Por Gustavo Lima, Eduardo Frois, Gustavo Mattos e Will Ferreira
A Independente Tricolor foi a terceira escola a ensaiar no último domingo, no Sambódromo do Anhembi, visando ao seu desfile oficial. O treino da entidade da Vila Guilherme teve como destaque o casal de mestre-sala e porta-bandeira e a comissão de frente. A segurança da dupla Jeff Anthony e Thaís Paraguassu deve ser exaltada, além de uma coreografia de comissão de frente altamente complexa, com vários elementos em sua composição. Alguns pontos a serem observados são harmonia e evolução, pois, com o sucesso do samba-enredo, esperava-se um impacto maior da escola na pista. Contudo, a Independente Tricolor ainda tem uma obra-prima nas mãos e pode fazê-la render até o dia do desfile ou, quem sabe, no próximo ensaio técnico, no dia 25 de janeiro. A agremiação da Vila Guilherme será a última a desfilar pelo Grupo de Acesso I com o enredo “Ngoma, a primeira festa na manhã do mundo”.
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COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente, coreografada por Edgar Júnior, levou para o ensaio o “Surgimento do tambor”. A coreografia apresentada era complexa e dividida em alguns atos. Até o final do Setor B (Monumental), a ala ficou praticamente o tempo inteiro executando a encenação no elemento alegórico. Os bailarinos faziam movimentos de mãos e expressões fortes, que remetiam a rituais, até que, em determinado momento, surgia a escultura de um tambor.

Na altura do Setor C, os bailarinos desceram e realizaram atos cênicos no chão, com a permanência de dois personagens principais — interpreta-se que um deles seja a entidade Aluvaiá, pois é citado de maneira importante dentro do samba. Assim como em 2025, a Independente Tricolor aposta em uma coreografia complexa para o Anhembi.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Jeff Anthony e Thaís Paraguassu, que já possui um entrosamento de anos, teve um grande desempenho no ensaio, sobretudo a porta-bandeira, com seus giros intensos. Neste ensaio, a dupla priorizou a realização dos movimentos-padrão, mas também apresentou coreografia inserida no samba — bastante presente nos refrões de cabeça e no refrão do meio. Portanto, o treino da dupla ficou marcado pela segurança. Resta saber se essa será a estratégia usada no desfile ou se a coreografia dentro do samba aparecerá já no próximo ensaio.

“Hoje para a gente foi uma experiência nova, hoje os jurados não estão marcados, acaba atrapalhando a gente, nos deixando tenso, mas a gente tem uma boa equipe, conseguimos se apresentar para os quatro jurados corretos que vão para a avenida. Ficamos felizes e vamos seguir trabalho. Esse enredo maravilhoso que a gente se arrepia do início ao fim, pode esperar um grande espetáculo da Independente Tricolor”, garantiu a porta-bandeira.
“Foi um ensaio que a gente já esperava que fosse algo para reconhecer o nosso espaço, porque a gente está acostumado, em anos anteriores com os jurados fixos nos lugares que a gente já conhecia. Hoje foi meio que uma nova adrenalina diferente. A escola é aguerrida, traz temas fortes. A Independente estará encerrando o carnaval em uma grande festa, celebração de cultura, ancestralidade e emoção”, completou o mestre-sala.
HARMONIA

A Independente Tricolor apresentou um canto irregular neste ensaio. Nitidamente, algumas alas cantavam forte, sobretudo no primeiro setor, mas outros grupos não conseguiram manter a mesma performance. Trata-se de um samba com melodia para cima e bateria forte, mas os componentes não acompanharam o ritmo de voz do intérprete Chitão Martins. Isso é algo surpreendente, pois a comunidade da Vila Guilherme costuma gritar o samba e defendê-lo com garra, mas, desta vez, faltou intensidade. No momento do ensaio, fazia muito calor, o que talvez tenha provocado essa morosidade. O fato é que a escola ainda tem mais um ensaio técnico para realizar, o que pode apresentar um rendimento melhor.
“A Independente me recebeu muito bem, já estou indo para o meu terceiro ano, e essa escola é fantástica. Merece muito voltar para o Grupo Especial, trabalha bastante, estuda o regulamento e tenta fazer de tudo para que a gente possa dar um grande espetáculo. O samba a gente espera uma porrada. Espero que a gente levante a arquibancada e faça um grande trabalho. É um dos melhores do Acesso, confio muito nesse samba”, comentou Chitão Martins.
EVOLUÇÃO

Do ponto de vista do regulamento, para não abrir espaços, a escola conseguiu uma evolução satisfatória no ensaio, além de o preenchimento entre as fileiras das alas ter sido feito corretamente. Entretanto, notou-se que os componentes não estavam evoluindo de acordo com a melodia do samba — vale ressaltar que é um ritmo consideravelmente acelerado, o que dificulta o acompanhamento dos integrantes das escolas. Porém, a empolgação de ter um dos melhores sambas do ano não foi transmitida no quesito.

SAMBA
É inegável que a Independente Tricolor tem um dos melhores sambas do Carnaval, considerando inclusive os três grupos. Devido a isso, havia uma expectativa muito grande para o rendimento da obra na avenida. Contudo, o desempenho não foi tão animador quanto se esperava. Trata-se de uma obra cuja melodia cresce bastante, com letra rica, recheada de palavras de matriz africana e que traduz com fidelidade o enredo.

O intérprete Chitão Martins desfilou com sua característica habitual, tentando animar, empolgar e elevar a comunidade, além de interagir constantemente com o público nas arquibancadas. Destaca-se o refrão de cabeça como ponto alto da trilha sonora, entoado com força pela comunidade e facilmente acompanhado pelo público.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Ritmo Forte”, do estreante mestre Higor, realizou um ensaio com muitos arranjos, com destaque para o refrão do meio, no qual se canta “ôôô, esquenta o couro, senhor”. Na parte das vogais, a bateria executa um pequeno apagão, e a comunidade solta a voz. No entanto, houve algumas questões em que a bateria se complicou: em determinadas bossas, na hora da retomada, os instrumentos não conversaram entre si. Isso foi observado durante a passagem da batucada pelo Setor H.

“Nosso primeiro ensaio técnico foi bem satisfatório, a gente sabe que ainda tem alguns ensaios pela frente, mas psra um primeiro ensaio técnico foi muito satisfatório mesmo. A gente trabalha para chegar a excelência, tudo pode ser melhorado. A bateria da Independente trabalha para escola. A gente vem fazendo um trabalho para engrandecer o montante da escola”, disse mestre Higor.









