Dom Orani João Tempesta, cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, esteve na Cidade do Samba como parte dos festejos da trezena de São Sebastião, período de preparação para o dia de comemoração do padroeiro do Rio de Janeiro. Em cerca de uma hora e meia, ele visitou o barracão da Beija-Flor, onde conheceu um pouco mais do enredo que a escola levará para a Sapucaí em 2026, e abençoou os pavilhões das doze escolas de samba do Grupo Especial. Ao CARNAVALESCO, o arcebispo metropolitano falou da integração entre fé e carnaval, afirmando que tudo o que é humano e cultural também interessa à fé e à Igreja, que se abre ao diálogo com todos, de todas as religiões, ideias e culturas, e que reza pelos trabalhadores do carnaval e pelos que se apresentam na Marquês de Sapucaí.
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“Estivemos aqui outras vezes, celebramos uma missa aqui, e o padroeiro dessa casa é São Sebastião, aqui entronizado logo na entrada da Cidade do Samba. Tudo o que é humano e que é da pessoa humana não nos é alheio. Nós sabemos que cremos em Jesus Cristo e o anunciamos, e queremos que nossa presença, junto a todas as culturas, ajude cada vez mais a trabalhar para o bem das pessoas, para o bem de quem já trabalha aqui com as escolas de samba, e que essa presença possa apresentar algo que leve as pessoas a viverem melhor, a sentir mais a beleza e a viver na paz e na fraternidade. Essa é a nossa presença e nosso diálogo com a cultura”.
O presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, destacou a importância de receber a peregrinação da imagem do padroeiro da cidade do Rio, que também protege a Cidade do Samba, tendo sua imagem na entrada. Horta relembrou ainda os festejos realizados antigamente no local, que eram maiores, com a imagem passando por lá também no dia 20.

“Essa vinda é muito importante e, com a minha escola, embora seja uma escola versátil, eu fiz questão de trazer os três casais para participar desse momento, que é muito importante para nós, manter mais um pouco de fé e paz, que é o que interessa para nós”.
Já a primeira porta-bandeira da Mangueira, Cintya Santos, também comentou sobre essa parada da trezena no lugar em que nasce o maior espetáculo da Terra, tendo o pavilhão em suas mãos também abençoado nesta tarde.

“Enxergo como inclusão, como respeito. Independentemente da religião, catolicismo, umbandista, candomblecista, nós devemos respeitar, e o samba não pode ter preconceito. É um momento de respeito a todas as religiões e que nós merecemos também”, afirmou Cintya.
Wallace Capoeira, diretor de carnaval da Mocidade, escola que tem São Sebastião como padroeiro, também acompanhou a visita com bastante atenção, estando presente junto a outros integrantes da escola, e pontuou como um momento de paz e tranquilidade em meio à preparação do próximo desfile.

“É um momento único e especial para nós que estamos aqui recebendo essa ilustre visita, em um momento de paz, trazendo tranquilidade e recebendo a bênção. É uma coisa rara e que acalma o nosso coração para essa jornada que está por vir”, destacou.
Gabriel David, presidente da Liesa, acompanhou a visita de Dom Orani à Cidade do Samba e ao barracão da Beija-Flor, reforçando o diálogo com a Igreja Católica no Rio de Janeiro e destacando o respeito que vem movendo esse diálogo, considerado por ele direto, verdadeiro e transparente, e que demonstra o sinal de respeito que a Igreja tem pela manifestação do carnaval. Para o presidente, a presença de Dom Orani é motivo de orgulho e felicidade para todos.

“É um momento de respeito, acima de tudo, e quando nós somos respeitosos, também atraímos respeito. Tenho certeza de que as escolas de samba são extremamente respeitosas. Tenho certeza de que todo mundo que tem o seu caráter e a sua origem vindos de uma quadra de escola de samba, principalmente, carrega muito consigo respeito, união, paz e amor, e é isso que esse momento simboliza. Esse cenário de protagonismo dos grandes artistas dessa cidade — que são os mestres-salas e as porta-bandeiras, os mestres de bateria, os passistas e as passistas, as baianas, os carnavalescos, esses artesãos incríveis que estão aqui na Cidade do Samba — é visto pela Igreja como pessoas importantes e fundamentais dentro da nossa sociedade”, declarou.










