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Série Barracões SP: Tom Maior reeditará clássico de 2009 sobre a história de Angola

Vermelho e Amarelo aposta em desejo da comunidade para superar o rebaixamento na busca pelo título do Grupo de Acesso 1 do carnaval de São Paulo

Um clássico do carnaval de São Paulo retorna ao Anhembi. Para 2025, a Tom Maior optou por reeditar o enredo “Uma nova Angola se abre para o mundo! Em nome da paz, Martinho da Vila canta a liberdade!”, que marcou o carnaval de 2009 com um samba que faz sucesso até hoje. O carnavalesco Flávio Campello concedeu entrevista ao CARNAVALESCO para explicar a escolha e as novidades da nova abordagem feita sobre o tema pela Vermelha e Amarela do Sumaré.

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Desejo antigo da comunidade

O rebaixamento da Tom Maior em 2024 surpreendeu o mundo do samba. A escola causou impressões positivas ao longo de todo o pré-carnaval, com seu elogiado samba e realizando bons ensaios, e no desfile apresentou uma plástica de alto nível que rendeu à escola o Prêmio Estrela do Carnaval, promovido pelo CARNAVALESCO, de melhor conjunto de alegorias. Para retornar ao Grupo Especial, Flávio Campello não tinha dúvidas de que era o momento certo para resgatar um antigo desejo da comunidade de reeditar o aclamado enredo sobre Angola.

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“Essa ideia surgiu logo após a apuração de 2024. Precisávamos nos encontrar com a nossa comunidade nesse dia triste do resultado, então houve uma conversa comigo e o Carlão indo para a quadra. Ele pediu: ‘você vai continuar conosco? Queremos continuar com você’, e no carro eu falei para ele: ‘então vamos continuar, mas vamos fazer o enredo sobre Angola’. Por quê? A nossa comunidade, desde quando eu cheguei na escola, sempre cogitou a possibilidade de fazer a reedição desse enredo. Quando chegamos, que foi naquele ano fatídico da pandemia, chegamos naquela situação de talvez engavetar ‘O Pequeno Príncipe’ e cogitamos a possibilidade de fazer uma reedição ali. Era aquele carnaval meio incerto por causa da pandemia, de quando que iria rolar, e acabou acontecendo em abril, dois anos depois. O enredo de Angola sempre esteve presente no imaginário da nossa comunidade, e com esse lance da apuração do ano passado, eu pensei em presentear a nossa comunidade com esse enredo. É um samba que eu sempre gostei, ele celebra um pouco o ano em que eu cheguei no carnaval de São Paulo, que foi 2009. Eu representava naquele momento a Mocidade Alegre, mas o samba da Tom Maior, na minha opinião, era um dos melhores daquele ano e aquele samba ficou na minha cabeça. Eu falei: ‘vamos fazer essa reedição, que eu acho que é o momento para podermos dar um gás à nossa comunidade, para podermos transformar o carnaval 2025 no ano da nossa redenção, no ano da nossa superação’”, declarou.

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Uma ‘nova’ Nova Angola

O público que assistiu aos ensaios técnicos da Tom Maior pôde perceber de imediato que a abordagem da reedição será diferente do desfile de 2009. A abertura da apresentação original fez referência direta à guerra civil angolana, com comissão de frente e carro Abre-alas completando um ao outro formando uma cenografia comovente. A proposta de 2025, porém, já parte da reconstrução da nação africana, sendo mais alegre e colorida. A necessidade de realizar uma apresentação menor por conta das limitações do Grupo de Acesso 1 fez com que Flávio Campello usasse da poesia do próprio samba para construir uma nova narrativa para o desfile.

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“A ideia, desde o início, era transformar esse enredo com uma nova roupagem. Sempre quisemos enaltecer, principalmente como o título do enredo fala, ‘Uma Nova Angola’. Nós quisemos, desde o início, fazer ‘Uma Nova Angola’. Uma Angola onde pudéssemos mostrar o povo renascendo daquele tempo ruim de guerra civil. A Angola da reconstrução, a Angola do renascimento. Nós quisemos propor, plasticamente, um carnaval diferente do que foi em 2009 até porque eu precisava sintetizar esse enredo em três setores, afinal nós só temos três alegorias. É um enredo riquíssimo, é uma temática riquíssima, a história de Angola é muito rica. Nós tínhamos que transformar essa história riquíssima em três setores, e foi algo que conseguimos através do samba, inclusive. Abrimos o nosso desfile com a cabeça do samba, que é ‘Uma Nova Angola’. Temos na segunda alegoria a proposta de enaltecer o que está no refrão do meio, que é a proteção de Zambi, a religiosidade do povo angolano, do candomblé de Angola. E fechamos o desfile como o samba fala da nova ‘Kizomba’, aquela Kizomba que foi feita no bairro de Noel. Nós dividimos esse enredo nesses três setores para que possamos ilustrar um carnaval novo, com uma nova visão sobre Angola e eu espero que todo mundo goste”, explicou.

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Apesar de ser uma reedição, foi preciso fazer novos estudos para garantir que a abordagem do desfile sobre a história de Angola se mantenha atualizada. O carnavalesco apontou o que mais chamou sua atenção durante as pesquisas para a construção do enredo.

“A força do povo angolano, que eu acho que tem muito a ver com a nossa história. Existe uma relação de irmandade muito grande entre esses dois países. Infelizmente, quando nós também fomos colonizados, nós trouxemos escravizados de Angola para o Brasil. Nós sabemos que o Brasil também tem muitos e muitos braços angolanos na sua construção, principalmente como exaltamos na tradição Bantu. A origem Bantu, que é a origem afro-brasileira, é muito forte. Nós quisemos também, através dessa nova proposta, mostrar um pouco disso. Essa questão da relação de irmandade entre Brasil e Angola, essa relação que firma alianças até hoje entre Brasil e Angola, e enaltecendo Martinho da Vila, que é o embaixador cultural em Angola. Ele praticamente quem foi responsável por unir o semba de Angola com o samba brasileiro através do ‘Canto Livre de Angola’, que foi um projeto idealizado por ele. Martinho conseguiu unificar as culturas dessas duas nações, então fechamos o desfile falando desse grande embaixador cultural que é Martinho da Vila”, afirmou.

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Tom Maior na Avenida: Da reconstrução de Angola à Kizomba de Martinho

O desfile da Tom Maior em 2025 será estruturado em três setores inspirados nos versos do samba de 2009. Flávio Campello destacou os elementos que fazem da reedição uma abordagem renovada sobre Angola.

“’Uma nova Angola reconstruindo a sua história’, que é o nosso primeiro setor, é a reconstrução dessa história. O nosso segundo setor, que é ‘Deixa a Gira Girar sob a proteção de Zambi’. E o nosso terceiro e último setor, que é o ‘Martinho, que fez a Kizomba lá no bairro de Noel’. Como estamos fazendo a reedição de um samba, nós tivemos a preocupação de desenvolver o projeto em cima do samba. Em cima do samba eu fiz as minhas pesquisas, elaborei a nossa sinopse, que é uma nova sinopse de enredo, mais moderna, mais contemporânea, com dados mais atuais sobre a história de Angola. Eu acho que esse é o caminho de nós podermos ter a chance de falar de um enredo riquíssimo, de um enredo onde a escola abraça desde 2009 e não esquece, porque todas as vezes que cantamos esse samba na quadra, nós percebíamos muita emoção. O carnaval de 2009 traz muitas lembranças, muita memória afetiva da nossa comunidade, que eu acho que esse é o nosso intuito de passar aqui no domingo com essa nova Angola”, explicou.

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O carnavalesco detalhou alguns elementos que serão observados dentro dos três setores do desfile da Tom Maior. “Nós temos a história de Angola através dos povos. Temos Rainha Nzinga, a própria ‘Entre Correntes e Lamentos, a Negritude Atravessou o Mar’. Fomos ilustrando as nossas fantasias com trechos que estão inseridos dentro do samba. No nosso outro setor falamos sobre essa relação Brasil-Angola, onde temos ali o ‘Canto Livre de Angola’, o Canto de Martinho. Nós temos Brasil e Angola unidos em um só coração, temos Angola renascendo das cinzas, temos a fantasia dos passistas que representa o samba e o semba, e temos a Kizomba na nossa última ala. Nós tentamos desenvolver esse projeto totalmente dentro do nosso samba e através dele reconstruímos uma nova sinopse, um novo enredo que eu acho que ficou bem bacana”, disse.

Conjunto visual é o trunfo para 2025

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Os últimos carnavais da Tom Maior se destacaram especialmente pelo alto nível do conjunto de alegorias e fantasias apresentados. Flávio Campello garante que, mesmo no Grupo de Acesso 1, a estética seguirá sendo o principal trunfo para impressionar o público e os jurados no desfile da escola.

“Acho que as alegorias (serão o ponto forte). Nós mantivemos o padrão de alegorias, que acho que são grandiosas, estamos vindo no Abre-alas com duas bases grandes também. Acho que as nossas alegorias sempre vão ser um trunfo porque eu sempre gostei muito delas. Eu acho que as alegorias, para mim, sempre vão ser o forte, acho que é o que engrandece os olhares de todo mundo. As pessoas vêm aqui na baia como se estivessem na Disneylândia, elas gostam de alegorias. Eu acho que a grande identidade do carnaval de São Paulo está nas alegorias. Aqui você consegue fazer carros gigantes, comparados aos carnavais do Rio e de outros lugares do Brasil, por causa da estrutura que temos e que nos proporciona essa possibilidade. Eu acho que alegorias e as fantasias, que também mantivemos um padrão de fantasias do ano passado, até porque em 2024, dos três quesitos que nós trouxemos nota 40, fantasia foi um deles. Nós estamos tentando repetir o feito de trazer aí mais uma nota máxima nesse quesito”, afirmou.

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Recado do carnavalesco Flávio Campello para a comunidade da Tom Maior

“Chegou o momento, minha comunidade! É o momento de nós também, assim como Angola, renascermos das nossas próprias cinzas! É aquilo que eu sempre falo, passei o ano todo falando: nós não podemos desanimar e precisamos dar a volta por cima e acho que 2025 vai representar isso. Em respeito, obviamente, às outras sete coirmãs, mas nós estamos batalhando o ano inteiro para poder alcançar o nosso objetivo, que é levar de volta a nossa escola de samba para o Especial”.

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Ficha técnica
Enredo: “Uma nova Angola se abre para o mundo! Em nome da paz, Martinho da Vila canta a liberdade!”
Alegorias: 3 carros
Componentes: 1300
Alas: 16
Diretor de barracão: Adelson Davi
Diretor de ateliê: Leonan Ribeiro

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