Por Maria Estela Costa e Mariana Santos
Visando alcançar seu espaço no Grupo Especial, a Em Cima da Hora levará à Sapucaí, no Carnaval 2026, o enredo “Salve Todas as Marias: Laroyê, Pombagiras”, em homenagem às pombagiras, entidades da umbanda e do candomblé, que simbolizam a força e a resistência feminina. Na última quarta-feira, a agremiação realizou mais um ensaio de rua no bairro Cidade Nova, no Rio de Janeiro.
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COMISSÃO DE FRENTE
Comandada pelo coreógrafo Márcio Moura, a comissão de frente deu início ao ensaio com muita sincronia entre os dançarinos e o samba. Em alguns momentos da coreografia, as dançarinas se uniam em uma fila para mostrar resistência, interpretavam a incorporação da entidade e sua risada marcante. Além disso, ainda em sintonia com a canção, no momento em que é cantado “abre a roda!”, eles abrem uma roda enquanto giram. Isso demonstra a busca por referências nas danças típicas das religiões afro-brasileiras.
Eles não estavam fantasiados, apenas com a camisa que os identificava como dançarinos da comissão de frente e shorts pretos. Também não houve a presença de algo que simulasse a estrutura do desfile, mas, ainda assim, os dançarinos entregaram uma boa performance.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Flôres e Winnie Lopes, se apresentou com vestimentas confortáveis para o ensaio e com as cores da agremiação. Ela, com um vestido azul-escuro brilhante, como uma noite estrelada, e botas brancas; ele, com camisa social azul-escuro de tecido acetinado, calça branca e tênis azul-escuro, brilhante tal qual o vestido de sua parceira.

Na dança, o casal demonstrou harmonia e prática de ensaio, já que em momento algum Marlon tirou os olhos de Winnie e do pavilhão; ele “deslizava” ao redor dela, enquanto ela girava erguendo o pavilhão. Eles compreendiam, sem confusões, o momento de cada passo coreografado, e isso se destacou na apresentação.
HARMONIA
O carro de som e a bateria “Sintonia de Cavalcanti” foram os protagonistas da noite. A voz de Igor Pitta, junto ao atabaque da bateria, fez totalmente a diferença e, se não estivessem unidos, com certeza fariam falta. Apesar da boa relação da ala musical com a bateria do mestre Léo Capoeira, a comunidade não estava mostrando toda a sua potência no canto.
Os componentes até cantavam; alguns já sabiam a letra e outros estavam com a “colinha”, mas nem todos entregaram força na voz. Isso pode ser resultado da ausência de alguns desfilantes no ensaio ou de uma menor exigência da escola e dos diretores de harmonia, o que gera preocupação, tendo em vista que isso é algo crucial para os julgadores. Exceto por esses pontos que precisam ser revisados, o carro de som e a bateria conseguiram entregar um ótimo desempenho.

“Eu já esperava, já conheço o Léo, a gente já trabalhou junto em 2023, então o rendimento da bateria não chega a ser surpreendente porque eu já conhecia, mas é um rendimento de excelência. O samba-enredo tem me surpreendido, porque o samba está estourando bastante a bolha do carnaval. É muita gente que é do axé, mas não é do carnaval, que ouviu, se identificou com o samba e tem procurado a escola, isso é muito legal”, disse o intérprete Igor Pitta.
EVOLUÇÃO

As alas estavam bem posicionadas; havia a preocupação com a fileira, mas isso não impediu os desfilantes de estarem à vontade para o ensaio. As pessoas estavam bem alegres, sambando e interagindo com o público, o que deu um ar de leveza ao ensaio. Havia alas coreografadas e com adereços em referência ao que irão utilizar no desfile, como a ala número 5, em que cada integrante segurava um leque azul como adereço e fazia passos em dupla, e também a ala 12, que usou a criatividade e levou cabos de vassoura como alusão ao que vão portar na avenida.

Além disso, a escola também decidiu inovar e colocar dançarinas para dançar ao redor da rainha de bateria, Maryanne Hipólito. A coreografia tem ligação com o enredo, com a homenageada e com aqueles que buscam a entidade pombagira.
Acontece que isso implicou na evolução da bateria e das pessoas que estavam ao redor; era perceptível que os diretores de bateria estavam mais alarmados para que não houvesse interrupções. Esse fato chamou atenção e gerou curiosidade para saber como será no ensaio técnico e no desfile.

SAMBA
Trata-se de um samba fácil de gravar, principalmente os dois refrões e os momentos de ênfase em alguma palavra, como quando é cantado “Dona Sete Catacumbas é da Em Cima da Hora”, em que há um destaque no nome da agremiação. Como dito anteriormente, os intérpretes e a bateria demonstraram que seu trabalho é realizado com respeito e harmonia, sem ultrapassar ninguém e com o mesmo objetivo: entregar excelência no rendimento do samba.

OUTROS DESTAQUES
A rainha de bateria, Maryanne Hipólito, esteve presente e brilhou, não só por seu look todo trabalhado em pedrinhas brilhosas, mas também por seu samba no pé, harmonia com o público e o sorriso espontâneo no rosto. Sua coreografia contou com a participação de dançarinas que dançavam ao seu redor, como se ela fosse a pombagira, e as mulheres à sua volta, aquelas que a buscam até os dias atuais, em terreiros e giras de candomblé ou umbanda.

Ao CARNAVALESCO, mestre Leo Capoeira fez um balanço do ensaio: “Estamos com pouco tempo, mas estamos conseguindo botar os detalhes no lugar. E agora é aprimorar, aproveitar o próximo ensaio, aproveitar o ensaio técnico e depois os últimos ensaios que tivermos, botar tudo no lugarzinho. Já está dando tudo certo e vai dar mais certo ainda no dia do desfile. O ensaio técnico também é um teste, também é um ensaio, ainda é passível de erros. A gente só não pode errar no dia 14 de fevereiro. Lá, tem que ser tudo perfeito”, disse o mestre.
A presença do presidente da Liga-RJ, Hugo Júnior, foi elogiada e agradecida pela agremiação; segundo eles, o mesmo vem realizando um trabalho que traz mais visibilidade às escolas da Série Ouro.









