Por Lucas Santos e Maria Estela
Nem o feriadão prolongado de final de ano e a ameaça da chuva impediram a Grande Rio, mais uma vez, de levar para a Avenida Brigadeiro Lima e Silva mais uma coletânea de excelentes experiências musicais e carnavalescas. Com o entrosamento entre Evandro Malandro e Mestre Fafá, que a cada ano é mais notável, a Grande Rio firmou o samba com toques bem pertinentes de maracatu, que pincelavam a obra e estiveram na boca da comunidade de Caxias. Se, de fato, o contingente foi menor que em outros ensaios, quem esteve em Caxias neste domingo viu uma escola fiel à proposta de sambas dos últimos anos, que têm características próprias, bem afeitas a deixar a bateria tocar em um andamento agradável, com vozes bem sincronizadas e cordas extremamente bem definidas, em arranjos pensados e bem executados. Na abertura da escola, hoje sem a comissão de frente, Daniel Werneck e Taciana Couto mostraram a personalidade da sua dança, com passos originais e bem sincronizados. No mais, uma evolução correta, sem sustos e alegre.

O diretor de carnaval, Thiago Monteiro, falou sobre ter um contingente menor nesse primeiro ensaio do ano e se disse satisfeito com o que a escola apresentou neste treino.
“Eu acho normal, bem lógico. A gente está em um domingo, primeiro do ano, um feriado prolongado, e é claro que a gente não teria aqui um contingente como teria nas outras semanas, agravado pelo fato da chuva que ameaçava cair ou não. A gente tomou a decisão de manter o ensaio, uma decisão muito acertada da nossa parte, até porque faltam pouquíssimos dias. Acho que, para uma retomada, está dentro do previsto. A escola está correspondendo e mostra que vem se organizando cada vez mais. Eu sempre falo que a gente nunca está pronto ainda. E é um fato: se não, a gente não ia ensaiar, ia direto para a concentração. A gente está em um processo que passa por tirar a rabanada do Natal e colocar tudo aquilo que a gente descansou. Esse primeiro ensaio era para isso mesmo e, para mim, particularmente, estava tudo dentro do que eu esperava, nada diferente. A escola está correspondendo, e isso é muito bom”, entende o profissional.
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Com o enredo “A Nação do Mangue”, desenvolvido pelo carnavalesco Antônio Gonzaga, a Grande Rio será a terceira escola a desfilar na Sapucaí na última noite do Grupo Especial.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Não é novidade que o primeiro casal, Daniel Werneck e Taciana Couto, tem um estilo muito próprio e original de fazer sua dança. Com muita utilização de coreografias e passos bem sincronizados, a dupla mostra personalidade e inteligência ao focar em um estilo que lhe favorece e que deixa uma marca, ainda que seja muito injusto não reconhecer a qualidade dos dois nos passos mais clássicos de mestre-sala e porta-bandeira.

É muito bom ver a apresentação dos dois, desde a coreografia de deslocamento, com um passinho mais afro, passando pela entrada para a apresentação aos jurados com muita intensidade, depois os passos mais marcados e sincronizados, até os passos mais clássicos e a proximidade da dupla, a intensidade nos giros de Taciana e no riscado de Daniel, até a nota final, após o pavilhão bem esticado, o punho cerrado para o céu no trecho do samba “a revolução já começou” e as mãos dadas em seguida para finalizar a apresentação. Ótima exibição do casal nos módulos e muito respeito por quem assistia das calçadas, já que a dupla se deslocava, na maioria das vezes, também dançando.
HARMONIA E SAMBA
O intérprete Evandro Malandro, extremamente rigoroso com a qualidade musical daquilo que se canta, mais uma vez, com o apoio de mestre Fafá, faz um trabalho bastante detalhista em tudo o que o carro de som da Grande Rio vai levar para a Sapucaí. A chuvinha logo nos primeiros versos do samba 2026 fez com que os instrumentos de corda tivessem que procurar abrigo, mas, no gogó, o carro de som mostrou a excelência de sempre, segurando firme o início do ensaio.

Com as vozes de apoio bem ensaiadas, Evandro combinou algumas boas entradas do seu time de apoio e colocou vocalizações que funcionaram bem no samba, sempre com cuidado para que a obra se sobressaísse e sem atrapalhar a participação da comunidade, que cantava a plenos pulmões, principalmente no trecho da segunda parte do samba: “Freire, ensine um país analfabeto”.
“Projetar é a melhora, não, na verdade, a permanência de várias coisas que a gente já tinha feito. Testar o mínimo possível, porque a gente já está na reta final, testar o mínimo possível para deixar mais formalizado o tipo de desfile que a gente quer fazer. É só manter o nosso trabalho de condicionamento. O condicionamento físico, mental, psicológico, o discernimento nessa reta final é o mais importante de todos. O rendimento do samba está maravilhoso. Eu sou muito chato com o meu trabalho específico. Por causa disso, ainda não está exatamente pronto. O carro de som todo me conhece. Eu gosto e faço o trabalho minucioso de cada um da equipe cantar como se fosse o cantor oficial da escola. Cada corda sabe exatamente o samba. Cobro isso de todos. Assim, ainda temos esses acertos para estar tudo 100%”, comentou Evandro Malandro.
Dos componentes, o canto começou muito forte nas primeiras alas e se manteve bem durante o ensaio, ainda que o contingente neste domingo fosse um pouco menor. Outro trecho de destaque da obra foi o “Casa de gueto! Casa de gueto!”. Na reta final, mesmo subindo a ladeira da Avenida Brigadeiro Lima e Silva, a comunidade encerrou o treino ainda cantando bastante.

“O balanço (do primeiro ensaio do ano) é positivo. A gente está voltando hoje, nosso primeiro ensaio pós esse recesso de final de ano. A partir de agora a bateria ensaia três vezes por semana, chegando a quatro, às vezes. E a gente ainda tem mais duas paradinhas que a gente já estava ensaiando, mas não tinha colocado ainda na rua ainda. A gente está terminando o processo delas, mas a partir já do próximo ensaio de rua elas já vão estar disponíveis aí para todo mundo ver. Mas quando essas duas bossas a gente começar a colocar na rua, elas vão ficar lá 100%. A bateria já está em 60%, 70%, caminhando para 70%. Agora que a gente consegue ensaiar com o som da Sapucaí, né, dois ensaios com o som da Sapucaí vai ser de suma importância para a gente, não tem preocupação não. A gente está bem tranquilo e confiante na recuperação da nota máxima para esse carnaval de 2026”, explicou mestre Fafá.
EVOLUÇÃO

Mesmo com um contingente menor de componentes, a equipe da Grande Rio não quis dar chance ao azar e manteve um forte padrão de organização, não deixando que as alas se espalhassem, principalmente nos trechos mais largos da via de ensaio. Sem apresentar buracos ou grandes espaçamentos, a Grande Rio começou o desfile de forma bem cadenciada, dando tranquilidade para que o casal se apresentasse e simulando o tempo que a comissão de frente teria em sua parada para os jurados.
Sem correr em nenhum momento, a escola foi muito correta na evolução e trouxe alegria e espontaneidade, sem alas coreografadas, ao menos neste treino, e com muitos componentes brincando de forma leve. É claro que esse aspecto ainda pode melhorar e deve evoluir bastante com a escola mais completa.

OUTROS DESTAQUES

Sem a rainha de bateria Virgínia Fonseca, coube a David Brazil e à musa Thainá Oliveira vir à frente dos ritmistas comandados por mestre Fafá. David esbanjou irreverência e do humor antes e depois do ensaio. No esquenta, Evandro Malandro relembrou “Exu” e “O nosso destino é ser onça”. O presidente Milton Perácio, em seu discurso, relembrou a importância da Grande Rio para o município de Duque de Caxias e pediu garra para trazer o título, mais uma vez, para a cidade.










