Por Lucas Sampaio e Will Ferreira
Os Acadêmicos do Tucuruvi realizaram no último sábado o primeiro ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, em preparação para o desfile no Carnaval 2026. A impactante comissão de frente foi o principal destaque de um ensaio também marcado pelo bom desempenho da ala musical da escola da Cantareira, que encerrou o treinamento após 56 minutos. O Zaca será a terceira escola a desfilar no dia 16 de fevereiro pelo Grupo de Acesso I, com o enredo “Anti-Herói Brasil”, assinado pelo carnavalesco Nícolas Gonçalves.
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O desfile da Tucuruvi promete proporcionar um conjunto audiovisual impactante e que gere reflexão, fazendo com que só seja possível ter clara noção de que o resultado será atingido de fato por meio do desfile. Mas o Zaca conseguiu mostrar na Avenida, em seu primeiro ensaio técnico, um conjunto de quesitos em constante evolução, e o pouco que foi possível ter de visual já deu a entender que a escola pode ser bem-sucedida em relação à sua intenção artística para o desfile oficial. É uma agremiação forte, com atributos dignos do Grupo Especial ao qual pertencia e com plenas condições de buscar o retorno a ele.

COMISSÃO DE FRENTE
Renan Banov está se caracterizando cada vez mais como um coreógrafo das expressões. Se em 2025 os indígenas de “Assojaba” impactavam pelos olhares, os Anti-Heróis, que vieram com uma pintura corporal texturizada dos pés aos cabelos, também cantaram o samba da escola como se fosse um grito de desabafo. Não havia uma distinção clara de função neste primeiro momento, o que pode ser uma forma de esconder o jogo por meio da caracterização padronizada. Ainda assim, em cada um dos dois atos era perceptível pelo menos uma figura de maior destaque. No primeiro, uma mulher demonstrava agonia e lamento, enquanto, no segundo, um homem gritava de dor enquanto tentava se erguer do chão. Houve até um momento em que dois dançarinos sambavam, mas suas expressões não eram alegres, como se o bailado dos pés tentasse esconder o sofrimento do rosto.

A proposta do enredo da Tucuruvi é narrar o martírio diário dos cidadãos comuns, que juntos formam essa gigantesca liga de anti-heróis brasileiros, e o que se viu na Avenida foi como a representação da alma daqueles que lutam uma guerra silenciosa em suas próprias mentes. Abertura impactante para um desfile que pretende fazer o público se identificar e se emocionar.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal do Tucuruvi conseguiu manter a irreverência e o gingado mesmo tomando um forte banho de chuva a partir da metade final do ensaio. Luan Caliel e Beatriz Teixeira mostraram desenvoltura nas obrigatoriedades e deram um toque especial à dança dentro da proposta da narrativa do enredo, como o mestre-sala, que, vestido como Zé Pelintra, fez uma evolução inspirada nas caracterizações da entidade da umbanda. É uma dupla que se conhece e mostrou estar se preparando bem para contribuir com o objetivo da escola.
HARMONIA
O sentimento de pesar após um resultado tão diferente do esperado em 2025 fez com que a comunidade da Cantareira pisasse no Anhembi com desejo de redenção. Os componentes demonstraram conhecimento da letra do samba e capacidade para conduzir o coral do desfile, em especial as alas do primeiro setor da escola. É possível que a escola consiga melhorar o vigor geral para impactar ainda mais o público no desfile oficial, sendo o próximo ensaio técnico uma oportunidade para fazer alguns ajustes.

EVOLUÇÃO
Uma mudança de grupo requer alguns ajustes, ainda mais diante das novidades que o regulamento apresenta para o Carnaval 2026. No começo do ensaio, foi possível observar uma leve inconstância na compactação entre o primeiro setor e a chegada na simbolização da segunda alegoria, ajustada conforme a escola foi entrando na Avenida. Uma vez consolidada, a fluidez foi constante até o fim do treinamento, e seu encerramento após 56 minutos mostrou que a escola tem plenas condições de fazer uma evolução segura no desfile oficial.

SAMBA
O intérprete Hudson Luiz foi um dos destaques do primeiro ensaio técnico do Tucuruvi. Segurança vocal e boa interação com a comunidade e a ala musical contribuíram para transmitir a mensagem do samba da escola ao longo do ensaio. O bom desempenho do quesito é um sinal positivo para as pretensões da comunidade da Cantareira para 2026.

OUTROS DESTAQUES
Com uma fantasia plumada exuberante, a rainha da “Bateria do Zaca”, Carla Prata, levantou o público com gingado e simpatia. Mestre Serginho mostrou por que é considerado um dos melhores da atualidade e apresentou uma ampla variedade de bossas e boa sintonia com a ala musical, sendo assim uma demonstração da força que os Anti-Heróis dos Acadêmicos do Tucuruvi pretendem levar para buscar o retorno ao Grupo Especial no Carnaval 2026.










