Por Eduardo Frois e Will Ferreira
Com uma comissão de frente empolgante e bem coreografada, aliada a um samba-enredo potente e a uma bateria que “brincou” na avenida, a Imperador conseguiu fazer um ensaio bem satisfatório. Neste Carnaval de 2026, a agremiação levará para a avenida o enredo “Benjiróó, Onipé Doum – Ibeji”, assinado pelo carnavalesco Rômulo Souza. A escola da Vila Carioca será a oitava a desfilar no sábado, dia 7 de fevereiro, pelo Grupo de Acesso 2 do Carnaval de São Paulo. O treino durou 48 minutos e foi o único ensaio técnico geral da Imperador na temporada, que, nesta reta final para o carnaval, ainda terá pela frente os seus ensaios de quadra e ensaios específicos de quesitos no Anhembi.
* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp
COMISSÃO DE FRENTE
Logo na comissão de frente, já foi possível compreender um pouco do enredo que trará para a avenida a ibejada, entidades espirituais infantis e brincalhonas no Candomblé e na Umbanda, que representam alegria, pureza e renovação. E o que não faltou durante a apresentação do quesito foi energia e empolgação.
Os integrantes estavam todos bem maquiados e divididos em grupos distintos, com suas respectivas fantasias. Seis componentes utilizavam saias verdes e fizeram uma coreografia leve e fluida, representando o movimento das águas. Outros seis bailarinos também vestiam saias, só que da cor amarela, retratando, ao longo da dança, toda a alegria e a pureza dos erês.Em determinado momento, os erês exibiam seus bichinhos de pelúcia e brincavam entre si. Mais sete pessoas da comissão de frente simbolizaram o voo de pássaros, trazendo em suas cabeças algumas penas nas cores azul-marinho e branco. Quem também estava de azul, porém em um tom mais próximo do turquesa, eram as duas crianças que davam mais intensidade ao bailado.

Elas saíram do tripé da comissão de frente, que tinha dois balanços na parte frontal, fazendo estripulias e acrobacias com irreverência, conquistando o público do setor B. Os diversos subgrupos da comissão interagiam entre si em momentos diferentes da extensa coreografia, que apresentou a escola com excelência.
Infelizmente, já no último setor do Anhembi, um integrante da comissão de frente, de saia verde, passou mal, provavelmente por conta do calor que fez na capital paulista, e precisou deixar a pista para receber atendimento na dispersão.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Nogueira e Dani Motta, fez um ensaio técnico seguro, com bastante sincronia e muita animação. Sorrindo a todo momento, os dois se mostraram alegres e atentos um com o outro ao conduzirem o pavilhão da escola da Vila Carioca.

A roupa de ambos era clara: ele mais para o branco, enquanto a saia dela puxava mais para o prata, causando, inclusive, um belo efeito nos giros de Dani, enquanto Matheus a cortejava. Em determinado momento do ensaio, já na metade da pista, o casal recebeu orientações dos apoios para melhor se situarem em relação ao posicionamento das cabines de jurados, que será diferente do carnaval passado.
HARMONIA

O intérprete Helber Medeiros e toda a ala musical da Imperador do Ipiranga tiveram excelente desempenho durante o ensaio técnico, impulsionando o samba, juntamente com a bateria de mestre Fuskão. Mas, como um todo, o canto da comunidade do Ipiranga poderia ter sido mais intenso, sobretudo no início.
O canto das primeiras alas da escola deixou um pouco a desejar em algumas partes da letra, aumentando o volume sonoro apenas nos refrões. Porém, após a passagem do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, os componentes dos setores seguintes entoaram com bastante vigor e alegria todo o samba.
EVOLUÇÃO
A evolução da agremiação das cores azul, branco, amarelo e verde ocorreu de forma coesa ao longo da passarela. Destaque para a uniformidade e a empolgação do canto da “ala da alegria”, que passou se divertindo pela pista do Anhembi. Quem literalmente veio brincando foi a ala das crianças, que ocupou com muita alegria o espaço destinado ao carro abre-alas.
Pode-se notar ainda uma certa preocupação da escola com o alinhamento nas fileiras de componentes das alas, o que acabava limitando um pouco a espontaneidade e o samba no pé. Porém, no geral, os integrantes da maioria das alas evoluíram de forma mais solta, especialmente no segundo setor.

SAMBA
O samba-enredo da Imperador teve um rendimento bastante positivo durante o seu ensaio técnico. O intérprete estreante Helber Medeiros soube conduzir com excelência o microfone principal da entidade. Sem dúvidas, um dos grandes responsáveis pela “festa no ilê do Ipiranga”.
A energia e a intensidade do canto da comunidade ficavam evidenciadas nos refrões, que, juntamente com as bossas da bateria, abrilhantaram o treino. A obra da escola do Ipiranga para 2026 tem como compositores Sukata, Léo do Cavaco, André Valêncio, Rodrigo Xará e Rafael Tubino.

OUTROS DESTAQUES
Outro grande responsável por abrilhantar a apresentação da Imperador nesta noite de domingo foi mestre Fuskão. Comandando a “Só Quem É” de forma precisa e ousada, o mestre de bateria mostrou que os ritmistas estão entrosados em, ao menos, três bossas executadas no Anhembi. As frigideiras no meio da bateria deram um molho especial ao andamento da escola.
Jessica Bueno, a rainha de bateria da Imperador do Ipiranga, veio com uma peruca rosa, vestindo uma fantasia repleta de doces colados nela como pedrarias, além de uma sandália amarela. Ela pôde mostrar todo o seu samba no pé, que a levou a ser eleita rainha do Carnaval paulistano no ano de 2019.

A princesa da “Só Quem É”, Ana Julia Rosa, também utilizou uma indumentária composta por vários docinhos de criança ao redor da coroa, símbolo da escola. Além disso, usou dois lacinhos de cabelo nas cores azul e rosa, que são as cores dos erês na Umbanda. Ao lado delas estava o rei da bateria, Robério Theodoro, que também veio com uma roupa bastante colorida, tendo o azul da escola como fundo. Ele já foi eleito duas vezes Rei Momo do Carnaval de São Paulo, em 2009 e 2023.
As baianas vieram cheias de elegância, vestindo saias brancas com um pano azul brilhoso no costado da roupa, além de diversos colares coloridos. A velha-guarda da Imperador manteve toda essa elegância, desfilando no espaço da segunda alegoria. Praticamente todos os componentes das alas da escola carregavam bexigas nas cores da agremiação.










