Por Gabriel Gomes e Luan Costa
A parceria de Babby do Cavaco, Rafael Gigante, Marcelo Adnet, Hélio Porto, Jefferson Oliveira e André do Posto 7 venceu a final de samba-enredo da União de Maricá para o Carnaval 2026. Além da vitória, os compositores levam o prêmio de R$ 100 mil. No próximo ano, a escola levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Berenguendéns e Balangandãs”, assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira. A agremiação será a sexta a desfilar no sábado, 14 de fevereiro, pela Série Ouro. * OUÇA O SAMBA DE 2026
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“É a terceira vitória na Maricá. Essa vitória é a vitória de Maricá, de um trabalho, de uma parceria que já vem há alguns anos, pelo menos três, investindo muito naquilo que a gente entende que pode engrandecer e tornar essa escola ainda maior do que ela é hoje. Um bom samba, um bom carnavalesco, uma boa direção, um bom planejamento… é tudo isso que uma escola precisa para ter o sucesso que a Maricá busca. É um carnaval para a gente subir, é um Carnaval para a gente ser campeão e entregar para essa comunidade tudo aquilo que ela merece: estar no Grupo Especial em 2027. Esse samba tem um conjunto harmônico, melódico, estético, que se encaixa perfeitamente naquilo que o Leandro, como um exímio e ilustre carnavalesco, desenhou. Essa foi a expectativa que a gente teve desde a sua elaboração, e que se materializou nessa entrega reconhecida pela escola com esse título”, disse o compositor Hélio Porto.

“Toda vitória tem uma emoção diferente. Essa, pra mim, teve a emoção de ver meu irmão que o samba me deu, o Baby do Cavaco, vencer um samba assinando de cabeça na União de Maricá. A emoção dele é a minha emoção. O samba é isso: é a música que a gente conhece, mas também são os parceiros que a gente faz, né, cara? E ver esse parceiro tão feliz é, pra mim, uma felicidade imensa. Agora vem também a responsabilidade. Ao ganhar um samba, a gente passa a ter uma responsabilidade que vai além da disputa. Quero também parabenizar o João Vidal, que é um amigo querido, o Wanderley Monteiro, um compositor fantástico, e o Gigante, que tem uma força incrível no meio do samba. Mas é pelo Baby que eu estou tão feliz hoje. A parte que mais gosto é a que chama as mulheres. Pra mim, o trecho mais forte é quando diz ‘quem renega a mulherada vai dormir com esse barulho’. Tem um olhar para a mulher aí que é muito interessante, porque o samba ainda é um meio bastante masculino, no palco, na apresentação. No público tem muita mulher, mas no palco ainda é bem masculino. Quando vários homens juntos, grandes assim, cantam em defesa da mulher, eu acho isso muito importante. Por isso esse trecho é o mais marcante pra mim”, afirmou o compositor Marcelo Adnet.

“Três vezes campeão, já tive samba campeão lá na Intendente, aquela coisa maravilhosa, aquele varnaval maravilhoso e a gente vem sempre na final, esse ano a gente decidiu juntar com o Rafael Gigante, somos amigos e decidimos parar de brigar, juntamos deu tudo certo e a gente está feliz demais com esse resultado da nossa escola de coração que é a União de Marica. É o samba que a comunidade comprou, baiana, passista veio junto com a gente, a escola e a comunidade abraçou de uma forma que comigo nunca tinha acontecido e deu tudo certo a gente foi consagrado com essa vitória maravilhosa”, comentou o compositor Babby do Cavaco.

“É a nossa terceira vitória aqui na escola. É a escola que trouxe essa conquista e nós temos o prazer de compor para ela. Somos honrados em defender a escola, em defender o pavilhão na avenida. Essa vitória é ainda mais importante que as anteriores, porque, a cada ano que passa, a nossa responsabilidade aumenta. A gente conhece o trabalho da escola, o amor dessa comunidade, a equipe que foi montada e tudo o que está sendo feito. É uma nova parceria, um novo enredo, um novo desafio, e nós vamos juntos, com muito afinco e empenho, para a avenida, buscar esse título e colocar a Maracanã no lugar que merece: o Grupo Especial. Eu gosto do samba como um todo, mas sou apaixonado pelo refrão de baixo, pelo refrão do meio e, claro, pelo refrão principal. Esses são os pontos altos da obra”, citou o compositor Rafael Gigante.

Presidente Matheus Santos promete impacto na avenida
Confiante no projeto, o presidente da União de Maricá, Matheus Santos, destacou que a escola, mesmo jovem na Série Ouro, chega preparada para surpreender.
“A Maricá é uma escola que ainda é um bebê na Série Ouro. Mas, vocês podem esperar muito impacto. Será um carnaval grandioso, em que vamos mostrar a importância e a imponência dos balangandãs, remetendo às religiões de matriz africana e ao nosso povo. Eu e o Leandro estamos sempre buscando esse caminho. Vai ser um carnaval que, com certeza, vai arrepiar a Marquês de Sapucaí”.
Matheus também fez uma autocrítica ao último desfile e afirmou que pontos falhos já estão sendo corrigidos. “A própria mídia disse que a gente foi a melhor escola do grupo de acesso. Tivemos algumas falhas de evolução e de bateria, mas já estamos corrigindo isso neste ano. Estamos trabalhando incansavelmente para que não volte a acontecer e para colher bons frutos agora”.
O presidente ainda ressaltou a parceria intensa com o carnavalesco e valorizou tanto o apoio político quanto o trabalho dos bastidores. “Nosso prefeito acredita muito no carnaval e na cultura brasileira. Quero mandar um beijo e um abraço ao nosso prefeito, presidente de honra, que tanto aposta na nossa escola. Mas não posso deixar de agradecer também ao chão de fábrica: ferreiros, aderecistas, serviços gerais. Eu acredito muito na força do trabalho e que podemos, sim, mudar a vida das pessoas através da cultura e da educação”.
Leandro Vieira: ‘ Identifiquei uma escola com uma força feminina muito grande’
O carnavalesco Leandro Vieira, em seu segundo ano na escola, afirmou que o enredo é fruto de um olhar mais profundo sobre a identidade da agremiação.
“Ano passado foi meu primeiro ano, e naturalmente, no primeiro ano em qualquer lugar, você chega sabendo menos do que vai saber no segundo. Identifiquei uma escola com uma força feminina muito grande, com uma construção territorial ligada à ancestralidade. Acho que o enredo também reflete esse aprofundamento. Eu costumo dizer que estou em um ‘namoro’ com a Maricá. É um namoro novo, estamos nos conhecendo, com expectativa de dar certo”.
Sobre a preparação, o artista destacou a organização do barracão e o alinhamento das obras finalistas.
“Já entreguei o projeto completo de alegorias, e a escola está na fase de construção de ferragens, carpintaria e esculturas. Os três sambas finalistas estavam bem alinhados no discurso, e isso é muito importante. A grande expectativa é que o vencedor conduza a Maricá com energia na pista”.
Zé Paulo: experiência e competitividade
Novo intérprete da escola, Zé Paulo contou como surgiu o convite e demonstrou confiança no projeto. “Esse convite surgiu um pouco antes do Carnaval de 2025. Achei melhor viver isso aqui novamente, sair da zona de conforto. Cheguei com um projeto longevo: contrato de dois anos, quadra nova, grandes sambas. Estou muito feliz de estar aqui”.
Com experiência de acesso e título no Especial, ele acredita que pode contribuir na formação da identidade da Maricá. “Minha experiência no grupo de acesso é fundamental. Essa experiência me dá tranquilidade para ajudar a Maricá a criar sua casca, sua própria identidade. Tenho certeza de que, em breve, a escola estará figurando entre as grandes”.
O cantor também exaltou a sintonia com a bateria e o carro de som. “Estamos juntando tudo isso, colocando em um potinho, misturando bem, para fazer um grande trabalho em 2026”.
Wilsinho Alves: ajustes e metas para 2026
O diretor de carnaval, Wilsinho Alves, fez um balanço positivo do último desfile, mas apontou desafios de imagem e julgamento. “União de Maricá fez um grande desfile. Sobrou artisticamente com a técnica apurada. Infelizmente, existe um peso muito grande em cima da Maricá por causa da questão do apoio da prefeitura, como se não houvesse comunidade. Mas aqui há muito trabalho sério e valorização do componente”.
Para 2026, ele destacou reforços estratégicos e a importância de definir o samba cedo. “Trouxemos o Mauro, uma grande aquisição. Talvez seja a peça que faltava para o nosso acesso. Antecipamos todos os processos: barracão, ateliê, ensaios. O samba terá mais tempo de maturação, para que a comunidade chegue no ápice no momento do desfile”.
Mauro Amorim: paixão e profissionalização
Novo diretor de harmonia, Mauro Amorim celebrou a recepção calorosa e destacou a força da comunidade local. “Foi a maior surpresa que eu tive na minha chegada à Maricá. Hoje, a gente tem a satisfação de ter uma ala de baianas 100% Maricá, uma harmonia quase toda da área. Maricá é uma terra de sambista, sim. As pessoas são apaixonadas pela escola e querem trabalhar. Isso motiva demais”.
Mauro reforçou ainda o objetivo de profissionalizar o desfile. “Todos são apaixonados, mas precisamos construir um resultado. A gente não pode deixar a paixão atrapalhar a técnica. Vamos ensaiar bastante para provar que Maricá é terra de sambista”.
Mestre Paulinho Steves prepara novidades na bateria
Com a bateria “Maricadência” em evidência, o mestre PaulinhoSteves revelou novidades musicais para 2026. “Para 2026, vamos sim mergulhar no enredo a fundo. Vai ter umas coisinhas novas. Tenho certeza que vai trazer umas ideias fora da casinha”.
O mestre também celebrou a sintonia com o intérprete Zé Paulo. “Foi amor à primeira vista. Parece que a gente já trabalha junto a vida toda. Casamento perfeito”.
Fabrício e Giovana: confiança no figurino e coreografia
O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Fabrício e Giovana, comemorou o desempenho de 2025 e já elogiou o cuidado da escola com as fantasias.
“A gente até já experimentou. Fizemos a primeira prova e está tudo bacana. O Leandro, mais uma vez, foi super feliz no figurino”, disse o mestre-sala.
“Nossa fantasia já passou pela primeira prova. Isso nos deixa até mais tranquilos para dormir, porque a gente sabe que nem sempre é assim. Para gente, está sendo maravilhoso”, garantiu a porta-bandeira.
Ela destacou ainda o trabalho coreográfico para o próximo Carnaval. “Em 2026, também temos influência afro, mas com mudanças de espaço e concepção. Com a Beth Bejani como coreógrafa, teremos um reforço muito grande”.
Como passaram os sambas na final
Parceria de Vinícius Santos: O primeiro samba apresentado na final foi de autoria de Vinícius Santos, Rogerinho do PT, Jânio Oasis, Jailton Russo, Bruno Braga e Flavinho Bento. A obra foi conduzida pelo intérprete Emerson Dias, que mostrou toda a sua empolgação característica ao convocar o público para cantar junto, animando a torcida que levou balões e bandeiras para apoiar. O samba dialogou bem com o enredo e teve boa recepção, com destaque para o refrão “Deixa a preta nos benzer / Deixa a preta adornar / Coroando a vitória de Maricá”, que, mesmo sem ser explosivo, foi entoado com força pela plateia.
Parceria de Babby do Cavaco: A segunda obra a se apresentar na final foi assinada por Babby do Cavaco, Rafael Gigante, Marcelo Adnet, Hélio Porto, Jefferson Oliveira e André do Posto 7. O samba foi defendido por Charles Silva e, desde os primeiros versos, mostrou que seria um dos pontos altos da noite. A apresentação revelou uma obra consistente, com letra densa e carregada de simbologias, que dialogaram de maneira precisa com o enredo. O refrão “A nêga pode e vai ter o que quiser” destacou-se pela força, fácil assimilação e grande apelo. Charles interpretou de forma segura e clara, valorizando cada verso e potencializando o discurso da obra. A performance ainda contou com pirotecnia da parceria e o apoio vibrante da torcida, que cantou com entusiasmo do início ao fim.
Parceria de Claudio Russo: O último samba da noite foi assinado por Claudio Russo, Marcelinho Moreira, Julio Alves, Manolo, Anderson Lemos e Fadico. A defesa da obra ficou a cargo do intérprete Pitty de Menezes, que, com seu talento habitual, conduziu o samba a uma apresentação consistente. Embora não apresentasse grandes momentos de explosão, a obra trouxe uma letra que dialogou bem com a narrativa do enredo. O destaque ficou para a primeira parte, com uma melodia envolvente e distinta das demais, especialmente nos versos: “Numa velha Salvador, um retinto vai e vem / Na ladeira do Pelô, no sobrado de alguém / Um fidalgo que comprou / O melhor sabor que tem”. A torcida participou com entusiasmo, levando bandeiras e apoiando a apresentação do início ao fim.