A União de Maricá promoveu uma verdadeira ode à boemia carioca no último domingo, no Baródromo, Zona Norte do Rio de Janeiro. A escola, fundada em 2015, detentora de dois títulos na Intendente, convidou as tradicionalíssimas Império Serrano e União da Ilha do Governador para uma grande celebração ao samba no bar tijucano, que já se configura como tradicional reduto sambista da capital fluminense.

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Fotos: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

“O projeto ‘Maricá faz a festa’ surgiu da vontade de fazer um evento no Rio de Janeiro, porque a gente, apesar de já ter recebido várias outras coirmãs na nossa quadra, fica muito tempo fora, em Maricá. É importante mostrar nosso samba e nossa potência para a Cidade Maravilhosa. Maricá quer se consagrar no grupo e nada mais justo do que chamar, além de co-irmãs, dois outros pilares do carnaval carioca, como são Império Serrano e União da Ilha, e também Porto da Pedra, Estácio de Sá e muitas outras. Eu seria hipócrita de afirmar que não quero ganhar o carnaval, mas hoje aqui não tem competição, não tem disputa, não tem nada. A gente veio aqui para brincar”, disse o presidente da União de Maricá, Matheus Santos.

O experiente intérprete Zé Paulo Sierra, em seu primeiro ano à frente do carro de som maricaense, também destacou a importância de receber as históricas agremiações.

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Cantor Zé Paulo, da Maricá

“É uma responsabilidade muito grande, porque a gente está falando de duas escolas muito tradicionais no Carnaval do Rio de Janeiro. Maricá tem cerca de dez anos e aprende com tudo isso também, colocando-se em uma posição de amadurecimento, de aprendizado”, afirmou o artista.

Para o mestre de bateria Paulinho Steves, a solenidade foi inspiradora. “Para mim, é um prazer, uma honra fazer essa festa da União de Maricá e ter como convidados o Império Serrano e a União da Ilha, que têm uma energia surreal”, dividiu o condutor da “Maricadência”.

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Maricá prestou homenagens no evento

O agradecimento da União de Maricá refletiu-se na entrega, pelo diretor de carnaval da agremiação, Wilsinho Alves, de uma placa especial a cada uma das escolas presentes. O proprietário do Baródromo, Felipe Trotta, também foi agraciado com a distinção.

Antológica agremiação do Morro da Serrinha, o Império Serrano foi a primeira escola a se apresentar na noite, em uma performance que contou com a presença massiva da comunidade verde e branca.

“Se convidar para qualquer lugar para falar de samba, o Império faz questão de estar presente. O Império tem uma história, tem uma tradição. A gente tem uma parceria muito forte com a União de Maricá. Onde Maricá chama, a gente faz questão de ir”, declarou o diretor de harmonia do Império Serrano, Paulo Dimitri.

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Diretor de harmonia do Império Serrano, Paulo Dimitri

O intérprete imperiano Vitor Cunha também enalteceu o convite da coirmã, assim como o empenho do público.

“Gostaria de agradecer mais uma vez a toda a diretoria da Maricá por ter convidado a gente. Fizemos uma festa aqui no meio do povo hoje. Foi dia de jogo, um domingo, e a galera cantando junto com a gente. Para mim, é um prazer estar no meio do povo, no meio do samba, em um lugar como este, que está fazendo história. Tem gente do Rio de Janeiro inteiro aqui, que veio para cantar, tomar sua cerveja gelada, curtir com a família”, pontuou Vitor.

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Vitor Cunha, cantor do Império Serrano

Após uma passagem estrondosa da União de Maricá, que, com diversas paradinhas, mostrou a força do canto de sua comunidade, a União da Ilha do Governador disparou uma sequência de clássicos de sua discografia.

“É uma felicidade e uma honra estar participando desse encontro promovido pela União de Maricá, junto com o Império Serrano, no Baródromo. Fico muito agradecido de encerrar essa festa com a Baterilha”, contou o mestre de bateria insulano, Marcelo Santos.

Além de reforçar o agradecimento pelo convite maricaense, o intérprete da Ilha, Tem-Tem Jr., celebrou o desempenho de seus pares.

“Zé Paulo e Vitor Cunha são dois cantores fantásticos, que eu amo, e têm uma voz que carrega a comunidade. Somos três escolas superpotências do carnaval e merecedoras do título. Gostaria de agradecer ao convite da Maricá em nome do nosso presidente, Ney Filardi”, disse Tem-Tem.

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Intérprete Tem-Tem Jr.

A poucos meses do desfile oficial, a confraternização no Baródromo reafirma a irmandade entre as agremiações, mas também serve de termômetro para a performance no grande dia. Nesse sentido, o Império Serrano ressurge das cinzas de um incêndio que, a poucos dias do carnaval passado, afetou grande parte de suas fantasias e o tirou da disputa.

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“Eu venho de um ano bem problemático, bem triste para a gente, mas o imperiano não deixou a escola cair. A gente mostrou isso no ano passado e, neste ano, o imperiano está com essa vontade de mostrar o que é o Império. A gente quer realmente mostrar o cartão de visita do Império. A gente quer o imperiano junto com a gente, fazendo carnaval e mostrando o que o Império é. Nós temos nove títulos do carnaval. A gente não está aqui à toa”, colocou Paulo Dimitri.

O clima de superação também esteve presente na fala de Vitor Cunha. “Todos os setores do Império estão com uma expectativa muito grande para superar o nosso último desfile. Adversidades acontecem a cada ano, mas este ano vai dar tudo certo. O Império vai fazer um ótimo desfile e, se Deus quiser, voltaremos ao Grupo Especial em 2027”, manifestou-se o intérprete, com otimismo, explicando em seguida o motivo da grande expectativa.

“O Império está com todo o gás e trabalhando para fazer um bom desfile. A diretoria está incansável, o carro de som também. Graças a Deus, esse samba ganhou. Eu já sabia que ia pegar. É um samba valente, que emociona, que conta a história da Dona Conceição. O público está cantando tanto o samba que, vou dar um spoiler para vocês aqui, a gente está ensaiando uma forma de a escola parar, a bateria parar, o componente parar e deixar a Sapucaí seguir com o canto. Não é certo de acontecer, mas aconteceu na Cidade do Samba, nos ensaios de rua e aqui hoje. Então a nossa direção de carnaval, junto com a harmonia, está estudando a possibilidade de talvez isso acontecer na Sapucaí também”, revelou.

A União da Ilha também prometeu um grande carnaval, após alcançar o quarto lugar em 2025. “Nosso ensaio tem cada vez mais gente e a comunidade está cantando bem o samba. O entrosamento da bateria com o carro de som e com o Tem Tem é o melhor possível. Ele está em seu segundo ano na escola e já é de casa. Vamos chegar com tudo no ensaio técnico e realizar um grande desfile”, afirmou o mestre Marcelo Santos.

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Mestre Marcelo Santos, da Ilha

Tem-Tem Jr. espera nada menos que o título: “A expectativa é máxima. A Ilha está cantando muito o samba do ano e vai tirar onda em 2026, rumo ao Grupo Especial”.

Uma das favoritas da disputa, pelo time de peso e pelos recursos investidos, a anfitriã União de Maricá não se mostrou tímida diante de pavilhões mais antigos. O intérprete Zé Paulo Sierra elogiou o canto e a força da comunidade maricaense.

“A gente vem fazendo um trabalho bacana, que tem refletido no que a gente viu aqui hoje. A escola está feliz, sonhando e passando essa alegria, essa energia para quem está do lado. A gente viu o Baródromo hoje cantando o samba da União de Maricá não só o de 2026, mas também o de 2024, de 2025 e até o próprio hino da escola, que é novo, não tem nem quatro meses de existência. Fico muito feliz com os frutos que esse trabalho vem colhendo”, analisou.

Já Paulinho Steves priorizou o preparo até o grande dia, chamando a comunidade para multiplicar o esforço já realizado. “Agora é reta final. É aparar arestas e, cada vez mais, de degrau em degrau, de ensaio em ensaio, dar não 100%, mas 1000% até chegar o dia tão especial que é o do nosso desfile”, pontuou o mestre de bateria.

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Mestre Paulinho Steves, da Maricá

O presidente Matheus Santos deixou também suas palavras finais. “A minha avaliação do rendimento dos segmentos da escola, a poucos meses do desfile oficial, é superpositiva. Está tudo dentro do nosso planejamento. A expectativa para os ensaios é a melhor. A comunidade está muito feliz. O povo abraçou o samba, abraçou tudo. Só tenho a agradecer à Prefeitura e trabalhar. A gente vai voltar dia 9 e vai ensaiar, ensaiar, ensaiar para mostrar nossa potência na avenida, como mostramos aqui hoje”, expressou o dirigente da União de Maricá.

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Presidente Matheus Santos, da Maricá