A Portela viveu uma noite feliz na Cidade do Samba. Assim pode ser definida a passagem da azul e branca durante a comemoração ao Dia Nacional do Samba. Terceira escola a se apresentar, a centenária mostrou suas credenciais já no esquenta, com o intérprete Zé Paulo e os ritmistas de mestre Vitinho comandando o show. Nesse momento, já era possível ver a “arquibancada” em puro alvoroço, balançando bandeiras e respondendo com entusiasmo.
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Quando o desfile começou de fato, sucederam-se grandes momentos. A comissão de frente apresentou uma coreografia de impacto, com uma linda homenagem ao intérprete Gilsinho, falecido neste ano, enquanto o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Lamar e Squel Jorgea, bailou com maestria. A bateria deu um espetáculo à parte, realizando inúmeras bossas, algumas acompanhadas de coreografias, que deixaram o público em êxtase. A comunidade, totalmente entregue, cantou a plenos pulmões e evoluiu com extrema desenvoltura.
Com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues, a Portela será a terceira escola a desfilar no domingo de carnaval.
COMISSÃO DE FRENTE

Comandada pelos coreógrafos Claudia Mota e Edifranc Alves, a comissão de frente da Portela foi um dos grandes destaques da noite. A coreografia, intensa e profundamente representativa, trouxe exus e mães de santo em perfeita harmonia. Só a força dessa dança já seria suficiente para causar impacto, mas o encerramento elevou ainda mais o momento: uma enorme bandeira com o rosto de Gilsinho surgiu para fechar a apresentação com chave de ouro. A recepção do público foi calorosa e emocionada.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Marlon e Squel seguem provando que tempo e trabalho são a melhor resposta. A dupla tem mostrado grande sintonia e desenvoltura. O bailado clássico se destaca, mas ganha um toque de frescor e novidade. Nesta noite, eles estavam impecáveis, elegantes tanto no figurino quanto na dança.
HARMONIA E SAMBA

A parceria entre o intérprete Zé Paulo Sierra e o mestre Vitinho precisou ser formada às pressas após o falecimento de Gilsinho. O que poderia soar como uma adversidade, porém, vem se mostrando uma união de enorme potencial, capaz de se firmar como uma das grandes duplas do carnaval. O entrosamento entre ambos é evidente, e a chegada de Vitinho para comandar a “Tabajara do Samba” trouxe a renovação necessária, fazendo bem à própria escola. Nesta noite, o que se viu, e ouviu, foi uma comunidade completamente entregue ao samba, cantando com desenvoltura e contagiando o público presente.
EVOLUÇÃO
Os componentes que passaram pela “avenida” da Cidade do Samba foram fundamentais para que a Portela vivesse uma noite tão feliz. Todos evoluíram com espontaneidade, equilibrando emoção e alegria na medida certa. Como não valia nota, foi possível perceber um desfile mais leve, com os portelenses mais “soltos” e descontraídos, sem o ar sisudo normalmente visto nos ensaios de rua e no desfile oficial.

OUTROS DESTAQUES
A águia, símbolo maior da Portela, marcou presença no tripé de abertura em uma releitura da emblemática ave do desfile de 1979. No mesmo tripé, Tia Surica acenou para o público e, como sempre, arrancou o carinho de todos. Destaque também para Bianca Monteiro, rainha de bateria que brilhou mais uma vez à frente da “Tabajara do Samba”.









