A primeira noite dos mini-desfiles, realizada na última sexta-feira, na Cidade do Samba, começou sob o impacto das fortes chuvas que atingiram a Região Metropolitana do Rio. Mesmo com alagamentos e atrasos, componentes e torcedores enfrentaram a tempestade para acompanhar o início da preparação das escolas rumo ao Carnaval 2026. O CARNAVALESCO ouviu quem esteve ali até o fim e, segundo os relatos do público presente, Imperatriz, Mangueira e Portela foram os destaques da madrugada.

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A reportagem conversou com torcedores de diferentes escolas e reuniu impressões sobre três pontos: quais sambas mais renderam, o que mais agradou em cada apresentação e o que surpreendeu na primeira noite. O resultado revela um recorte direto da arquibancada, sem análise técnica, mas com a força da sensação imediata de quem viveu o evento.

Niterói abre com enredo político e recebe reações distintas

Com o samba na boca do povo, Acadêmicos de Niterói esbanja simpatia na abertura dos minidesfiles

A Acadêmicos de Niterói abriu a noite apresentando um dos enredos mais comentados do ano: a trajetória de vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por abordar um personagem central da política nacional e mobilizar discussões que vão além da Sapucaí, a escolha do tema já gerava expectativa, refletida nas reações diversas do público.

O professor paulista Fernando de Oliveira, de 35 anos, torcedor da Beija-Flor, destacou a facilidade do samba. “O samba me surpreendeu. Não tinha escutado antes e aprendi aqui. Fácil de acompanhar”, declarou.

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O contador Anderson Moreira, de 47 anos, também torcedor nilopolitano, avaliou que o tema tende a gerar engajamento: “A Niterói trouxe um enredo de perfil político que deve atrair bastante o público”.

Já o mangueirense Gabriel Santiago Sá, de 24 anos, sentiu menor resposta no público presente na Cidade do Samba. “Ouvia mais a escola dentro do que o povo fora. Faltou esse comum de comunidade”, afirmou.

Imperatriz surpreende pela resposta do samba e pela coerência visual

Para boa parte dos torcedores ouvidos, a Imperatriz Leopoldinense apresentou um rendimento acima do esperado. Sem euforia, mas com comentários convergentes, o público avaliou que o samba ganhou corpo ao vivo e se beneficiou do canto da escola.

Fernando de Oliveira contou que tinha uma impressão “morna” da gravação, mas viu outra coisa na Cidade do Samba. Para ele, o samba cresceu com a resposta dos componentes e com a vibração ao redor: “Achei que era um dos sambas mais fracos quando ouvi antes, e aqui funcionou muito bem”.

Imperatriz faz exibição de gala e mostra toda força no minidesfile

O contador Anderson Moreira reforçou que o rendimento surpreendeu pela coletividade do canto: “Me surpreendeu o funcionamento do samba. Não esperava tanto”. Segundo ele, a Imperatriz conseguiu “conquistar a arquibancada” gradualmente, sobretudo em momentos de refrão.

Já o mangueirense Gabriel Santiago Sá destacou a coerência visual do conjunto apresentado. Para ele, samba, tripé e adereços dialogaram com fluidez com o enredo:
“Os adereços, o tripé e as fantasias estavam muito bem distribuídos e conectados com o enredo.”

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Mangueirense Gabriel Santiago Sá

Gabriel também mencionou a comissão de frente, cuja estética remeteu, para ele, ao universo performático de Ney Matogrosso: “A comissão com a referência à Ney Matogrosso me surpreendeu mesmo”.

Portela empolga torcedores com canto forte e energia comunitária

Entre os torcedores ouvidos, a Portela apareceu como uma das escolas que mais mobilizaram o público na primeira noite. As falas convergiram para o samba, que respondeu bem ao vivo, especialmente nos trechos de refrão, e provocou uma reação instantânea na Cidade do Samba.

O viradourense Lucas Rosa, de 32 anos, destacou o rendimento mesmo sem ser torcedor da escola: “Foi a que mais juntou, mais animou, mais agitou a galera”. Ele relatou que, conforme o cortejo avançava, o volume do canto na arquibancada aumentava, criando momentos de coro forte.

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Viradourense Lucas Rosa, de 32 anos

O portelense Anderson Macedo ressaltou o empenho da comunidade, especialmente após a forte chuva que antecedeu o evento: “Me surpreende a vontade das pessoas estarem aqui. Mesmo com muita chuva, todo mundo veio dar o melhor”.

Para ele, o desempenho do samba e o canto firme dos componentes revelam uma base comunitária mobilizada neste início de ciclo.

Portela vive noite feliz, envolve a Cidade do Samba com apresentação avassaladora e celebra a memória de Gilsinho

Já o contador Anderson Moreira, torcedor da Beija-Flor, comentou o peso tradicional da torcida de Oswaldo Cruz e Madureira: “Portela e Mangueira têm isso: a torcida já leva a escola.” Segundo ele, mesmo quem não é da escola acaba sendo puxado pelo volume da arquibancada quando a Portela passa.

No conjunto das falas, a Portela aparece como uma escola que iniciou o período pré-Carnaval com força de canto, presença comunitária e energia constante, apesar das adversidades climáticas.

Análise! Como foram os minidesfiles da Niterói, Imperatriz, Portela e Mangueira

Mangueira reforça potência comunitária e ganha elogios pelo canto

A Mangueira surgiu com frequência nas entrevistas como uma das escolas de melhor rendimento da noite. A comunidade, o canto e a força coletiva do samba foram os principais pontos mencionados.

O portelense Anderson Macedo apontou o samba da Verde e Rosa entre os que mais renderam, ao lado da Portela: “Gostei muito. É um samba potente, uma escola que arrasta multidões”.

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Portelense Anderson Macedo

Para ele, mesmo ouvindo o samba pela segunda vez, sua força ao vivo ficou evidente. Já o mangueirense Gabriel Sá destacou a relação entre comunidade e canto como elemento central do desempenho da escola: “Mangueira apresentou sua comunidade. A galera estava muito junto, cantou muito”.

Gabriel afirmou que essa presença conjunta, dentro e fora do desfile, dá ao samba uma densidade emocional que independe de grandes efeitos visuais, mas nasce do engajamento comunitário.

Leveza, energia e maturidade técnica: a análise do forte minidesfile da Mangueira