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Série Barracões: Assombrações na Passarela: Paulo Barros conduz a Vila Isabel em um trem-fantasma de mitos e alegorias

Carnavalesco mergulha no folclore brasileiro para criar desfile emocionante, unindo tradição, tecnologia e a força da comunidade na Sapucaí

Considerado uma das mentes mais revolucionárias do carnaval carioca, Paulo Barros está à frente do carnaval da Vila Isabel há três anos. Essa é sua terceira — e mais longeva — passagem pela escola do bairro de Noel, onde já realizou outros dois desfiles antes de assumir o comando em 2023. Dono de quatro títulos no Grupo Especial, o artista é conhecido por um estilo moderno, marcado por alegorias humanizadas, uso de materiais inovadores e conceitos ousados. É com essa assinatura que ele leva à avenida o enredo “Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece”, explorando assombrações do imaginário popular e folclórico brasileiro.

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Paulo revelou que o tema surgiu de uma sugestão, assim como ocorreu com o desfile campeão de 2010. A partir da proposta, mergulhou em pesquisas sobre mitos e lendas que permeiam o cotidiano das pessoas. O carnavalesco ressaltou, porém, que não há semelhanças com seu desfile de 2011, que abordava o medo no cinema:

“Me sugeriram o tema, e eu automaticamente me apaixonei pela ideia, assim como em 2010, quando um jovem me trouxe a palavra ‘segredo’. Este ano, decidi explorar as assombrações. Pesquisei a fundo e percebi que seria uma ótima opção para a Vila. Alguns compararam ao enredo de 2011, mas são totalmente diferentes. Desta vez, o fio condutor é um trem-fantasma, um brinquedo de parque de diversões que simboliza uma jornada de emoções. Quero que o público sinta medo, suspense, mas tudo se transforme em alegria no final. 90% do enredo é baseado em mitos brasileiros, muitos com raízes europeias, mas adaptados à nossa cultura. A riqueza dessas lendas é fascinante!”, explicou.

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Sobre a escolha dos personagens, Paulo destacou a diversidade como base do enredo, sem privilegiar figuras específicas:

“Não tenho preferência. Trago desde entidades conhecidas, como o Saci Pererê e a Cuca, até lendas menos populares, como a Cobra Grande. Cada uma tem seu encanto. A pluralidade é que sustenta a narrativa”, afirmou.

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Nas alegorias e fantasias, o carnavalesco mantém seu estilo marcante: carros com movimento e estruturas repletas de integrantes.

“O público verá um conjunto alegórico diversificado, com estéticas únicas em cada setor. Sempre busco criar carros que se destacam pela arquitetura e plasticidade, algo que marca minha trajetória”, disse.

Paulo também destacou a importância da iluminação cênica da Sapucaí, incorporada ao espetáculo em 2023:

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“A luz hoje é parte essencial do desfile. Mudou a estética e nos permite criar efeitos incríveis. Foi uma iniciativa brilhante do Eduardo Paes, e estamos aproveitando ao máximo”.

Por fim, enfatizou que o verdadeiro trunfo da Vila Isabel é a comunidade: “Ninguém vence sozinho. Há especulações sobre samba, favoritismo, mas o desfile se ganha na hora. Dependo de 2.800 pessoas fazendo seu papel com excelência. Sem essa energia, não há título”.

Conheça o desfile

A Unidos de Vila Isabel pisará na avenida trazendo seis alegorias e cerca de 2.800 componentes. Paulo Barros falou ao CARNAVALESCO sobre como serão os setores do desfile da Vila Isabel.

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Setor 1: “Nesse trajeto do trem fantasma, o trem segue, parte e ele entra no universo das matas e das florestas, onde a gente vai encontrar esses seres, essas personagens que estão relacionados às florestas e às matas, como o curupira, o saci, e o boitatá”.

Setor 2: “O segundo setor eu falo dos rios e dos oceanos, das águas. São aquelas assombrações, esses seres que vivem nesse habitat, nesse ambiente”.

Setor 3: “O terceiro a gente fala nas redondezas, que pode ser numa esquina, numa vila, numa cidadezinha, num castelo, num cemitério. É tudo aquilo que está ao nosso redor, por isso que a gente chama de nas redondezas”.

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Setor 4: “Depois a gente faz uma reflexão daquelas assombrações que nos fizeram medo quando criança, que é o setor que eu falo das assombrações infantis, em que a gente tem a cuca, o bicho-papão, e a bruxa”.

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Setor 5: “E a gente termina trazendo um bloco, uma festa, que é onde a gente celebra o final desse trajeto do trem-fantasma, mas fazendo um grande baile, onde aquelas figuras tradicionais da própria festa, do Halloween, que foi incorporada por nós e por todo mundo, e a gente mistura esse Halloween com o Carnaval. Eu costumo dizer que a gente está criando aí o ‘carnaween’. Então o último setor é onde a gente acaba a viagem no trem e a gente vai rir. Aquelas figuras que são horrendas, quando você vai a um baile desse, você vê essas figuras, e o que você faz nesse baile? Você ri dessas coisas. E o nosso intuito no final é virar isso na bruxaria, que a Vila vai te pegar. E vai te pegar como? Exatamente nessa alegria”.

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