara do Nascimento e Mylla Ribeiro.

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Sobre as expectativas e os últimos ajustes, os diretores comentaram: “Estamos muito bem nos quesitos harmonia, evolução, casal e bateria. O barracão está a todo vapor! Temos certeza de que ajustaremos esses detalhes para chegar com tudo aos ensaios técnicos, nos dias 30 e 6. A Mocidade está pronta para ir à avenida ensaiar na Sapucaí, e tenho certeza de que vai ser maravilhoso”, disse Sandro Menezes.

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“Vai dar tudo certo. Amanhã é dia de reunião, a coordenação senta para avaliar, assistir aos vídeos e corrigir o que for necessário. Como sempre digo, nunca estou satisfeito, quero mais. Só vou estar satisfeito na Quarta-Feira de Cinzas, após a abertura dos envelopes. Até o dia do desfile, você vai ver a gente ajustando detalhes, sempre em busca do melhor desempenho para a Mocidade”, concluiu Wallace Capoeira.

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